Mochilão Patagônia – 16º Dia – De El Chaltén à Buenos Aires – Argentina


Meu celular despertou, era em torno das 06:30 hrs. Já tinha arrumado a mochila na tarde do dia anterior, deixando somente comida, roupa de viagem e escova de dente fora dela. Peguei tudo, dei mais uma conferida no meu armário e na cama, e desci para a cozinha. No café da manhã eu comi: sucrilhos, frutas, bolachas e suco natural e chocolate. Estava sozinho à espera do horário para pegar o ônibus. Quando deu 07:00 hrs, paguei minha estadia no hostel, e parti rumo ao hostel Rancho Grande. Fazia muito frio nesse dia, mais do que todos os outros em que estive por lá. Ainda não havia ninguém na frente do Rancho Grande, que era de onde o ônibus partiria. Esperei naquele frio danado até as 07:30 hrs. Do meu lado, no assento do ônibus, sentou-se uma alemã muito agitada. Ela disse que a avisaram que o ônibus só sairia as 08:30 hrs, e que derrepente alguém a acordou falando que o ônibus partiria em 15 minutos. Revoltada, disse que arrumou sua mochila em 15 minutos!

Ao sair de El Chaltén senti uma tristeza. Foi umas das cidades mais lindas, honestas e onde conheci algumas das pessoas mais legais de toda a viagem. Sem contar que por ser uma cidadezinha de 500 habitantes eu gostei ainda mais.
De El Chaltén para El Calafate fiquei pouco tempo acordado. Como pedi para o motorista não ir direto pra El Calafate, para parar primeiro no aeroporto, acordei somente quando paramos. A alemã desistiu de ir pra El Calafate e resolveu descer comigo. O aeroporto estava lotado, e era somente umas 09:30 hrs. Como meu vôo era só as 15:00 hrs, fui ao balcão de check-in pedir para me colocarem num vôo que partisse mais cedo para Buenos Aires. A atendente, não muito simpática, disse que iria me colocar em uma fila de espera. Enquanto isso, teria que ficar esperando sentado no chão! Porque não haviam cadeiras suficientes para todo mundo, e havia vôos atrasados da Aerolineas. As horas foram passando, aquela movimentação de brasileiros chatos estava me perturbando já. A maioria idiotas que compraram pacotes CVC provavelmente em 12 vezes, e estavam se achando os poderosos na Argentina. Faziam questão de mostrar que eram estrangeiros, seja falando alto, se vestindo totalmente estranho, discutindo com seus familiares e até dando chilique por sei lá o que.
Resolvi voltar ao balcão para pedir se ainda não tinha aparecido nenhuma vaga, a mulher já mais brava ainda disse que se não me chamaram é porque não havia. Detalhe, cada vez que eu ficava na fila para chegar no balcão, era uns 25 minutos em pé.
Resolvi não ficar mais sentado no chão, resolvi deitar!
Quando finalmente apareceu meu vôo na tela, dizia que iria atrasar. Eu estava sem paciência, com fome e dolorido de sentar no chão. Só liberaram para fazer o chek-in as 14:30 hrs.
Fui para a fila de novo, e quando cheguei no balcão para despachar minha mochila, soou um alarme. A tal moça que já me conhecia, pediu se eu estava levando madeira na mochila. Eu disse que não. Então ela pediu se eu estava levando pedras. Eu disse que não, mas na verdade estava. Pedrinhas do fim do mundo! Hehehe.
Então ela me devolveu a mochila e chamou um policial. Cara, eu gelei! Ele me levou para uma salinha e pediu para que eu retirasse tudo de dentro da mochila. Detalhe, ele pediu tão rápido que nem entendi direito, somente por ter apontado e gesticulado eu entendi o que era pra fazer.
Comecei a tirar minhas tralhas do mochilão. Quando peguei o cartucho de gás, ele disse: Me dê!. Mas disse rápido de novo. Pedi se não podia despachar, ele disse que não. Daí perguntei se perderia o cartucho e ele disse que seria confiscado.
