Mochilão Patagônia -15º Dia – Laguna Huemul e Lago Del Desierto – Argentina


Acordei mais ou menos as 07:00 hrs. Conforme tinha conversado com a Victoria no dia anterior, resolvi fazer um passeio mais no estilo “turistão”. Contratei um serviço de van, que me levaria até o camping Lago Del Desierto (ao lado do lago, de mesmo do camping), onde inicia uma pequena trilha até a Laguna Huemul.
Após o café da manhã, fiquei esperando na recepção a van chegar. O tempo estava fechado, e a previsão era de chuva. Nesse meio tempo aproveitei para bater um papo com a Gaby Méndez, que estava cuidando da recepção. Ela estudou Turismo e Hotelaria, e falou que é natural da província de Missiones, no norte da Argentina. Comentei com ela que achei muito comum as pessoas na Argentina mudarem de cidades em épocas do ano para trabalharem com turismo. Então ela explicou que na Argentina é possível trabalhar o ano todo com turismo, o país em todas as regiões tem opção para turismo. Seja turismo religioso ao norte ou de aventura ao sul.
Fui o único do hostel a fazer o passeio, quando peguei a van, já estava quase lotada. Para chegar até o lago, viajamos mais ou menos uma hora margeando o rio. Estrada bastante sinuosa, mas sem serra. Nesse percurso passamos por diversos rios caudalosos, até um carro com um kayak creek no rack eu vi. É impressionante ver cachoeiras com águas transparentes que caem em poços de azul claro. Nesse caminho paramos também em um memorial em nome dos homens que perderan a vida durante a guerra que manteve El Chaltén como sendo território argentino. Nesse memorial está também uma placa registrando o acordo entre o Chile e a Argentina em relação às divisões territoriais.
Ao chegar no camping, que está localizado no início da trilha, pagamos uma taxa de ARG $18,00 para poder fazer a trilha. Este valor não estava incluso no pacote, e também não falaram nada que eu teria que pagar para fazer a trilha. Sorte que eu tinha levado dinheiro. Esse valor é cobrado por se tratar de uma área privada.
Durante a trilha conheci um argentino, o Sebastian Soler, que estava a passeio pela Patagônia com sua esposa e sogra, ambas brasileiras. O Seba é um cara gente fina. Curte aventuras e história. Porém estava meio de saco cheio de viajar com a sogra e a esposa. Por que as duas só queriam fazer trilhas de turista, ou seja, fáceis e sem graça. Até brinquei com ele dizendo que a Patagônia era um ótimo lugar para abandonar a sogra (rs).
A trilha que dá acesso à Laguna Huemul é bastante íngreme. Porém não é longa. Foi engraçado estar no meio de turistas. Todos da van que estavam fazendo a trilha ficaram extremamente cansados, sem fôlego. E eu estava me sentindo ótimo. Óbvio, depois de tantos dias de hiking pelas montanhas tinha adquirido uma ótima resistência física.
O tempo permanecia fechado, ameaçando chover. Na Laguna Huemul, o que gostei mais foi as cores do gelo do glaciar. Que mesclava branco, azul, preto e cinza. Na base do glaciar a enorme Laguna Huemul. Todos ficaram na beirada do lago batendo fotos e curtindo o visual. Eu resolvi subir pela borda para chegar mais próximo do glaciar. Creio ter subido uns 70 m verticais quando começou a chover. Ainda assim fiquei um tempo contemplando o lugar, batendo umas fotos, e pensando que ali era o último glaciar que eu estaria tão perto, antes de voltar ao Brasil. De onde eu estava mal podia enxergar as pessoas na borda do lago.
Como a chuva aumentou e a temperatura abaixou, resolvi descer.
De volta a trilha, em meio a floresta, reencontrei a galera. Junto com o pessoal da van tinham mais pessoas, duas garotas estava sofrendo demais para descer a trilha. Usavam calçados que não aderiam ao solo, e por isso tinha dificuldade nos locais mais íngremes. Ajudei elas a descerem sem levar tombos. Conheci também nessa trilha um casal porteño também muito gente fina. E junto com o Seba, conversamos muito sobre a situação política na América Latina. Principalmente os problemas na Argentina. De volta ao camping, caminhamos em direção ao Lago Del Desierto. Um gigantesco lago que lembrava mais uma baía do atlântico do que um lago no meio da Patagônia. A água era muito transparente, a vegetação ao redor com um verde escuro. O trapiche me fez recordar das praias de Santa Catarina. Se não fosse o frio, eu com certza teria dado uns mergulhos lá.
Na volta para El Chaltén, passeio meu e-mail para o Seba, para mantermos contato.
Já na cidade, tratei de comprar comida e cerveja. Era meu último dia em El Chaltén, e queria comemorar.
No hostel fiquei na cozinha bebendo e escrevendo no diário, e nesse tempo apareceu a Gabí e o Santi. Já que eu estava bebendo mesmo, fui até o freezer e peguei a cerveja que tinha deixado lá para gelar. Os dois então compraran um pacote de batatas fritas como aperitivo.
Quando a cerveja acabou me convidaram para jantar fora. Gostei da idéia e então partimos à procura de um lugar legal para comer. 
Encontramos uma pizzaria que me parecia legal. Oferecia cervejas típicas e convencionais. Assim que sentamos, vi o Marcelo e o Rafael, os cariocas que tinha conhecido lá no albergue de Ushuaia (1200 km ao sul de Chaltén ). Estavam mesmo partindo quando os cumprimentei. Os convidei para tomar-mos uma cerveja. Então eles se despediram do pessoal que estavam com eles e aceitaram o convite para a cerveja. Foi muito legal esse jantar, bebemos muitas Quilmes. Marcelo e o Rafael foram embora mais cedo, porque no dia seguinte também iriam embora de El Chaltén, mas de carro alugado. Se eu tivesse encontrado eles antes poderia ter rachado a gasosa. Mas eu infelizmente já tinha comprado as passagens para El Calafate.
Depois deles terem ido embora fiquei com o Santi e a Gabi ainda comendo e bebendo. Foi muito divertido, dois grandes amigos que fiz nessa viagem. Depois de já estar um pouco tonto, resolvemos pedir a conta. Lembro que eu não estava conseguindo dividir direito a conta e então resolvi pagar sozinho. Santi e Gabi não queriam aceitar mais eu insisti. Afinal, minha viagem estava chegando ao fim e eles ainda teriam vários dias por ali. Assim, aceitaram que eu pagasse e falaram que no dia seguinte brindariam um vinho à mim.
Muitas risadas e tropeços da pizzaria até o hostel. No hostel me despedi deles, com um grande pesar. Foram umas das pessoas mais marcantes de toda a viagem. E com um abraço em cada um disse que esperava profundamente reencontrá-los um dia. 
Enfim, fui dormir meio bêbado as 00:30 hrs, sendo que teria que acordar 07:00 hrs para pegar o ônibus as 08:00 hrs.
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Glauco
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