Mochilão Patagônia- 10º Dia – Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno – Argentina


Lá pelas 08:30 hrs agente acordou. Não tínhamos pressa, porque o ônibus passaria para nos pegar por volta das 11:30. Arrumei minha mochila de 25 L com bolachas, chocolates, suco e água. No horário combinado o bus nos pegou em frente ao hostel América del Sur. Ônibus ótimo, confortável e limpo. Era da empresa gaúcha Marcopolo. 
Ao longo da cidade agente foi parando e pegando mais gente. Em frente a um hotel de granfino, entrou uma galera, e no meio da galera duas gatas. Mas estava com os pais, mimadas e riquinhas. Para chegar até o Perito Moreno levaríamos cerca de uma hora. Guilherme logo no começo pegou no sono. Eu fiquei bocejando um monte mas aguentei fica acordado. A paisagem era de deserto de um lado, e do outro, o Lago Argentino e pedaços de gelo flutuando. Paramos na entrada do Parque Nacional para comprar o ticket de entrada. Custou ARG 75,00. Sinceramente, uma facada! Como tudo em El Calafate. Mesmo os argentinos, acho que pagavam ARG 30,00. Mais uns minutinhos e chegamos aos mirantes do Glaciar Perito Moreno. Umas das dicas mais importantes sobre glaciares é: protetor solar e óculos de sol.
Assim que chegamos o guia começou a explicar um monte de coisas sobre o Glaciar. Escutei atento apesar de achar chato. Seguimos mais uns metros, e o guia começou a falar as mesmas coisas de antes. E aquele tumulto de turista sacando fotos adoidados querendo encher o cartão de memória o mais rápido possível para voltarem à sua terra e mostrarem que estiveram lá. Fiquei de saco cheio e abandonei o grupo de turistas alouprados. Queria mais era caminhar sozinho, no sentido que eu queria. Sentindo o vento gelado que vinha do glaciar, escutando e refletindo ao som dos blocos de gelo se desprendendo e caindo na água. Guilherme resolveu seguir o grupo. É nesses momentos que vejo como eu gosto de caminhar sozinho! Aqueles 30 km de extensão do glaciar, sua altura de 60 m são muito imponentes. Não existe branco mais branco e azul mais azul que aquilo. Quando caem pedaços de gelo na água, dos mirantes parece que foi uma lasquinha, mas o estrondo que faz é incrível. Parece trovão. E detalhe, o dia que estávamos lá, tinha um sol descomunal. Algo realmente raro ali naquela região. 

Caminhei por todos os lados, tinha muita gente bonita passeando pelas passarelas, acho que por ter preços elevados acaba elitizando o lugar. Encontrei uns brasileiros que também estavam viajando de mochilão pela Patagônia, porém estavam fazendo o sentido contrário da viagem. Dei umas dicas pra eles de Torres del Paine, principalmente em relação à logística do trekking. Aproveitei também pra pedir que tirassem uma foto minha com plano de fundo o glaciar. Depois que se foram, me sentei para comer bolachas. Do meu lado, sentado no banco, tinha um senhor japonês pequeno como um pônei, estava desenhando o Glaciar num caderninho de desenhos que ele tinha. O desenho era até ilustrado. Por um momento pensei em falar para ele que seria melhor tirar uma foto do glaciar ao invés de desenhar. Mas fiquei calado só olhando. Eu já estava cansado de ficar naquele sol forte vendo o glaciar, e derrepente veio o Guilherme, disse que eu deveria ter seguido o guia, porque dessa forma fiz o caminho errado nas passarelas. Questionei ele, como sentido errado? Vi o Glaciar de todos os ângulos que achei necessário, caminhei pelos vários níveis de passarelas, estava satisfeito. Guilherme seguiu caminhando para o lado de onde eu tinha vindo. Eu resolvi voltar até a área onde os ônibus esperam o pessoal. Queria sombra e um cochilo.

