Mochilão Brasil – 8º Dia – Viagem de Bonito para Corumbá – MS

Despertei meio zonzo. Tinha deixado apenas lanterna, escova de dente fora da mochila. Me arrumei sem fazer barulho pra não acordar a galera do quarto. Dei uma boa olhada no meu armário e no meu beliche pra ver se não tinha ficado nada esquecido, e fui pra área do albergue. Fiquei conversando com o guardinha até dar 05h30min. Mai não apareceu. 05h35min Fui bater na porta do quarto dela. Estava dormindo. Uns 10min depois ela estava pronta. Seguimos até o hotel onde tinham nos informado que passaria o ônibus. O ônibus chegou somente 06h30min. A viagem foi bastante desconfortável. O ônibus não tinha amortecedores traseiro. De três em três segundos dava um solavanco que doer até a espinha. Passamos em várias cidadezinhas. Todas avermelhadas da poeira. No caminho inteiro a mesma paisagem, algumas poucas árvores baixas, muitas pastagens e algum lagos. A planície é tão imensa que se vê apenas uma linha horizontal dividindo o verde dos pastos com o azul do céu. O pior trecho em que viajamos 2h por estrada de chão. Cheia de buracos, valas e desníveis, o ônibus não passava com certeza dos 40km/h. Chegamos em Corumbá 13:00. Tava um calor dos infernos! 40ºC foi o que a população falou. Na rodoviária pedimos para um taxista se ele sabia onde era o hostel e quanto nos cobraria para levar. Ele disse que não sabia onde era, mas iria cobrar R$15,00. Dei uma gargalhada zuando dele e seguimos a pé. Maite tinha um pequeno mapa feito a mão que indicava mais ou menos onde era o hostel. Não foi fácil andar sob um sol forte daqueles carregando mochila com mais de 13 kg. Após algumas quadras pedi para uma senhora se ela sabia onde era o albergue. Disse que não. Agradeci e continuei, daí ela me chamou e disse que achava que sabia. Indicou-me o caminho. Dei dois passos e apareceu um rapaz de moto da nada dizendo que a senhora estava errada. Que o lugar onde ela disse para eu ir era a cadeia. Achei que ele era algum tipo de indicador de hotel ou algo do gênero. Ele disse que desconfiava de onde era. Falou para esperarmos ali que ele iria verificar. Saiu com a moto e em menos de um minuto voltou. E disse para onde eu e Mai deveria seguir. Andamos mais duas quadras e chegamos ao Hostel Corumbá. Pegamos quarto misto por R$ 28,00 a diária com ar condicionado. Depois de deixar as mochilas no quarto voltamos a rua para almoçar. Fomos ao restaurante da esquina. Era R$ 6,00 o PF e R$ 4,00 meio litro de suco natural. No restante da tarde ficamos dormindo. À noite fui pro centro da cidade procurar caixa eletrônico para ver quanto me restava de grana. De cara percebi que as ruas descendo a ladeira eram todos iguais. Um monte de consultório de dentistas, gráfica e escritórios de advocacia. Depois de pedir várias vezes informações, cheguei ao banco da Caixa Econômica Federal. Dentro um lixo absurdo por todos os lados. Papéis de extratos, envelopes de depósito, sacos plásticos, pacotes de chips e folhetos de propaganda estavam espalhados igualmente por todo banco. As pessoas literalmente ignoram os lixeiros nessa cidade. Sai do banco e fui dar uma olhada na rua principal próxima do rio Paraguai. Do lado em que estava era o porto, cheio de barcos de madeira. Em volta casas amontoadas no barranco. Dou outro lado do rio uma planície alagada como aquelas que sempre vemos do pantanal. O rio é majestoso, largo calmo e com amontoados de plantas flutuantes. Bateu a fome e fui procurar uma padaria. Encontrei uma bem simples. A atendente era boliviana, bastante tímida, falava o portunhol com voz tão baixa que mal escutava sua voz. Comprei um litro de iogurte e dois pães doces. No balcão seguia a ordem, lingüiças, pão doce, detergente.
Quando resolvi voltar para o albergue vi que estava perdido. Pedi para um senhor que tava sentado em frente a porta de sua casa, se sabia onde era o hostel-albergue. Ele no mesmo momento começou a explicar o caminho que a senhora que tinha pedido informação no almoço me indicou. Ele também estava me encaminhando a cadeia. Falei que já sabia desse trajeto e não era ali o albergue. Então ele falou que não fazia idéia. Agradeci e continuei caminhando. Depois de umas duas quadras me localizei. Detalhe que as quadras em Corumbá devem ter uns 150m. Quando estava chegando no albergue encontrei Mai saindo. Ela iria para um verdureira. Comprar itens para fazer uma salada. Acompanhei ela. Andamos mais duas quadras até chegar numa verdureira. Na verdade só estavam os funcionários lá ainda porque ainda não tinham acabado de descarregar a kombi. Mas muito atenciosos não negaram abrir as portas para comprarmos umas verduras. Da verdureira fomos até um mercadinho comprar cerveja. No albergue Mai fez a salada. Com verduras, maçãs e mais coisas que não lembro. Provei uma garfada, estava boa. Depois ficamos bebendo na piscina. Em torno das 10h30min chegou três mochileiros no nosso quarto. Um cara da NZ, uma mulher que não me lembro de onde era, acho que Austrália, e um brasileiro. Fui dormir 11h30min.



Paisagem durante 6hrs e meia de viagem
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Glauco
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