Foi tenso, o cara foi estúpido. Mas me livrei sem problemas. Despachei a mochila fui pagar a taxa de embarque, que não sei porque não estava inclusa no valor da minha passagem. Custou ARG$ 38,00. Depois de pagar me encaminhei pra sala de embarque.
Na sala de embarque fiquei esperando num calor infernal até as 16:30 hrs. Já no avião, do meu lado sentou-se uma menininha italiana de uns 7 anos com sua mãe. Ela arrebentou e rabiscou as revistas de toda aquela fileira de assentos. Muito engraçado ouvir uma menininha falar italiano. O restante da família estava em uma fileira de assentos mais atrás de nós. A garotinha ainda tinha uma linda irmã adolecente, que de vez em quando vinha brincar com ela.
Peguei no sono na viagem, acordei com as aeromoças entregando os lanches. Depois de comer, voltei a dormir. Acordei então quando estávamos se preparando para aterrisar em San Carlos de Bariloche. Do alto eu podia ver perfeitamente o lago Nahue Huapi. A escala em Bariloche foi rapidinha, e me esforcei para não dormir, para poder ver os lagos de cima.
É incrível a quantidade de lagos nas proximidades de Bariloche, principalmente porque a cidade fica cercada por deserto. As estradas que circundam os lagos são um convite para os que gostam de passeios de bicicleta. Fiquei pensando que se eu tivesse mais tempo para viajar, poderia ter feito uma parada de uns 3 dias na cidade e revisto a May. Que conheci em 2009 no Mato Grosso do Sul.
Quando os lagos sumiram de vista, vi no horizonte muitas nuvens. E previ chuva pelo caminho. Acabei dormindo de novo, e acordei quando estávamos passando por uma trovoada. Incrível esse momento, ora raios pertinho da janela, ora blocos de nuvens piscando a algumas centenas de metros do avião. Ao se aproximar de Buenos Aires, o tempo foi melhorando, e pude ter a felicidade de ver a capital Argentina lá do alto a noite. Linda, gigante e plana. Já era tarde da noite, não lembro se 09:30 ou 10:30. Após desembarcar, de novo a minha mochila foi uma das últimas a aparecer na esteira. Morrendo de cansaço e fome, fui procurar um remis. Contratei remis de uma cabine do aeroporto mesmo (Remises Universo), e paguei ARG $55,00. A vantagem do aeroporto Jorge Newbery é que é mais barato que o Ezeiza os remises, por ser mais perto do centro.
Fazia um calor infernal em Buenos Aires, chegando no cruzamento da avenida Corrientes com a calle Florida, desembarquei. Fiquei com um pouco de medo de andar pela Florida a noite, mas foi sussegado. No Hostel Suites Florida, fiz o check-in e me mandei pro quarto. Quando cheguei no quarto, tinham dois caras, e na hora percebi que eram gays. Dei boa noite, e me apresentei. Só depois de ouvir eles falarem é que percebi que eram brasileiros.

Coloquei minha mochila no armário e fui pra rua acha um lugar para comer.

A Av. Corrientes estava bastante movimentada, resolvi parar numa pizzaria, a Las Cuartetas, e resolvi comer um Kalzoni para duas pessoas. Peguei também duas garrafas de 600 ml de Gasosa de Néctar. Esse jantar custou ARG$ 72,00. Mas fiquei bastante satisfeito. Depois fui caminhando até o Obelisco, famoso monumento localizado bem no centro de Buenos Aires. A praça onde ele está localizado estava lotada de pessoas. Tinha gente de todas as idades e nacionalidades ali. Fiquei sentado curtindo os momentos finais da viagem. Escutando também a música tocada por uns hippies, mirando las guapas chicas argentinas e tomando uma cerveja.
Sem perceber, o tempo passou, e quando olhei o relógio, eram 02:00 hrs da manhã. Voltei até o hostel, os gays que estava se arrumando para irem a uma balada, ainda não tinham chego. Tomei um banho, arrumei minhas coisas, tranquei a porta e fui dormir.
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Glauco
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