Mochilão América do Sul – Dia 14 – Trekking Salkantay – Peru

Urubamba classe 5


Acordamos mais tarde nesse dia, por volta das 06:00 hs. Tomamos café da manhã e a pedido da Mirian juntamos uma propina para os cozinheiros, que a partir desse dia, não iriam mais nos acompanhar. A galera toda já estava com pouca grana, cada um deu algumas moedas. Na real rendeu menos dinheiro que a Mirian esperava, ela pareceu não gostar quando viu o montante! rs.
Os cozinheiros já haviam preparado nosso almoço também, que estava num recipiente de isopor, cada um teria que levar em sua mochila. E nossas mochilas nós mesmo carregaríamos nesse dia.
Começamos a caminhada as 07:00 hs. Fazia bastante calor, a região onde estávamos não era em grandes altitudes e era muito úmida. Seguimos caminhando pela estrada que dá acesso a hidrelétrica próxima de Machu Picchu. Eu estava um pouco cansado nesse dia, e levar a mochila com aquele calor foi bastante desgastante.
Em um determinado lugar vimos um paredão de rochas e um volume de água enorme saindo de dentro da rocha, algo meio surreal. Mirian explicou que não era natural, fazia parte de alguma forma da hidrelétrica (!). Ao pegar a câmera para tirar uma foto, a decepção. O visor estava todo embaçado, e ao tentar ligar ela travava.

Tirei o cartão de memória para ver se ela iniciaria. Nada! Desanimei na hora! No dia seguinte eu chegaria a Machu Picchu, e de forma alguma queria mostrar para todo mundo fotos tiradas pelos meus companheiros de trekking. Óbvio, eu queria as minhas fotos!
Fiquei um bom tempo tentando fazer a câmera funcionar, nada adiantava.

Comecei a fazer as contas de quanto eu provavelmente ainda tinha de grana. Eu ainda pretendia ir ao Salar de Uyuni, e sem câmera eu nem iria. Enfim, eu fiquei muito frustrado. Resolvi então pendurar a câmera na mochila, para que ficasse exposta ao sol e assim resolvesse um pouco o problema de umidade. Próximo de chegar à hidrelétrica a tirei da mochila e tentei ligar novamente, finalmente, deu certo!
Foi um alívio ver minha câmera ligando novamente e saber que não tinha perdido as fotos. 
Ao chegar à hidrelétrica, tínhamos que fazer uma documentação oficializando a entrada. Quem disse que eu encontrava meus documentos?! Eu não podia acreditar. Preocupado comecei a revirar toda a mochila, tirando tudo de dentro, até que de algum bolso minha identidade caiu no chão. Menos mal. Seguimos andando pelos trilhos de trem, logo depois da hidrelétrica, paramos para ver uma parte de Machu Picchu! Que ainda muito longe, a uns 1000 m verticais de onde estávamos. O tempo estava ficando estranho, já havia muitas nuvens, e o calor permanecia. Não levou nem meia hora para começar a chover. Como estava calor eu não podia colocar meu anorak impermeável. Meu corta vento não suportava muita chuva que já encharcava. Resolvi então proteger a cabeça e a mochila com a própria capa de chuva da mochila.


