Mochilão Monte Roraima – 5º Dia de trekking

A pior noite de acampamento que já tive. Assim posso resumir como foi a segunda noite no topo do Roraima. Eu tinha pegado no sono rápido, porque tinha usado dentro do saco de dormir de pluma de ganso, um saco de emergência aluminizado. Aqueceu fácil e eu não sentia o vento. Lá pelas 04:00hs da manhã, senti meus pés meio molhados. Dei um jeito de tocar com as mãos e percebi que realmente estavam molhados. O calor do corpo dentro do saco de alumínio condensou e eu fiquei com toda roupa que usava molhada! Mais que droga.
Comecei a resmungar e sair de dentro de todas as camadas de saco de dormir e roupas. Estava um frio tremendo! Só de cueca fiquei dentro do saco de plumas de ganso. As 05:30hs eu desisti daquele sofrimento e saí da barraca. Resolvi que ficar ali não adiantaria. Peguei a roupa úmida de novo, o saco de dormir de emergência e parti para o teto da caverna (a parte externa superior dela). Não foi fácil escalar até lá de noite, mas eu precisava fazer algo para que o tempo passasse mais depressa.
Lá em cima fiquei olhando o dia clarear, envolto no cobertor de emergência. As 06:00hs subiram lá em cima o Leo e seus colegas, foram fumar um baseado. Leo se espantou ao me encontrar lá em cima. Eu disse a ele que queria ver o nascer do sol. Sendo assim, fui o único trekker do grupo a ter visto o nascer do sol no Monte Roraima. Não consegui fotografar, estava com muito, muito frio.
Arrumei minha mochila de ataque e fomos para o último passeio no topo do Roraima. Dessa vez seguimos na direção contrária do dia anterior.
Em determinado momento, o guia queria seguir um caminho que desviava de umas das mais belas paisagens do Monte Roraima. Bem próximo de onde estávamos, ficava um abismo e do outro lado, o tepui Kukenán. Falei para o guia que eu iria até o abismo bater fotos do Kukenán, afinal, de lá era possível ver uma cachoeira despencando daquele tepui. O Yirso não deixou e eu o desobedeci, falei que eram só 5 minutos. Junto comigo seguiu o alemão. O restante do grupo estava atrasado em relação a nós. E quando nos viram lá na ponta do tepui, resolveram vir atrás de nós. O Yirso não queria deixar, mas todos fizeram como eu e desobedeceram ele. Afinal, provavelmente nunca voltaremos lá, e não eram 5 minutos a mais na caminhada que prejudicaria o grupo.
Depois desse mirante, descemos umas fendas e chegamos a uma cachoeira. Embora eu estivesse há dias sem banho, a temperatura da água não me convenceu.
Seguimos um pouco mais e chegamos a outro mirante, esse ainda mais lindo, o Paredão de La Ventada. Uma pedra que fica sob o abismo! Lá víamos um arco íris em 180º. E o centro do arco íris é a nossa cabeça. Não sei explicar, nunca vi coisa igual. Olhando para as nuvens, era como se o arco íris contornava minha cabeça, surreal!
Fui até na ponta dessa pedra, com muito, muito medo! Mas foi uma sensação maravilhosa! Continuando a caminhada pela aresta dessa parede, chegamos às jacuzzis. Piscinas naturais de água transparente. São vários poços desses. Havia alguns trekkers. E acabei fazendo amizade coma galera, enquanto almoçávamos.
Depois do almoço, estava em nossa programação fazer a ascensão do Maverick. Uma saliência rochosa, e seu cume é o ponto mais alto do Monte Roraima. Quando chegamos em
frente ao Maverick, o tempo estava fechado, não teríamos visão alguma lá de cima. Resolvemos deixar então para tentar o cume no dia seguinte. Quando estaríamos passando por ali para ir embora do topo do Roraima.
Atravessando uma área cheia de pequenos lagos bem ornamentados com flores e bromélias, vimos o famoso sapinho endêmico do Monte Roraima. Do tamanho de uma unha, preto. Todos tiraram várias fotos dele. Afinal, não ter foto dele seria como ir para Paris e não ter foto da Torre Eiffel.
Voltamos para nosso acampamento. Fiquei feliz em ver que a galera que estava na outra caverna tinha ido embora. Não pensei duas vezes. Fui à minha barraca, desmontei, peguei as coisas e levei tudo para dentro dessa caverna. Finalmente consegui me livrar daquele vento da p$%#@!. Se bem que foi bem chato fazer essa transferência de acampamento, mas eu estava precisando realmente de uma noite de bom sono! Me sentia esgotado!
Essa seria a última noite no topo do Roraima, a melhor de todas!

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Glauco
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