Mochilão Patagônia – 11º Dia – Hiking em El Chaltén – Argentina


Já com as malas prontas, Guilherme e eu partimos próximo das 08:00 hrs para a rodoviária, que ficava à dez minutos do hostel. Enquanto estava na fila da rodoviária, esperando o ônibus que deveria partir as 08:00, lembrei que meus bastões de caminhada tinham ficado dentro do armário no hostel. Os bastões custavam cerca de ARG 150,00. Fiquei puto, pensando se iria pegar um táxi para ir rápido ao hostel e correr o risco de perder o ônibus (que também custou ARG 150,00). Resolvi correr para um taxista. Falei a ele: – Vamos, depressa! Esqueci bagagem nos hostel e tenho ônibus partindo daqui a pouco.
A taxista meteu o pé no acelerador. Chegando no hostel, a primeira coisa que o espanhol que apóia Hugo Chavez falou foi: – Seus batões estão no meu armário.
Filho da puta, ele jogou todas as coisas dele em cima dos meus bastões, e quando estava arrumando a mochila, olhei no armário pra ver se tinha algo meu, não vi os bastões.
Voltei ao táxi e retornei à rodoviária. O taxista foi muito honesto, e cobrou só ARG 25,00. E por sorte o ônibus não tinha partido.
Na fila, esperando colocar a mochila no ônibus, uma moça da empresa de ônibus disse que não tinha espaço para a minha mochila no ônibus que eu iria. Era pra mim entrar em um ônibus e minha mochila despachar em outro. Reclamei tentando achar alguma maneira de levar a minha mochila no ônibus que eu iria. Não teve jeito.
Minha mochila foi colocada num micro-ônibus e eu fui no ônibus. Imaginem a sensação de estar 2.700 km de casa, e despachar TODA sua bagagem num ônibus e você ir em outro. Muito desconfortável.
Enfim, entrei no ônibus torcendo para que quando eu chegasse em El Chaltén minha mochila viesse como quando despachei.
No assento do meu lado, sentou uma garota porteña. Ela era professora do primário, e estava viajando com amigos, uns 15!
A paisagem de El Calafate até El Chaltén é só deserto. O tempo estava fechado, as vezes chovia. Prestando atenção ao motorista, vi que o velocímetro não funcinava. Ele dirigia de chinelo. E naquelas retas inacabáveis do deserto, andava bem no meio da pista. Chegando em um cruzamento, onde sairíamos da Ruta 3 e seguiríamos por outra sentido a El Chlatén, paramos atrás de um ônibus estacionado. Tinha duas pessoas atrás desse ônibus, debaixo do capô. Pensei que o ônibus estivesse estragado. O motora do ônibus onde eu estava saiu e comprimento os dois caras com um beijo no rosto em cada um.
Até aí beleza, mas eles ficaram conversando, rindo e gesticulando. E nada de mexer no ônibus. Depois de uns dez minutos se despediram e nós continuamos a viagem.
Com uma hora e meia de viagem, no horizonte já podia enchergar o Cerro Fitz Roy, com seus imponentes 3405 m.

Quando estávamos chegando em El Chaltén, o ônibus parou no centro de informações turísticas. Lá recebemos informações dos perigos em fazer trekking naquela região, e os cuidados que devemos ter com o meio ambiente e com os animais. Achei interessante que recebemos instruções de como fugir de um PUMA! Eu não sabia que tinha puma naquela região. Até já tinham me falado uma vez antes de eu viajar, mas pesei que era brincadeira.

