Mochilão Sul de SC – De mochila por Torres, RS


A idéia inicial era fazer uma viagem de inverno para as bandas mas geladas do sul. Eu tinha dez dias de férias na facul e no trabalho e pretendia aproveitá-las na estrada. Sem um roteiro definido, e sem pesquisar nada a fundo, decidi que visitaria Torres (falésias), Praia Grande (trilha por dentro dos cânyons), Cambará do Sul (trilha pelas bordas dos cânyons), Palhoça (Guarda do Embaú) e em Florianópolis (Lagoinha de Leste).
Pois bem, tinha decidido que tentaria fazer a viagem toda acampando, uma coisa que ainda não tinha feito em outras viagens. Na mochila, muita coisa! Equipamentos de camping, trekking, e ainda os normais de se levar para qualquer viagem de mochilão. Ao todos, 14 kg.
Saí da rodoviária de Jaraguá do Sul para Joinville as 08:25 da manhã. Lá peguei um ônibus para Florianópolis as 10:20. Em Floripa cheguei atrasado por causa de congestionamento na BR – 101. Então Embarquei em Floripa com destino à Torres as 14:20.
Aí a coisa já ferrou! Eu não sabia que o ônibus era pinga-pinga! E foi uma viagem terrívelmente chata. O ônibus parou em um monte de cidades, cidades sem graça. E o pior ainda estava por vim. Olhando para o sul, sempre via nuvens.
Chegando em Tubarão começou a chover.
A previsão era de chegar 20:00 em Torres, chegamos as 20:30. Não chovia, mas Torres já estava molhada porque tinha chovido durante o dia.
Liguei para um número de camping que encontrei e o dono disse que me buscaria na rodoviária. Assim o fez.
Chegando no camping, ele e a mulher tentaram me convencer a ficar num chalézinho no camping, disse que ficaria na barraca mesmo. Eu era o único hospede no camping.
Eles foram embora e me deixaram com o controle do portão.
Montei a barraca só com a luz da lanterna, joguei a mochila dentro e fui pra cidade jantar.
Jantei num boteco e vi os gremistas e os colorados vibrando a Argentina estar fora da Copa América. Na verdades eles não entenderam muito a minha atitude indiferente à comemoração de todos haha.
Óbvio, odeio futebol e gosto dos argentinos.

Começou a chover e eu voltei para o camping. Ventava bastante, vento sul, gelado!

2º Dia – Torres – RS

Acordei escutando a chuva. Fiquei escutando música e lendo até as 10:00. Então levantei e fiquei numa pequena área coberta do camping decidindo o que faria. Resolvi fazer almoço e depois sair para conhecer a cidade. Então preparei um miojo daqueles!
A tarde, peguei a mochila de ataque, um anorak e a câmera e resolvi conhecer as praias.
Debaixo de chuva saí caminhando pela cidade. Segui em direção as praias, contornando a lagoa Violão. Ao chegar no parque estadual, resolvi fazer uma trilha que seguia por toda costa.
Óbvio que não tinha nenhum turista na trilha. Eu estava sozinho e a chuva era toda minha haha. Segui caminhando pelas bordas. O lugar é bonito, claro que deve ser bem mais bonito que quando tem sol. Vi os engates nas rochas, indicando que a galera curte fazer rapel ali. E deve ser legal fazer rapel numa parede de uns 30 na beira de um costão.
Única coisa que não gostei foi a cor do mar. Em nada lembra a beleza do azul das praias de Santa Catarina. O mar em Torres estava meio marrom. Mesmo não estando com ressaca.
As ondas em Torres foi realmente o que gostei. Longas direitas que quebram devagar até o inside. Uma surf trip até Torres vale a pena, só para ver as falésias, não!

Depois de caminhar por todo o costão, fui para o centro da cidade. Caminhei por todas as principais ruas. Fiquei imprecionado com a quantidade de malacos na cidade. Em determinado momento um louco deu um passo para trás para que eu esbarrasse nele. Mas desviei.
Continuando no centro, visitei o camelô, que na verdade vende praticamente só roupas. Depois fui ao supermercado. Os preços da comida eram 30% mais baratos que na minha cidade. Comprei bolachas, pão doce, uma dúzia de caixinhas de achocolatado e água. Voltei para o camping ainda debaixo de chuva.
Antes de dormir, assisti no celular o Brasil ser eliminado, foi engraçado.

3º Dia – Torres / Praia Grande

Tinha colocado o relógio para despertar as 07:00. Levantei puto da cara porque continuava chovendo. Arrumei minha mochila dentro da barraca, guardei tudo que estava jogado. levei a mochila para a área coberta e comecei a desmontar a barraca. Uma tarefa chata quando não tem sol, e péssima debaixo de chuva. Na área coberta eu tentei limpar um pouco com um pando que encontrei, a areia grudada nas paredes e no piso da barraca. Isso poruqe o camping não tinha grama.
As 09:00 liguei para o Marcos, dono do Camping Cabanas Guaritas. As 09:30 ele apareceu por lá, e acertei o que devia. Me cobrou R$ 20,00 a diária. Caro pra caramba, se for considerar que é inverno!
Marcos me deu novamente carona até a rodoviária.

