Mochilão América do Sul – 20º Dia – De Oruro à Uyuni

Rodovia no meio do deserto

Acordei por volta das 07:00 hs e segui para a rodoviária. Vi que teria trem para Uyuni somente a noite. Fiz as contas e conclui que valeria a pena ir até Potosí, e de lá seguir para Uyuni, soube que nesse trajeto eu não pegaria estrada sem pavimentação. Muitos mochileiros que conheci me informaram que o pior trajeto que fizeram foi de Oruro a Uyuni, dizem que o ônibus encalha, quebra muito, e um desses mochileiros esteve num ônibus que até tombou nesse trecho. Traumatizado com o perrengue do dia anterior, resolvi que não queria correr risco.
Troquei uns dólares ali menos na rodoviária e comprei a passagem por $30,00 bolivianos. De café da manha comprei um pacote de bolachas e uma garrafinha de suco de laranja. As 08:30 hs o ônibus partiu.
Paisagem bastante desértica nessa viagem. E no meio do nada fomos parados por uma grande barreira do exército boliviano. Os militares entraram no ônibus solicitando documentos e vistoriando todas as mochilas e sacolas. Mesmo dos cidadãos bolivianos. Tudo que estava no bagageiro do ônibus também foi revisado. Dentro do ônibus foram de um em um verificando documentos.

Chegando a Potosí

Quando chegou a minha vez, mostrei minha pochete que uso para levar a câmera, documentos e dinheiro. Mostrei meu também documento de entrada na Bolívia. Até aí tudo bem. Então a militar começa a fuçar todos os bolsos da pochete e encontra o documento de minha saída do Paraguai. Imediatamente ela pediu para ir para o corredor e chamou um militar para me revistar. Pensei, fudeu!
Levei aquela revista que vocês já podem imaginar e então começou um interrogatório. De onde eu vinha, para onde eu ia, porque estava viajando, com quem estava viajando…
Então comecei a relatar cidade por cidade por onde estive. Felizmente baixaram guarda e me liberaram.
Quatro horas depois cheguei a Potosí. Descobri então que para seguir à Uyuni deveria pegar o ônibus em outra rodoviária da cidade, a antiga. Dividi o táxi com duas brasileiras antipáticas, custou $4,00 bol. pra cada um.
Na rodoviária antiga comprei passagem para Uyuni, por $30,00 bol. também. Como o ônibus sairia somente as 18:00 hs, fui caminhar pela cidade para comer algo. A cidade de Potosí é a cidade mais alta do mundo, está pouco acima dos 4000 m. Qualquer ladeira já te deixa sem fôlego.
Encontrei o mercado municipal, bem típico. Higiene não era importante para os vendedores, assim como também pra mim já não estava mais sendo. O organismo acaba criando imunidade em relação a toda imundice. Consegui por $10,00 bol. um prato feito com bife, macarrão e batatas fritas. Almocei junto com uns mochileiros da Argentina. É incrível a facilidade que tenho em fazer amizade com argentinos, creio que a acentuação de meu espanhol é mais argentino e isso facilita.
Ficaram impressionados com a distância que eu já tinha viajado e principalmente por seguir sozinho. Comentei que tenho sorte de sempre conhecer boas pessoas e ter feitos grandes amigos. Almoçamos tranquilamente conversando sobre destinos de viagens e algumas informações que pedi a respeito do norte argentino.

Eu e o José
ele já meio embriagado

Voltei para a rodoviária e conheci três chilenos. Os três eram engraçados, estavam contando o dinheiro que tinham e como fariam para viajar. Tinham passagem comprada de retorno saindo de Arica, extremo norte do Chile, e estavam preocupados se teriam dinheiro para chegar lá. 
Eu disse poderia ajudar eles com os valores que eu sabia. Então calculamos tudo, valor de bus, comida, hostel e passeios. Chegaram a conclusão que teriam dinheiro somente para chegar lá, sem gastar nada com passeios! Tentaram adiantar a data do vôo para ter uma folga no orçamento, mas não conseguiram. Esses chilenos seguiriam para Uyuni no mesmo ônibus que eu.

Eu e o Antonio

A viagem para Uyuni levou também quatro horas, portanto chegamos lá as 22:00 hs. Não tínhamos reserva de hostel, e conversando com o pessoal da “rodoviária” de Uyuni, conseguimos um quarto de um hostel com quatro camas, pelo custo de $30,00 bol. por pessoa. Os chilenos, José Miguel, Antonio e Jose Joaquim compram antes ainda de ir para o quarto o passeio do Salar de Uyuni para o dia seguinte. Eu decidi que pesquisaria os preços no dia seguinte, porque até onde eu tinha escutado, o valor estava bem fora daquilo que eu tinha pesquisado.
No quarto do albergue, comemos bolachas e coisas do tipo como jantar. Os chilenos tinham uma garrafa na mochila de cerveja, a bebemos mesmo estando na temperatura ambiente. Depois, eles resolveram beber vinho quente. Eu não aceitei porque odeio vinho. Ficaram bem loucos com a bebida. Conversamos e damos muitas risadas até muito tarde.

Gastos do dia:

Ônibus de Oruro para Potosí: $30,00 bolivianos
Bolachas e suco de laranja: $10,00 bolivianos
Ônibus de Potosí para Uyuni: $30,00 bolivianos
Hostel em Potosí: $30,00 bolivianos
Táxi da nova para a velha rodoviária: $4,00 bolivianos

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Glauco
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2 Comments

  1. Anonymous Reply

    Oi Glauco,

    Muito legal seu realato, continue com as postagens!
    Quero ver o final desa viagem.

    Abraço.

    Marcelo – Blumenau

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