Mochilão Patagônia – 14º Dia – Hiking Loma del Pliegue Tumbado – Argentina

Como roubaram meu adaptador de tomada, eu fiquei sem ter como recarregar o celular. Já que eu usava o celular somente como mp3 player e relógio, nem me importei. Com meu relógio biológico sempre muito eficaz, acordei cedo. Preparei minha mochila de ataque, tomei um bom café da manhã com Sucrilhos Kellogs e 1L de leite.
Não entendi muito bem no mapa o caminho para seguir para a montanha. Vi que o início da trilha deveria ficar próximo ao centro de informções turísticas. Então dei uma passada lá para ter certeza.
Atendido inicialmente por alguns jovens que pareciam ser estagiários. Pedi a eles onde era o início da trilha que dava acesso a montanha chamada Loma del Pliegue Tumbado. Eles olharam um para o outro e pediram  para eu repetir o nome. Falei novamente o nome e eles me deceram que não sabiam onde era. Resolvi então pedir para uma mulher que estava dando uma pequena palestra à turistas. Ela disse que a trilha iniciava atrás do centro de informações.
Os possíveis estagiários ficaram boqueabertos quando me viram seguir sozinho para a trilha.
Era cedo, em torno de 08:30 da manhã, vi umas pessoas já fazendo a trilha mais à frente. Como estava acostumado a caminhar com a mochila cargueira, nem sentia a pequena mochila de ataque de somente 25 L. Caminhando em um bom ritmo, fui ultrapassando todos que encontrei pelo caminho. A maioria casais.
Essa trilha mantinha uma boa inclinação para caminhar, e logo foi possível ver do alto a pequena El Chaltén. Concentrado e ancioso para ver a montanha, caminhava escutando somente a minha respiração, quando escutei um “Hola!”. Caraca! Dei um baita pulo! Era um senhor que estava deitado na sombra de uma árvore fora da trilha. Puta que pariu, pensei!
Eu nunca esperava encontrar alguém fora da trilha por aquelas bandas. Pedi a ele se estava tudo bem. Ele disse que sim, estava vindo da Laguna Toro.
Continuei a caminhada. Num grande bosque encontrei uma família bem estranha, não sei que lingua falavam, era estranha. Durante todo o percurso por entre o bosque segui caminhando atrás deles, porque assim eu tinha alguém com quem compartilhar as malditas moscas da Patagônia. O bosque acabou quando chegamos num lindo campo de flores. Parecia um quintal a 10 km de qualquer casa. Uma plaquinha dizia: Não caminhar pelo campo, preserve as flores e a vegetação. 
Logo após esse campo de flores, acabou a vegetação e restou as montanhas de pedras. Finalmente então consegui ver o Loma del Pliegue Tumbado. Não parecia tão distante (ilusões da grandiosidade da patagônia), mas estava longe pra caramba ainda.
Nesse trecho de caminhada sobre as rochas senti bastante calor, e as moscas pareciam ainda mais chatas. Não via ninguém subindo a montanha à minha frente, somente pessoas atrás.
Incrivelmente o cume começou a ficar empinado, e o uso dos bastões mais necessários. Ao olhar para trás vi somente pontinhos subindo a montanha, eram o pessoal que eu tina ultrapassado. Nessa parte mais inclinada levei uns 25 minutos para subir, e quando cheguei ao cume, a recompensa foi indescritível.
Não haviam nuvens bloqueando a visão, céu limpo, sem vento num dia ensolarado. Consegui ver nitidamente o Fitz Roy com seus imponentes 3.405 m  e o incrível e ponteagudo Cerro Torre com seus 3.102 m. No lado oposto conseguia ver o azul turqueza surreal do LagoViedma. Aproveitei o momento no cume para comer umas guloseimas, beber suco e passar protetor solar. Eu estava sozinho no cume, e resolvi esperar chegar mais gente pra alguém tirar uma foto minha ali.
Depois de ter feito fotos, vídeos e desenhado a bandeira do Brasil no chão (já que eu não levei uma), resolvi iniciar  retorno.
Morro abaixo sabe como é, né? Todo santo ajuda. Resolvi fazer um trecho da trilha diferente do indicado. E acabei encontrando numas pedras um casalzinho de grilos “se amando”.
O calor e a falta de vento já estava insuportável, e acabei encontrando muitas pessoas subindo a trilha. Pensei comigo: Coitados, quando chegarem no trecho sem vegetação vão morrer tostados.
A volta foi muito mais tranquila, apesar de estar cansado mantive um bom ritmo, e cheguei a El Chaltén logo depois do almoço.
Mais tarde, encontrei a Clarissa Fonseca na área comum do hostel. Bati um papo com ela e resolvemos sair para comer. Fomos ao restaurante que eu mais gostei em Chaltén, o Anohiken. Nem me lembro o que comemos, sei que bebemos Quilmes! Conversei bastante com a Clarissa. Desde o planejamento da viagem através do mochileiros.com já planejávamos nos encontrar em algum lugar, assim como aconteceu com outras pessoas. Porém não sabíamos em que cidade seria. Nesse jantar nas trocas de informações acabei percebendo que a Clarissa teve mais sorte que eu em relação à tudo. Preços das passagens de avião, albergues melhores e até clima melhor nos lugares onde esteve.
Ao voltar para o hostel pegamos um vento frio danado.
Fui dormir perto da meia noite.
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Glauco
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El Chaltén, Santa Cruz Province, Argentina
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