Comprei passagem para Praia Grande, uma bagatela, R$ 5,00 por uma hora de viagem. Mas em compensação, tinha até pintinhos de galinha sendo transportados dentro do ônibus. Isso não é metáfora, é sério. Do outro lado do corredor, na poltrona ao lado, sentou-se um cara que não parava de falar com todo mundo. E puxou assunto comigo também.
Por fim, ele disse que me levaria a uma hospedagem barata que conhecia em Praia Grande. Era um cara aparentemente doido. Falava diversos assuntos ao mesmo tempo.
O ônibusSC, e ônibus coletivo do RS não entra em SC. Pois bem, segui caminhando debaixo de chuva de novo. Paramos em frente a um mercadinho chamado Lima. Lá o Sabiá foi pedir o telefone do cara da tal pousadinha, o Kaloca. Enquanto esperava ele, apareceu mais um viajante. Era de SP, estavam em 5 viajando para um congresso de Espeologia em Ponta Grossa. Porém haviam descidido mais ainda rumo ao sul para conhecer os cânyons. Ele disse que estava hospedado por R$ 20,00 na Pousada Lima. Eu disse que veria qual o preço o tal Kaloca faria, e qualquer coisa ficaria também na Pousada Lima.
O Sabiá pegou o número do Kaloca e liguei para confirmar se ele estava em casa. Bem, ele estava.
Fui com o Sabiá até a casa dele para ele deixar suas coisas. Casa bem humilde, distante 1 km do centro da cidade (Praia Grande tem 7 mil hab.). Depois seguimos pelas ruas ainda debaixo de chuva para ir até a cabana do Kaloca. Puts, mochila pesada, chuva, frio e minha viagem indo pro brejo. Eu estava puto da cara.
Chegamos na cabana e não havia ninguém. Ficamos la esperando e nada! De repente veio os caras de SP, queriam dicas para fazer algo no dia chuvoso. Como o Kaloca (que também é guia) não estava, decidiram procurar algo pra fazer.
Então resolvi ligar pro Kaloca para ver se rolava hospedagem na cabana. Ele veio da casa de seus pais por uma trilha na mata. Gente finíssima! Ficamos conversando um bom tempo. Então pedi a ele quanto ele cobraria para passar a noite ali. Ele disse R$ 10,00. Claro que aceitei. Como tinha computador na cabana, tentei planejar algum passeio para o dia seguinte. Mas olhando a previsão do tempo, só tinha chuva.
Isso me desanimou, porque eu queria fazer a Trilha do Rio do Boi. Como o rio estava cheio, não seria possível nos próximos dias. Então pensei em ir no dia seguinte para Cambará do Sul. Porém também teria chuva, que impossibilitaria uma visão la de cima das bordas dos cânyons.
Mas tarde chegou uns amigos do Kaloca, e ficamos batendo papo. Também chegaram de novo os caras de SP, e decidiram fazer canyoning no dia seguinte.
A galera vazou, e o Kaloca foi jantar na casa de seus pais. Mas tarde veio arrumar os equipos para o canyoning do dia seguinte. Me despedi do Kaloca avisando ele que tinha decidido ir embora no dia seguinte no primeiro ônibus, as 06:00. Fui um prazer conhecer um cara tão gente fina. O Kaloca é guia de montanha, guia oficial nos cânyons, faz de skydivind, base jump, ministra aventuras como canyoning, cascading e trilhas. Com certeza quando voltar lá o contratarei para os passeios que ainda pretendo fazer. Para quem quizer o contato dele, aí está: kalocapk@hotmail.com (48) 3532-0156 / 9107-2739 “Aparados Adventure”.

4º Dia – Praia Grande / Jaraguá do Sul

Acordei 05:00! Rapidamente arrumei minhas coisas. Para ter certeza do que estava fazendo, liguei  PC pra ver a previsão do tempo. Chuva até 5ª feira. Como era  3ª, decidi ir embora. Segui caminhando debaixo de chuvas maais uma vez! Estava frio, escuro. Foram 40 min de caminhada até a rodoviária.
Lá tirei o corta vento encharcado e comprei guloseimas para mais um dia inteiro dentro de ônibus.
Peguei o ônibus com destino a Araranguá. Em Araranguá peguei um outro até Floripa. Em Floripa, outro até Joinville. Em Joinville até em casa. Da rodoviária, caminhando encontrei um amigo da canoagem, que me deu carona até em casa.

Resumindo: A viagem foi longe de que e eu esperava. Mas fiquei sem alternativa. Todas as cidades turísticas estava com previsão de chuva. Gramado, Canela, Florianópolis…. chuva por SC e RS inteiro. E a previsão de sexta ter sol, falhou, porque choveu também.



Pois bem, fica pra próxima conhecer os cânyons! Agora é só pensar em Bolívia e Peru! 😉


blogger_blog:
www.mochilandosemfronteiras.com
blogger_author:
Glauco
blogger_permalink:
/2011/07/de-mochila-em-torres-rio-grande-do-sul.html
blogger_internal:
/feeds/3390010519359174826/posts/default/4103713230150481689
geo_latitude:
-29.3391142
geo_longitude:
-49.7270317
geo_public:
1
geo_address:
Torres - RS, República Federativa do Brasil
custom_total_hits:
000000158

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *