Mochilão Patagônia- 8º Dia – Réveillon em Puerto Natales – Chile

Era meio dia quando o Oscar, o chefe de família na casa onde eu estava hospedado, bateu na porta do quarto pedindo se podia abrir. Disse a ele que sim. Ele veio avisar que duas amigas minha vieram se hospedar ali. Era a Fernanda e a Ana, espanhola que a Fernanda tinha conhecido. Levantei rápido e fui dá uma geral no cabelo. Voltei pro quarto e pensei: “Por onde eu começo a arrumar isso aqui?”. Tava uma puta bagunça o quarto. Como só tinha eu e o Guilherme hospedado naquele cômodo, tinha coisas nossas em todas as camas. Assim que elas entraram me apresentei à Ana e pedi desculpa para as duas pela bagunça do quarto. Então enquanto eu fui organizando as coisas, conversamos sobre as trilhas de Torres del Paine. Eu estava sozinho no quarto, porque naquele dia o Guilherme foi fazer um passeio Full Day de carro por TDP. Depois de ter arrumado o quarto fui sozinho dar uma volta na cidade e almoçar. No dia anterior eu tinha passado em frente a uma pizzaria com preços bem convidativos. Como eu nunca decoro nome das ruas acabei caminhando muito até encontrar. Peguei uma pizza para duas pessoas e ainda um suco de natural. E realmente, a conta saiu uma bagatela! Algo como 14 reais. 

O atendimento era uma bosta, mas a pizza era muito boa. 
Após o almoço voltei pro hostel para usar um pouco a internet. Respondi uns e-mail, tuitei alguma coisa e saí de novo. Levei somente a câmera, e segui caminhando rumo aos becos. Gosto de me perder pelas ruelas das cidades. Passar aonde não encontro turistas. E caminhando sem direção acabei encontrando a uma bela praça, loja de aluguel de caiaques oceânicos e casas muito simples feitas de chapa de alumínio. Parei de caminhar quando cheguei no mar, lago, sei lá. Fiquei lá curtindo o vento, as montanhas e os carros dos chilenos, que são bem mais modernos que os brasileiros. Na volta fui fazer algumas compras. Voltei à loja Oveja Negra, loja no qual já tinha comprado um bastão de caminhada (CH 8.000,00), fogareiro (20.500,00) e gás (CH 2.500,00) dois dias atrás. Então comprei mais um bastão, um squeeze Nalgene (CH 8.900,00), uma bandeira chilena (CH 3.500,00) e um cartão postal (CH 300,00). Depois fui a mais uma lojinha e comprei um bordado da bandeira chilena (CH 1000,00) para colar na minha mochila. De volta ao hostel, deixei minhas compras, peguei meu diário e comecei a escrever na sala do primeiro piso. 
A sala tinha janelas grandes, porém só um pedacinho da janela abria (em todos os lugares na patagônia é assim, o tamanho das janelas das casas são normais, porém só abrem um pouquinho, porque tem muito vento). Abri as cortinas e fiquei olhando a paisagem e escrevendo no diário. Enquanto escrevia ficava de olho procurando ver alguma garota bonita na avenida da cidade. Naquele momento não encontrei. Fui pra cozinha, fiz um suco, e coloquei no squeeze. Resolvi ir caminhar no sentido norte, parte da cidade que eu ainda não conhecia. 
Passeando pela avenida encontrei três chilenas que aparentavam estar sozinhas. Uma era muito bonita, a outra bonita e a terceira era uma típica chilena haha. Cheguei nelas perguntando se teria alguma festa na cidade onde eu pudesse comemorar a virada do ano. Claro que fiz a pergunta pra mais bonita das três. Ela respondeu com simpatia: – La Disco. Não tive tempo de pedir mais nada. Chegaram três rapazes meio malaco, entregaram o folder da tal balada e ficaram esperando eu dar no pé. Não tive outra saída. Me despedi delas e saí. Porra, era as únicas chilenas bonitas que eu tinha encontrado e mal deu pra dar um “hola”. Fiquei torcendo para reencontrá-las em algum outro lugar naquele dia, o que não aconteceu. Continuei caminhando e encontrei mais uma praça, também muito bonita. Fui até o centro da praça e fiquei sentado num banco observando as pessoas. Na minha frente tinha um chafariz que não estava funcionando, e o engraçado é que todo mundo que passava por ali, lamentava que o chafariz não estar funcionando. Creio que ele deveria ter estragado poucos dias atrás. Fiquei escrevendo no diário mesmo com o vento forte. Quando o vento dava uma trégua, eu não sentia frio, mas quando soprava forte eu gelava. Ao contrário das praças do Brasil, aquela não tinha lixo nenhum, pixação nenhuma. Depois de uns 40 minutos, resolvi voltar para o hostel, olhando as vitrines. No meio do caminho encontrei a Fernanda. Ela queria comprar gás para o fogareiro que tinha alugado, e não sabia em qual loja eu tinha comprado. Onde eu tinha comprado era um pouco mais caro, de acordo com o a pesquisa de preços que ela tinha feito, então fomos até uma outra loja. Lá ela pegou o gás e comprou também uma camel bag. Eu comprei somente o camel back, de 1,5 L por CH 4.590,00. Como não sabíamos onde passaríamos o réveillon, passamos no mercado para comprar bebidas. Comprei algumas latas da cerveja Escudo. Escolhi essa cerveja pois era a dona da maior parte da prateleira, e para as duas pessoas que perguntei se ela era boa,   recomendaram-a. Voltando para o hostel, encontramos o Guilherme. Ele tinha acabado de chegar do passeio Full Day. A Fernanda voltou com ele para o centro e eu fui para o hostel. No hostel arrumei minha mchila, e abri uma lata de Escudo. Gostei da cerveja Escudo. Ela é um pouco mais encorpada que as nossas, apesar de ser Pilsen, se parace com as nossas Premium. Tem um leve sabor adocicado com um amargor fraquinho. Não é uma cerveja forte.

