Mochilão Patagônia – 9º Dia – De Puerto Natales à El Calafate – Argentina



Acordamos cedo. Eu e o Guilherme iríamos pegar o ônibus para El Calafate (custou CH 12.000,00) e a Ana e a Fernanda para Torres del Paine. Logo após o café da manhã, nos despedimos das chicas. Lavamos a louça e pé na estrada mais uma vez. O local onde deveríamos pegar o ônibus ficava na quadra em frente ao hostel. Já tinha bastantes mochileiros esperando o ônibus quando chegamos, entre a massa, duas garotas israelenses. Como a maioria das israelenses, eram lindas. Com um pouco mais de sorte eu sentaria do lado delas, mas ficou no quase haha. Sentaram uma fileira de poltronas a minha frente. Logo após partimos de PN a paisagem ficou sem graça. Deserto, deserto, ovelhas deserto, ovelhas e tudo isso de novo. A previsão era de 05 hrs de viagem. Achamos que passaria rápido, ledo engano. Viajar no deserto torna a viagem monótona. Para piorar a situação, nosso ônibus era extremamente lento. Em algumas subidas achei que o motorista iria pedir para empurrarmos o ônibus. Na alfândega chilena foi rápido para passarmos, apesar de termos que tirar todas as coisas do ônibus para passar no raio-x. Depois de carimbar o papel de saída do Chile, pedi para um “Carabinero del Chile” tirar uma foto minha na frente da bandeira. O militar aceitou de boa. Na alfândega argentina para entrar no país é rápido. Enquanto esperava o pessoal carimbar passaporte, observei uma família de brasileiros. Eram em três, o filho do casal que deveria ter lá seus 25 anos era extremamente mimado. Estava com algum problema no joelho e andava de um lado para outro com o bastão de caminhada. A mãe dele o tempo todo bajulando e entregando bolachinhas. Eu e o Guilherme comentamos, como deveria ser um saco viajar com pai e mãe ao estilo mochilão. Com essa idade penso que bom mesmo é bater asas solo. 
Em questão de 20 min todo mundo já estava no bus de novo. Seguimos viagem.
Eu já estava tão de saco cheio com a lerdeza do ônibus que resolvi pedir para o carinha que trabalhava de entregar lanchinhos, qual era a velocidade média daquele ônibus. Acho que ele percebeu que eu já estava meio sem paciência e não respondeu minha pergunta, disse que levaríamos mais uma hora e meia. Antes ainda de chegar em El Calafate paramos num mirante. Desse mirante podíamos ver a imensidão do deserto patagônico. Extremamente seco e quase sem vida. Tiramos uma fotos e continuamos.
Quando vi ainda distante El Calafate, comentei com o Guilherme que a cidade parecia uma maquete no meio do nada. Imaginem, em cinco horas de viagem não tínhamos visto nenhuma árvore, chegando em El Calafate predominava as árvores coníferas. Com certeza não são naturais da Patagônia.
Ao desembarcar na rodoviária, fomos ao centro de informações turística para pedir onde tinha albergue. Pegamos um mapa e pernas pra que te quero!
O sol estava forte, as mochilas pesadas e nós de saco cheio daquela viagem de cinco horas. O primeiro hostel que paramos foi o Hostel del Glaciar Libertador. Era o que eu pretendia me hospedar, porém estava lotado. Seguimos caminhando até o América del Sur. Chegando lá, para nossa tristeza, também estava lotado. Mas nos deram a opção de dormir na sala que ficava no sótão, pela metade do preço. Não aceitamos. Então nos aconselharam ir ao hostel que ficava a 100 m do América del Sur.
Se chama Posada Patagonica Nakel Yen. Não me lembro direito, mas quem nos atendeu acho que se chamava Marcelo. Um sujeito buena onda com estilo de gaúcho. Falava forte, era alto e forte. Parecia ser daqueles caras que trabalham no campo em serviço pesado. Cobrou ARG 50,00 cada um para nos hospedar. Nosso quarto estava vazio, ou seja, ótimo. Pedimos à ele sobre o passeio ao Perito Moreno. Eu queria fazer o passeio a qualquer custo no dia seguinte. Para não perder tempo em El Calafate e ir logo para El Chaltén. Ele disse que o comércio estava parcialmente fechado, por ser dia primeiro. E só uma agência faz o passeio, nos aconselhou esperar.
