Mochilão Monte Roraima -1° Dia de Trekking – Venezuela

Últimos ajustes no equipamento
Foto: Ralf Kending

Acordamos as 04:00 hs! Vesti a roupa que faria o trekking, e acabei de preparar a mochila. Fomos para o saguão do hotel esperar a van para partir rumo à Venezuela. Na praça, em frente ao hotel, estava rolando show de rock. Com covers de bandas como Metalica, Nirvana, Guns… Caramba, uma pena esse show acontecer justamente na noite que eu tinha que descansar. Fiquei dias em Boa Vista literalmente matando tempo e adoraria ter ido à um show de rock. Embarcamos na van, animados com o trekking e energizados pelo rock. Passamos em outros hotéis para pegar outros treckers, e conheci mais dois companheiros de viagem. A Lauriana e o Ranieri, casal de Brasília.

Partiu Venezuela! Até chegar na fronteira, fui oscilando entre cochilos e olhos cerrados. Estava morrendo de  preguiça, mas os milhares de buracos da rodovia brasileira não me permitiam um sono mais profundo. Na fronteira da Venezuela ficamos uns 30 min esperando a funcionária pública venezuela chegar. Ela estava atrasada, e acabei entrando na Venezuela sem assinar p*rra nenhuma.
Tepuy Kukenán
Chegamos à Santa Elena de Uairén onde ganhamos um desayuno. Enquanto isso, esperamos também os guias carregarem as Toyotas (motor 6 cilindros, diga-se de passagem) com nossas mochilas cargueiras. Eu estava com dor de estômago de ansiedade! Nuvens negras faziam questão de passar de um lado a outro da cidade impondo respeito. Eu não estava afim de caminhar debaixo de chuva e muito menos montar a barraca sob essa condição. Viajamos com os jipes por uma hora até chegar na entrada da aldeia indígena Paraitepuy. Isso mesmo, são índios venezuelanos que estão no comando do parque nacional.
Assim que chegamos, meus companheiros contrataram seus carragadores enquanto eu olhava apreensivo para o tepuy que estava logo à nossa frente, o Tepuy Kukenán. Um lindíssimo tepuy, que já conseguimos enxergar alguns quilômetros após deixar Santa Elena de Uairén.
Começamos a caminhada sob um sol fortíssimo, se não me engano era 13:30 hrs. Segui na frente com o guia, e a galera em fila atrás de nós. Logo no primeiro local de ascensão mais acentuada, o pessoal já se dispersou. Cheguei ao topo desse primeiro morro antes mesmo que o guia. Tive a certeza de estar em plena forma física.
Esperamos todos chegarem no topo desse morro e nos hidratamos. Ranieri disse para mim: “Orra! Você caminha muito, hein?!” Com um sorriso sem graça disse que eu estava em forma e que caminhava melhor com uma mochila pesada nas costas que sem peso.
O nosso guia auxiliar, o Yirso (pronuncia-se Tirso) me disse que a partir desse ponto caminharíamos sem grandes desníveis, pelos campos. Ele convidou-me a continuar a  caminhada e ao perceber que eu andava de boa, disse-me que poderia seguir caminhando sozinho, ele iria acompanhar os outros do grupo. Única recomendação foi que ao chegar numa ponte de com toras de árvore, parasse e espera-se ele e o grupo. No meu ritmo, então, continuei a caminhada. De repente começou a chuviscar, guardei a câmera no mochilão, vesti o corta vento e continuei, num passo ainda mais rápido.
Carregador indígena descansando
Felizmente, essa chuvinha incomodou menos do que eu esperava, durou menos de 10 minutos. Cheguei a outro morrinho, olhei para trás, e não consegui distinguir que era quem era e quem não era de meu grupa, estavam longe. Nesse momento, avistei um garotinho mais a frente caminhando com uma enorme mochila! Andei rápido até ele e o cumprimentei, em espanhol. A conversa seguiu e demorei a entender que apesar dele estar caminhando com uma enorme mochila, ele não era carregador da aldeia. O garoto cujo não lembro o nome, estava com a família fazendo o trekking. A família inteira iria fazer a ascensão em estilo alpino, sem guias ou carregadores para auxiliar. Fiquei impressionado com a mochila do garoto. Pesava tranquilamente 10 kg. Pedi aonde estavam os pais dele, e ele me disse que estavam atrás de nós. Foi na companhia desse garoto incrível e alegre que cheguei ao acampamento rio Tek.
Acampamento rio Tek
Assim que cheguei, procurei um lugar ideal montar a barraca e comecei a preparar meus equipamentos. O solo era bem duro, e todos os speks ficaram tortos. Montei a barraca e organizei todas as coisas em 10 minutos. Peguei roupa limpa e fui para o rio tomar um banho e me refrescar, acho que era umas 17:00 hrs. A água era gelada, me revigorou. Voltei ao acampamento e esperei meus colegas de grupo chegarem. Percebi a vantagem de ter trago e montado minha barraca, sem auxílio de guias. O pessoal do grupo chegou, mas os carregadores não. Então, até os carregadores chegarem e montarem as barracas, quase anoiteceu. E o restante do grupo acabou tomando banho no rio quando já não havia mais sol.
Tinha bastante gente nesse acampamento, felizmente por ter chego bem antes que a maioria dos treckers, minha barraca ficou com de frente para o Tepuy Kukenán. Uma visão magnífica da porta da minha barraca.
No jantar, o Leo, nosso guia principal, informou como seria o dia seguinte. Seriam 9 km de caminhada, totalmente em ascensão. Passaríamos por dois rios, o Tek e o rio Kukenán. Todo o trajeto seria sob o sol.  Nada de vegetação que oferecesse sombra, afinal, ali é tip caatinga – na região é chamada de La Gran Sabana. Após jantar, ficamos um bom tempo admirando o céu incrivelmente estrelado. Foi lindo demais.
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Glauco
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