Mochilão Monte Roraima – 2º Dia de Trekking – Venezuela

Acampamento Tek pela manhã

Acordei mais cedo que os demais companheiros de trekking. Isso porque eu tinha que desmontar minha barraca. No caso deles, era só jogar as coisas pessoais na mochila. Achei estranho que senti que a noite foi meio “fresquinha”, e eu estava acampado somente a 1200 m. As 07:00 hs foi servido nosso desayuno, não lembro e nem anotei o que era. Mochilas arrumadas era hora de voltar à trilha. Diferente dos trekkers do grupo, fui por outro caminho que havia analisado no dia anterior, e atravessei o rio sem ter de tirar as botas e passar pela água gelada. Simplesmente fui saltando pelas pedras. Esse dia prometia um ganho de 900 m de altitude. Logo após o rio Tek subimos um morrinho, passando por uma igreja de pedra muito antiga. Nesse dia eu e Ralf fomos caminhando juntos. No rio Kukenán eu também segui por outro caminho, diferente dos demais. Este possui mais água, e é preciso arregaçar a calça e tirar as botas. Minha preocupação era de escorregar e molhar a mochila. Felizmente atravessei o rio numa boa.

Ralf seguindo na minha frente
Do outro lado do rio esperei o restante do grupo, como eu não tinha autorização para seguir caminhando, esperei todos chegarem. Uns 20 minutos depois, o guia-auxiliar Yirso, me autorizou a seguir caminhando na frente. A essa altura, o sol estava forte, e não demorou a começar a molhar a blusa de suor. Eu e Ralf conseguimos manter um ritmo de caminhada, as vezes um mais rápido que o outro, mas pequenas paradas para respirar eram o suficiente para voltarmos a caminhar juntos. Percebi que em aclives eu andava bem melhor que ele. Já nas partes planas eu ficava para trás. Num local onde encontramos vários trekkers parados, comendo e bebendo, resolvemos parar também. A essa altura o sol estava realmente torrando nossas cabeças. Deitei-me numa pedra que tinha alguns ramos fazendo sombra. Ali fiquei bebendo e comendo barras de cereais. Aos poucos alguns do grupo foram chegando. Descansados, eu e Ralf pedimos ao guia se podíamos continuar a caminhada. Falaram que deveríamos esperar. Então ficamos comendo frutas e bebendo iogurte com a galera. Percebendo que estávamos bem fisicamente, de modo que nem a mochila das costas tínhamos tirado, os guias nos deixaram seguir a trilha. Liberando totalmente a caminhada até o acampamento base.
Yirso ajudando uma trekker
a atravessar o rio
A partir desse local, que é chamado acampamento militar, a trilha fica mais complicada. Primeiro porque é formada por pedras soltas, em sua grande maioria. Segundo, porque fica bem mais íngreme. Sem muito conversar, eu e Ralf seguimos pela trilha. Às vezes a Laureana nos alcançava, mas logo depois voltava a ficar para trás. Ralf comentava alguma coisa da vegetação e de sua viagem para o Pico da Neblina, entre palavras em português e inglês, mantínhamos uma boa comunicação.
Nos dois quilômetros finais, a trilha fica bastante íngreme e quente! Eu e Ralf diminuímos o ritmo e Laureana seguiu na nossa frente. Caminhávamos alguns minutos e parávamos para descansar. Aos poucos o Ralf foi ficando para trás, e Laureana mais para frente. Mas isso durou pouco tempo, por que logo chegamos ao acampamento.
Ah! A liberdade
da alma!

A vantagem de chegar antes no acampamento e estar levando a barraca, é que pude escolher onde montá-la. E encontrei um lugar legal, longe do acampamento principal, a uns 50 metros, atrás de uns arbustos, de frente para o Tepui Kukenán.

Só havia uma barraca próxima a minha, ou seja, um pouco de paz!
Aproveitei esse momento para fazer algumas fotos usando o tripé. Gostei do resultado. Talvez fosse a paisagem que não permitia fotos ruins. Mais tarde, estava com o pessoal na tenda-cozinha esperando fazerem algo para nós comermos, quando vi um helicóptero vindo. Ele sobrevoou o acampamento e foi para o topo do Monte Roraima. Minutos depois foi embora. De repente veio de novo, dessa vez ficou parado no ar próximo ao acampamento, e começou a descer. Falei para o pessoal, ele vai pousar. Então percebi que ele estava pousando onde estava minha barraca! Saí correndo feito um louco já imaginando minha barraca pegando vôo!
Para chegar até minha barraca tinha uma trilha estreita e ainda um córrego no caminho.
Ao chegar no meu acampamento, o helicóptero já tinha pousado. Por sorte minha barraca agüentou o vento! Esse helicóptero veio trazer dois turistas, um casal. Para não caminhar dois dias, resolveram vir voando. Absurdo.
Como eu tinha que lavar roupa e tomar um banho, fui para um córrego onde a galera estava tomando banho. Todos logo me informaram que a água era geladíssima! Tirei a roupa e sem nem pensar me deitei. Ai caramba! Estupidamente gelada. Esforcei-me para permanecer ali por uns 3 minutos.
Ao sair da água, fiquei conversando com venezuelanos. Veio então uma morena venezuelana, daquelas de filmes! Conversei um pouco com ela e com o cara que estava com ela. Não cheguei a concluir se eram ou não namorados. Mas era uma morena “dourada”!
Voltei para a barraca cozinha e ali permaneci com a galera até escurecer. Após o jantar o Leo nos informou como seria o dia seguinte. Explicou dos perigos e do cansaço acentuado que teríamos. Disse que teríamos de andar entre o guia-auxiliar Yirso e ele. Ou seja, eu não poderia andar na frente como vinha fazendo. Após as informações do dia seguinte, Leo começou a falar do Monte Roraima, dos índios que vivem em volta dele, da magia e encanto do lugar. Criou um clima de ansiedade e ternura pela montanha. Fui dormir torcendo para não passar frio. Acredito que fazia uns 15ºC quando me deitei. A roupa que lavei não secou.
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Glauco
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