Como os brasileiros pen$am sobre viagen$

Estava eu numa palestra de um casal que viajou pelo mundo por três anos. Um casal extremamente simples, alegre e consciente. A palestra foi magnífica, com belas imagens e contos não citados no livro do casal. Quando chegou o momento das perguntas, várias pessoas levantaram as mãos e a primeira pessoa que fez uma pergunta, disse: “- Quanto vocês gastaram?”

Levei as mãos ao rosto e abaixei a cabeça. Senti vergonha alheia pela pergunta do imbecil ao meu lado. Senti pena do palestrante que durante sua apresentação enfatizou as relações humanas, a paixão pela natureza e os valores de uma vida simples durante e posterior a viagem.
Acho que é esse o verdadeiro rumo que nossa sociedade vai tomando. Os valores passaram a ser exclusivamente financeiros. As pessoa veem cifras em toda atitude que tomam, em tudo aquilo que olham.
Eu tenho um profundo desprezo por essas pessoas, e saibam, quando eu volto de uma viagem e antes de perguntarem como foi a viagem, perguntam quanto eu gastei, aqueles segundos que levo a responder é para engolir a saliva amarga e respirar fundo para aliviar a dor de estômago que no momento sinto. Juro que não considero essa uma pergunta proibida, mas antes de fazê-la, analise todos os valores dessa viagem, tudo aquilo que ela lhe proporcionará e se realmente vai ser necessário perguntá-la. Essa pergunta dói ainda mais quando feita por aquelas pessoas enjauladas mentalmente que são incapazes considerar uma viagem um investimento para a vida, pessoas engessadas que são incapazes de se mover um passo à frente para ter uma experiência de vida diferente.
Essa realmente não é uma característica exclusiva dos brasileiros. Cito como exemplo Portugal, que tinha na exploração não somente a vontade de expandir território mas também conhecer novos lugares. Por trás do lado financeiro, havia sim um lado curioso, explorador. Atualmente Portugal vem ano após ano sendo um país em que as pessoas viajam cada vez menos. Entre os 28 países da União Européia, os portugueses estão na segunda posição na lista dos que menos viajam, estando apenas atrás da Bulgária. São raros os mochileiros portugueses. Atualmente alegam que é pela crise econômica. Bom, sendo um país que tem como moeda o Euro, essa desculpa não engana ninguém. Qualquer português seria um rico mochileiro na Bolívia, por exemplo.
Essa cultura de que o consumismo é o que importa, vem sendo claramente incentivada no governo atual do Brasil. O modelo de economia do Brasil é exclusivamente embasado no consumo. E isso é perigoso e lamentável. Significa que antes de crescer como pessoas, devemos crescer financeiramente.
Vamos pensar nas viagens como um investimento, como uma oportunidade de aprendizagem, autoconhecimento, ganho de cultura e sabedoria. Porque na verdade, as viagens são isso.
O conceito de viajar vai muito além de locomover-se gastando dinheiro.
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