Quando a Fernanda e o Guilherme voltaram, fomos à cozinha para fazer nosso esquenta antes de ir para a pizzaria. todos tomaram vinho, e eu cerveja.
Fomos até a pizzaria, onde encontramos um americano e uma americana. Guilherme tinha conhecido eles no passeio que fez e os convidou para passar o réveillon conosco. Na pizzaria conversei mais com a Ana (espanhola), ela me explicou como funcionava seu trabalho voluntário em Ushuaia. Eu tava sentado do lado da americana, e que americana! haha
Na hora de olhar no cardápio olhei somente quais eram os ingredientes. Quando chegou o pedido veio um calzone! E eu estava esperando uma pizza! Mas era um baita calzone, sobrava no prato. Depois de todos comerem eu fui pagar a conta, e claro, todos deram dinheiro, e eu iria pagar no cartão. Acontece que a conta deu uma facada! E ninguém lembrou da “propina” (gorjeta). O garçom pediu se podia descontar a propina da minha conta, disse que sim.
Quando voltei à mesa todos perguntaram o que tinha acontecido. Pra eles terem perguntado eu deveria estar branco! Falei, agente esqueceu da gorjeta. Todos ficaram envergonhados e decidiram que pagariam umas cervas no bar que agente fosse depois. Era 22:00 hrs quando saímos da pizzaria (saímos porque o garçom disse que iria fechar). É engraçado isso, no Brasil fica tudo aberto no réveillon, lá fechou tudo as 22:00 hrs!
Saímos da pizzaria à procura de um bar. Caminhamos um monte até encontrar!
O bar era cheio de luzes vermelhas, estava vazio. Assim que sentamos o Guilherme olhou pra mim e disse:
– Cara, isso aqui tem cara de puteiro!
Eu disse: – Cara, eu também to achando! Vamos esperar o menu pra ver os preços.
Guilherme: – Vamos ver.
Quando o garçom trouxe o menu, vimos que os preços eram normais.
Cada um pediu uma bebida, eu pedi mais cerveja Escudo. Estávamos sentados ao redor de uma mesa, todos bebendo, rindo, se divertindo!
No vai-vem da conversa, a Erin, disse que era atriz de Hollywood. Por isso não tinha Facebook e tal. Então trocamos somente e-mail. Já na hora imaginei que ela fosse atriz pornô. Porque falo que era atriz e não disse o nome de nenhum filme em que atuou.
De repente, alguém pega o microfone e começa a contagem regressiva para 2011! Foi uma festa só, todos se abraçando, dançando e pulando. Largamos as coisas num canto e fomos dançar as músicas estranhas que o DJ colocava. Variava  de funk carioca à salsa, passando por reggaeton.
Eu já tinha bebido várias Escudos, custavam CH 1.000,00. Em determinado momento fui ao balcão pedir mais uma, e dei uma nota de CH 5.000,00. O garçom trouxe a cerva e CH 3.000,00 de troco. Falei que estava errado. Porque faltou mil pesos.

Ele começou a falar em inglês que era CH 2.000,00 pesos a cerveja. Eu insisti, falei pra ele mostrar o cardápio. Então ele começou a fingir que não entendia o que eu estava falando.
Ficou falando em inglês que não entendia o que eu falava.
Falei pra ele falar em espanhol, ele insistia em falar em inglês. Fiquei nervoso e dei um soco no balcão. Daí falei:

– Você está achando que sou idiota? Tomei algumas latas dessa cerveja chilena fraca e acha que estou bêbado? Devolva meu CH 1.000,00 pesos.
Então ele devolveu fazendo cara feia como se eu fosse o ladrão.
Depois de meia hora fomos embora. Nos despedimos da Erin e do americano e voltamos pro hostel.
Era quase 03:00 hrs da madrugada. Meu ônibus partiria as 08:00 hrs.
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Glauco
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