Deixamos as coisas na pousada e fomos pra cidade. Caminhando pela avenida principal encontramos a agência que faz os passeios no Glaciar Perito Moreno. Na porta estava um aviso alertando que abririam as 17:30 hrs. Como só era três e pouco da tarde, resolvemos almoçar. Caminhando pelos becos para achar algum lugar barato para comer, encontramos um senhor que nos indicou um lugar barato, bom para mochileiros.
O local era bem simples e sujo. Tinha restos de comida no chão. Mas os preços eram atraentes, resolvemos pegar um lanche de 0,5 m de comprimento. Era um baita sanduíche. A mulher que nos atendeu não era atenciosa. Pedimos maionese e ketchup . Ela disse que já tinha maionese dentro do pão, e que se quiséssemos ketchup teríamos que comprar. Não compramos. Enquanto comíamos, chegou um grupo de mochileiros, advinha de onde? Sim! Israel de novo.
Depois de comer o Guilherme pediu para ela se ela poderia encher a garrafinha dele de água. Ela disse que sim e pegou a garrafinha para encher. Quando devolveu, o Guilherme pediu se não teria problema em tomar água torneiral em El Calafate. A mulher disse que ele teria diarréia e vômito. Rá, porque ela não disse que a água não era potável antes de encher a garrafa? E se o Guilherme não tivesse pedido? É, essa é a vida de mochileiro. 
Perto de onde almoçamos tinha uma loja de equipamentos para trekking. Comprei um mosquetão, esse foi para mim. Diferente de Ushuaia, nessa loja paguei 70 pesos, contra 50 pesos de Ushuaia. Caminhamos até a agência, e ficamos esperando abrir. Já tinha fila quando chegamos! Assim que abriu foi aquele pequeno tumulto para comprar o voucher para o passeio. Guilherme e eu conseguimos para o dia seguinte. Ufa!
Escolhemos fazer o mini-trekking. Caminhada no glaciar usando grampões. E custou  ARG 500,00.
Em seguida fomos provar o famoso sorvete (helado) de calafate. Isso mesmo, sorvete daquela frutinha que se encontra em toda patagônia. A sorveteria por sinal era muito boa, além do sorvete de calafate peguei muitos outros. E pra falar a verdade, não senti gosto de nenhum de calafate naquele sorvete. 
Ainda com bastante tempo até a noite chegar, compramos água num boteco e pedimos para  o atendente o que poderíamos visitar antes do sol se por. Ele recomendou umas cachoeiras próximas ao Cerro Calafate. Seguimos as instruções que o rapaz nos deu e fomos à procura das cachoeiras. Depois de umas 5 quadras, já na parte alta da cidade, e numa parte bem mais humilde, conversamos com um senhor se estávamos no caminho certo. Ele disse que estávamos, mas ainda faltava muito. E que não valia apena conhecer as cachoeiras porque eram muito pequenas. Nos recomendou conhecer o Lago Argentino. Ou seja, voltar tudo e ainda andar mais sentido ao lago.
O sol estava forte e eu resolvi não ir. Fiquei sentado numa pracinha na periferia. Guilherme foi sozinho.
Gosto de ficar onde as pessoas da cidade ficam. Tinha crianças no parquinho, casalzinho namorando, velha na janela admirando. Enquanto eu ficava viajando lá, bati uma foto de um carro todo destruído estacionado em frente a uma casa. Não tinha batido nenhuma foto dos carros podres da Argentina até então. E a idéia não foi boa. Ouvi uma velha chingando quando bati a foto. Guardei a câmera e com passos largos saí rapidinho de lá. Afinal, era subúrbio.
Voltei pro hostel pra tomar banho e organizar minha mochila.
Tomei banho e logo depois chegou o Guilherme. Fomos pra recepção decidir se iria jantar fora ou não. Acabamos conhecendo o Isaac Quesada Quiñones, espanhol de Barcelona, Catalão. Issac vendera sua moto e seu carro após terminar seu namoro de anos. Pegou a grana e resolveu viajar pela América do Sul. Um cara muito gente fina. Convidamos ele a rachar umas empadas conosco. E por telefone pedimos para que entregassem as empadas na pousada.
Saiu barato as empadas, e eram boas. Ficamos na cozinha da pousada batendo papo com o Isaac até tarde.
Antes de dormir, Guilherme e eu resolvemos procurar no Google pelo nome da atriz americana que tínhamos conhecido em Puerto Natales. E chocamos quando vimos as fotos dá página! Ela tinha sido a Power Ranger Rosa! Caímos na gargalhada sem conseguir acreditar. Cena que não vou esquecer!
Fui dormir incrédulo. 
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Glauco
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