Na rodoviária, fiquei esperando minha mochila que deveria vir em outro ônibus. Nesse meio tempo, apareceu uma carioca, de uns 50 anos. Chata pra caralho. De repente quem veio? O tal mimado que andava mancando em El Calafate, era o filho dela. Ficaram um tempinho falando do coitado do filho dela até a hora do ônibus chegar com a minha mochila. Assim que chegou, peguei a mochila e pé na estrada. Saí caminhando “cidade à dentro” (El Chaltén é um povoado de 600 habitantes) procurando o hostel onde eu tinha feito reserva. Aproveitei o caminho pra olhar as vitrines das meia dúzias de estabelecimentos que tem por lá. Quando cheguei no hostel, nem deu tempo de respirar e veio o Guilherme dizendo: cara como você demorou!
Fiz meu cadastro no hostel, e entreguei para a Victoria, a simpática atendente do Hostel Pioneros del Valle.
Levei as coisas para o quarto e sai para almoçar, já levando mochila de ataque para fazer alguma trilha.
Fomos para um restaurante, pedimos bife de chorizo con papas fritas. Quando veio a entrada, já foi uma delícia. Pão com um molho de lentilha delicioso. Pedimos para repetir a entrada haha. Quando chegou o prato, fiquei imprecionado com a quantidade de comida. Tinha muita, muita batata frita. E o bife era maior que o tamanho do prato, não comi toda batata.
Olhando no mapa, resolvemos fazer a trilha para a Laguna Torre. No mapa indicava 3 hrs de ida (11 km). Pé na trilha.
A trilha iniciava com uma subida íngreme. Fomos caminhando de boa, a paisagem era linda, e diferente de TDP, o tempo estava com pouco sol, parcialmente nublado. O tempo daquele jeito é perfeito para caminhar. Assim que chegamos no primeiro ribeirão, enchi a hidro bag. E descobri que é muito melhor caminhar utilizando uma, ao invés de squeeze. A praticidade de tomar água sem ter que tirar a garrafinha de dentro da mochila é considerável.
Nessa trilha, fomos sempre perto de um casal de Nova Iorque. Eles andavam no mesmo ritmo que o nosso.
Nessa trilha vi vários vales, um cânion de uns 100 m de profundidade onde lá embaixo passavem um rio de águas revoltas. De plano de fundo, as montanhas cobertas de neve. A caminhada era suave, somente em alguns trechos eram íngrimes. Um ponto negativo são as moscas, gigantes, que mordem. Elas se enfiam no cabelo e incomodam um bucado. Detalhe que essa mesma espécie de mosca tem em Torres del Paine.
Já na metade do trekking, o rio segue próximo à trilha, com uma corredeira que não se vê o começo nem o fim. É um rio classe II (nesse trecho pelo menos), com pequenos  refluxos, e ondas. A vontade era de ter um caiaque ali comigo naquela hora.
Nessa parte já dava pra ver as pedras que seguravam a água da Laguna Torre. E não demorou muito para chegarmos ao final da trilha. A laguna era linda, ao fundo as montanhas, entre elas a Cerro Torre e o Glaciar. Ventava muito, e fazia frio também. Ficamos sentados assim como outras pessoas que já estavam lá quando chegamos. Fotos, vídeos e tudo mais. Resolvemos caminhar pela margem da laguna por uns 200 m, a uns 30 m verticais da água. Um sensação incrível, atrás de nós os vários vales, rio com corredeira, nos lados montanhas lindas, e à nossa frente a laguna e o glaciar. Junto com o casal novaiorquino, ficamos um tempo sentados em silêncio só admirando.
Após sassiar a vontade de conhecer o local, resolvemos voltar. Sabíamos que teríamos mais 11 km de caminhada até chegar em El Chaltén.
Não sei que horas era, mas enquanto caminhávamos pelos vales fazia calor. Somente quando atravessamos a última cadeia de montanhas é que ficou fresco.
Quando estávamos parados descansando, chegou um grupo de trekkers guiado, vinham do glaciar. Entre eles tinham três brasileiros, dois austríacos e uma espanhola. Seguimos caminhando com eles. Os brasileiros eram do Paraná, tinham feito toda a viagem de ônibus.
Ao chegar em Chaltén, resolvemos tomar um chopp, num barzinho que servia chopp artesanal. Papo vai, papo vem, resolvemos ir procurar um lugar para jantar. O lugar escolhido foi uma “panaderia” pequena. Na padaria uma linda moça nos atendeu, se chamava Maria Laura. Logo de início rolou uns chavecos pra cima da garota. Ela, muito sorridente não se constrangia. Pedimos pizzas e empanadas e claro, cerveja! A espanhola era muito engraçada, cada vez que a garçonete vinha trazer mais alguma coisa pra mesa, a espanhola falava que eu tinha uma pergunta pra fazer à ela. Eu queria saber se ela tinha namorado, mas claro que não queria perguntar na frente de todos. Já meio bêbados, resolvemos passar os e-mail. Peguei os papéizinhos e guardei, e deixei um do lado do meu prato escrito meu nome e e-mail. Pagamos a conta e cada um foi pro seu hostel tropeçando.
Cheguei no hostel com muita vontade de ir no banheiro, imagina, chopp e cerveja…

Peguei o cartão que abria a porta do quarto e fui correndo pro quarto. Pra variar, meu cartão não estava abrindo a porta. De repente alguém abriu a porta, era um rapaz loiro. Sem conseguir pensar, só disse (em espanhol): – Olá, tenho que ir no banheiro! Tomei muitas cervejas!
O cara caiu na gargalhada e deixou eu passar. Depois de diminuir a quantidade de líquido em meu organismo, fui comprimentá-lo. Ele falou que eu falava bem em espanhol. Deveria ser efeito das cervas haha. Ele era de Buenos Aires, estudante do último ano de medicina. 
Peguei minhas coisas e fui tomar banho (o chuveiro era no quarto nesse hostel). Ao sair do banho já tinha chego o Guilherme e uma garota. Então me apresentei e ficamos batendo papo. O nome do rapaz era Santiago e o da garota era Gabriella. Eram noivos. Tinha também no quarto uma outra mulher, mais de idade. Era francesa, seu nome não recordo. Essa francesa dormiu só de calcinha, com a maior naturalidade.

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Glauco
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El Chaltén, Santa Cruz Province, Argentina
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