Ao chegar a uma barraca no meio do nada, onde uma senhora vendia água e doces, parei junto com Romain e Glen para descansar e esperar o restante do pessoal. Quando todos chegaram, Mirian disse que deveríamos almoçar ali. Então todo mundo pegou o almoço preparado pela manhã por nossos ex-cozinheiros. Eu estava bastante cansado e com fome. Ao abrir a bandeja de isopor, vejo que eu não tinha talheres. Todos tinham talheres e sem perder tempo começaram a comer. Eu fiquei furioso! Estava com muita fome, e de modo algum iria comer com as mãos a comida. Num impulso guardei a comida de volta na mochila e disse ao grupo seguiria sozinho até Águas Calientes. Com chuva, cansado e com fome segui caminhando sozinho. Creio que o pessoal não entendeu minha partida.
Acho que uns 45 min depois encontrei um cachorro no caminho, a princípio ele seguiu me acompanhando sem incomodar. Até que começou a pular contra minha mochila tentando pegar a cordinha que ajusta o tamanho da capa da mochila. Uma hora ele pegou a cordinha e puxou a capa. Fiquei furioso e saí feito um louco atacando pedras nele até não mais velo. 
Enquanto eu seguia caminhando, encontrei encontrei três caras voltando de Águas Calientes, pouco depois encontrei algumas das lindas argentinas que eu tinha conhecido em Puno, ao fazer o passeio para as Islas Flotantes. Elas me reconheceram, mesmo, eu tendo trocado a pele no rosto! Haha. Não sei quanto tempo depois do almoço (que não existiu), cheguei finalmente a Águas Calientes. Exausto, com dores nos pés e com fome. Resolvi sentar num banco de frente para o amedrontador rio Urubamba. Fiquei lá, observando sua força, algo realmente impressionante. Acabei cochilando sentado na chuva! Ao acordar, segui caminhando um pouco pela cidade até encontrar uma marquise para me proteger da chuva. Não demorou muito e veio meu grupo de trekking, Mirian nos conduziu para um hostel. A primeira coisa que fizemos foi cada um tomar um banho! Ah como um banho revitaliza! 

Pisco, pisco e pisco!


Assim que ficamos prontos, saímos para comer. Almoçamos no Mercado Público, que segue aquele padrão nojento de higiene. Mas a comida era boa, comi bife a milanesa. Custou $ 7,00 soles e veio com um fio de cabelo. 
Passeando pela cidade, encontramos Mitch e Mar. Eles não fizeram este dia de trekking porque tinham um vôo marcado para o dia seguinte. Então se adiantaram e já tinham visitado Machu Picchu.
Aproveitando a companhia deles, fomos a um restaurante para um happy hour. Tomamos várias cervejas que desceram feito água! Eu já estava rindo a toa. Na hora de pagar, um grande rolo! O garçom queria cobrar %20 de gorjeta. Nós não aceitamos. Chamamos a gerência, e ela disse que deveríamos mesmo pagar 20%. Então a discussão começou! Vimos passar na frente do restaurante uma policial de turismo e fomos atrás dela. Explicamos a situação e ela nos disse que tínhamos o direito de pagar 10% e não a obrigação de pagar vinte porcento. Até a policial discutiu com a gerente. Foi um grande stress! Por fim pagamos 10% de gorjeta e partimos.
Voltando para o hostel, encontramos os argentinos que tinham feito o trekking conosco (eles eram de outro grupo). Falaram que queriam beber Pisco, e pediram se nós não queríamos dividir uma garrafa com eles. Fomos até um mercadinho de esquina e compramos o mais barato! Bebemos a garrafa inteira tomando doses dele puro. Super forte!

Dispensa comentários! 😡

Eu já tinha bebido cerveja, agora pisco. No jantar, em um restaurante, bebi mais cerveja. Estávamos todos alegres! Era o penúltimo dia que estaríamos juntos. E no dia seguinte estaríamos em Machu Picchu, uma data importante para todos!
Após o jantar, resolvemos ir para um pub, Mirian disse que conhecia um bom. Eu já tava pra lá de Bagdá! E no caminho perdi minha money belt com todo meu dinheiro! Devia ser algo como 800 dólares! O pior é que nem percebi!
Quando chegamos ao pub, Renê e Natalia vieram me entregar a money belt. Eu fiquei perplexo! Se não fosse elas minha viagem teria sido um desastre a partir desse dia. Serei grato a elas pra sempre!
No pub, bebemos muito! Eu lembro que o dono do pub só colocava música brasileira, e que paguei uma garrafa de pisco. Lembro ainda que uma hora tomei duas doses de pisco seguidas, e nem sentia o gosto. Bem, depois disso só lembro de estar chegando no quarto do hostel graças à ajuda dos companheiros de trekking. Diz a lenda que vomitei tudo no pub! Eu posso imaginar o fiasco!
Cheguei ao hostel por volta da meia noite! Detalhe, eu teria que acordar as 04:00 hs para iniciar o último dia de trekking, a subida das escadarias até Machu Picchu!


Gastos do dia:

Almoço: $ 7,00 soles
Cervejas: ???
Pisco: ???


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Glauco
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