Na verdade ali nem tinha bancos. Logo deu o horário que o guia combinou com a galera e embarcamos de novo no bus. Voltamos alguns quilômetros até a margem do lago, onde pegamos um barco. Ventava um pouco no início. Mas assim que nos afastamos umas centenas de metros da margem, o vento aumentou e esfriou muito. Era o vento que vinha gelado do glaciar. Foram uns 15 min de navegação, uma visão incrível do glaciar e dos blocos de gelo flutuando. Um cenário extremamente surreal para quem vive num país tropical.
Desembarcamos no lado esquerdo do glaciar, e fomos para o refúgio. Lá a galera deixou as mochilas, como eu estava com coisas leve resolvi levar a mochila junto. Caminhamos mais uns 10 min até onde se coloca os grampões nos pés. Já do ladinho do glaciar.
A galera foi separada em grupos de uns vinte, para facilitar a caminhada no gelo. Nosso grupo foi o primeiro a colocar os grampões e iniciar a caminhada. Até chegar ao gelo tinha uns 15 m de terreno pedregoso. Com os grampos era bastante difícil caminhar, me senti um cavalo com ferradura, até mesmo porque até o som era parecido. Os primeiros passos no gelo são inesquecíveis. O barulho que agente está costumado a ouvir nos filmes é muito mais agradável “ao vivo”. O gelo é mais duro que eu imaginava.
Caminhamos até um pequeno platô, onde recebemos instruções de como caminhar no gelo com segurança. Seguimos subindo o glaciar, passando por córregos de água de degelo, algumas fendas, também tinha uns ralos por onde a água entrava e descia até o lago. A cor do gelo também variava, às vezes muito branco e as vezes um azul incrível. Experimentei algumas vezes tirar os óculos, mas a claridade é tão grande que dói os olhos. O gelo reflete muito os raios solares.
Andamos uns quarenta minutos sobre o gelo, algumas fotos, goles de água de degelo, experimentei também mastigar um pouco de gelo haha.
E logo depois de atingirmos o ponto mais alto da caminhada sobre o glaciar, fomos até um lugar mais abrigado do vento para tomar uísque que estavam guardados em baús sobre o gelo. Algo muito especial, tomar uísque sobre um glaciar com gelo do próprio glaciar. Lembrei-me das propagandas do Chivas Regal.
Depois dos goles de uísque voltamos até o barraco para tirar os grampões, e em seguidos voltamos ao refúgio para esperar o barco para nos levar de volta ao ônibus.
Na volta do glaciar para El Calafate acabei vindo dormindo. Acordei quando paramos de novo em frente ao hotel dos ricaços. Desta vez, paramos atrás dele, numa avenida que parecia dos filmes americanos, coisarada!
Logo depois chegamos ao hostel, eu estava louco por um banho. Ao entrar no quarto vi que tinha chego mais gente. Eu tinha deixado as minhas coisas no quarto meio espalhadas, então tratei de arrumar.
Após o banho, voltei pro quarto e conheci um dos novos companheiros de quarto. Não lembro o nome dele, era sérvio. Conversando um pouco com ele, nos contou que era professor de matemática de uma escola para filhos de ministros e grandes empresários. Estava morando atualmente na Bolívia, mas já tinha trabalhado no Zimbábue e México. Até falou seu salário, cerca de USD 3.000,00.
Era um cara super gente fina, muito educado e inteligente. 
Logo depois chegou outro cara, mais velho e de voz bem forte. Era um espanhol, de Barcelona também. Em alguns minutos de conversa, tocamos no assunto Venezuela. Pronto, acabou a conversa sossegada de mochileiro. O espanhol era totalmente a favor de Hugo Chaves, e eu, Guilherme e o sérvio não. Ficamos discutindo um monte sobre ditadura, socialismo e americanos. O espanhol só dizia que as informações a qual ele tinha acesso não eram as mesmas às que nós tínhamos. Falou que só víamos noticiários de Yankees.
Ainda discutindo, chegou a vez de Cuba. O espanhol também era a favor do Fidel Castro e agora do atual líder militar Raul Castro. Ele dizia que mesmo com ditadura, Cuba era um país livre. Questionei ele como um país pode ser livre se tem duas moedas? Uma para os ricos e outra para os pobres. Ele desconversou. Disse que Cuba sofreu com o fechamento das portas do comércio exterior e por isso se encontrava naquela situação. Pra não ficar um clima ruim resolvemos encerrar o assunto.
Convidamos os dois para comer conosco. O espanhol não aceitou, o sérvio sim. Como na noite anterior, pedimos empadas.
Mulheres, empadas e próximos destinos. Estes foram os assuntos enquanto jantávamos.
Fui dormir era 00:00 hr.
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Glauco
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