Mochilão Patagônia – 13º Dia – Trekking Laguna de Los Tres, El Chaltén – Argentina


A noite foi de muito frio, mesmo usando roupas por camadas (segunda pele, fleece e parka) e um saco de dormir para temperatura extrema de -10ºC. Ventos fortes fizeram também a barraca ficar cheia de poeira dentro. Acordei diversas vezes desejando que amanhecesse logo. Assim que percebi que já não era mais escuro, levantei. Fui direto ao ribeirão para pegar água, arrumar o cabelo e lavar a cara. Assim que sai da área do acampamento, e vi o Fitz Roy, fiquei incrédulo. O céu estava sem nenhuma nuvem, e o sol iluminava o grande maciço de granito. Aproveitei para tirar umas fotos, as últimas com aquela visão privilegiada da montanha. 
Como eu sabia que tinha dormido mal, resolvi bater uma foto minha para ver se eu estava com o rosto inchado. Simplesmente não me reconheci. Estava praticamente deformado. Foi a pior foto de toda a viagem! (risos). Voltei ao acampamento, tomei 1 L de suco, comi umas barras de cereais e bolacha. Comecei a levantar acampamento, ou seja, desmontar barraca e guardar todos os equipamentos na mochila. Essa tarefa, que considero a mais chata de todo acampamento, me custou meia hora. Percebi que enquanto organizava minhas coisas, um cara que também desmontava duas barracas, ficava me olhando. Bom, eu sabia que estava com o cabelo duro de pó, fedendo e com roupas sujas, mas isso não era motivo para tantos olhares.
Quando regulava as alças da mochila, ele então resolveu se pronunciar. Pediu em espanhol se eu era brasileiro. Disse que sim e perguntei porque. Ele então disse que também era brazuca, e que por minha barraca ser da Trilhas & Rumos desconfiou que eu fosse brasileiro. Seu nome era João Prado, era de São Paulo. Ele tinha vindo com a família, porém todos já tinham voltado cedo para El Chaltén e ele iria levar todo o equipo sozinho, barracas, isolantes… tudo! Contou também que deu um mergulho na Laguna de Los Tres! A temperatura nessa água deve ser de 3º C. Esse era fera!
Comecei a caminhada de retorno à El Chaltén lá pelas 08:00 hrs.
O sol estava fraco, sem vento, céu limpo. Dia perfeito! Caminhava devagar, tirando mais fotos que no dia anterior, curtindo sozinho aquela imensidão de belas paisagens. Demorei a começar encontrar outros trekkers vindo no sentido contrário. Todos me cumprimentavam alegres, creio porque estava caminhando sozinho com a baita mochila nas costas.
Percebi que acabei pegando um trajeto diferente da ida. Acabei não passando pela Laguna Capri, acho que se eu tivesse passado por ela, teria ficado um dia acampado lá.
No caminho muitos perguntavam se faltava muito para chegar, se realmente valia a pena. Uma senhora, ainda no início da trilha (após uma hora de caminhada – sentido Chaltén > Poincenot) me parou e pediu se faltava muito. Ela caminhava sozinha e estava muito ofegante. Disse que sim, faltava bastante, porém disse que de onde ela estava em diante seria bem mais fácil a caminhada. Ela sorriu, agradeceu e continuou.
Uns 20 min antes de acabar a trilha, segui para um elevado rochoso para ter uma vista de El Chaltén. Fiquei sentado numa pedra sentado comemorando a vida, sorrindo olhando aquela natureza tão bela e encantadora que me cercava. Ao chegar no final da trilha e passar por um portal, ergui os braços e comemorei. Estava feliz por ter feito um das caminhadas mais lindas da minha vida. Nesse momento apareceu a japa e seu namorado, aqueles novaiorquinos que conheci na minha primeira trilha em Chaltén. Me deram um bom dia sorrindo e eu desejei à eles uma boa caminhada.
Andei 100 m e encontrei uma garota de cabelo comprido e escuro, usando uma calça soroel rocha, com duas crianças ao lado. Estava num campo de margaridas. Uma cena fantástica.
Dei oi para a garota, e pedi se poderia tirar uma foto dela com as crianças. Ela disse que sim, um pouco envergonhada. Embora o vento fez seu cabelo esconder o rosto na foto, e eu não querer incomodá-la para pedir outra foto, foi uma das melhores que registrei. Ao menos uma das que mais gostei.
Como eu já estava na frente da loja onde aluguei os equipos, me despedi da chica e fui devolver. Na loja tabém comprei uns artesanatos, como lembranças de El Chaltén.
Ao sair da loja, vi a garota caminhando pela rua já distante. E percebi que ela entrou numa casa atrás do hostel onde eu estava hospedado. Fui para o hostel pensando, ainda vou revê-la. No albergue tomei banho, guardei minhas coisas e sai para almoçar.
Decidi tirar o restante do dia para descansar. Já era passado do meio dia. Após comer num restaurante, fui caminhar pela cidade, comprar o ticket de ônibus de El Chaltén para El Calafate, e pegar um novo mapa de Chaltén, porque tinha perdido o meu. Na volta, adivinha quem encontrei? A chica da calça saroel. Ela estava na praça, no parquinho brincando com as crianças. Cheguei mais uma vez nela haha.
Ela era estudante de pedagogia, morava perto de Buenos Aires, mas seus pais eram de El Chaltén. Aproveitando a oportunidade fiz várias perguntas à ela sobre a cidade. Umas das coisas interessantes que me contou foi que El Chaltén foi construída inicialmente pelo governo argentino, e depois de dois anos é que foi popularizada. O objetivo não foi o turismo, e sim a demarcação de território. Para não perder essa região para o Chile, criaram a cidade.
Depois de um tempo com ela voltei ao albergue. No albergue tomei umas cervejas, conversei com Victoria que eu pretendia subir o Loma del Pliegue Tumbado. Ela disse que a paisagem era fantástica, e recomendava.
Depois disso encontrei o Gabi e o Santi, me avisaram que tinham trocado de quarto. Não questionei o motivo, eles tinham direito. Mas também me convidaram a mudar-se para o quarto deles.
Ao voltar para meu quarto encontrei mais duas pessoas. Novos companheiros de quarto. Dois brazucas! Ele (Davi De Bem Minatto) é de Floripa, e ela (Camille Aguiar) de São Paulo. Conversei muito com ela, disse que fazia um trabalho nas favelas de São Paulo, e amava o que fazia. Fui dormir cedo para no dia seguinte acordar cedo para subir o Loma del Pliegue Tumbado.
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Glauco
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