Mochilão América do Sul – Dia 18 – Canyon del Colca – Peru

Após tantos dias dormindo em lugares ruins, dessa vez acordei completamente descansado. Era 06:00 hs quando levantei para arrumar os últimos detalhes na mochila e me preparar para conhecer o famoso Canyon del Colca, simplesmente o mais profundo cânion do mundo! Quando deu 06:30 hs, saí do quarto e pedi para a mulher que cuidava do hostel, qual era o valor da van que levava os turistas para conhecer o cânion. Ela me informou que custava $50,00 soles. Desisti da idéia e caminhei até o terminal de ônibus. Assim que abriu a guichê onde vendem o boleto turístico, surgiu uma contradição. O boleto turístico deveria custar $35,00 soles, para estudantes, a metade disso. A atendente mostrou que custava $70,00 soles. Questionei, dizendo que tinha procurado a polícia turística e eles haviam me passado que o valor era $35,00 para não estudantes.

Ela alegou dizendo que havia duplicado o valor de 2011 para 2012. Fiquei indignado! Se fosse uma correção de 10% eu aceitaria de boa. Mas duplicar é extorquir os turistas. Sem alternativa, paguei o tal boleto.Peguei um ônibus destroçado para seguir até o cânion. Esse ônibus na verdade passa pelo região para transporte local, e não com objetivo turístico, me informei e conversei com o motorista para parar no mirante. Paguei $3,50 soles pelo trajeto de bus. O ônibus partiu no horário estipulado, as 07:30 hs. A estrada que seguimos era asfaltada em determinados trechos. Cruzamos diversos vilarejos. Todos muito pobres, construção bem feita somente as igrejas (odeio isso).
Crianças trabalhavam na lavoura, bochecha vermelha e rachada do sol e vento. Mulheres carregavam enormes cestos nas costas. Não vi homens na lida do campo. Saímos do vale e iniciamos a subida de uma sinuosa estrada.A visão era pequena, havia muita neblina. Ao chegar ao mirante, não avistava absolutamente nada, o tempo estava fechado. Para ir ao mirante, não havia nenhuma catraca ou portaria. Cara, porque diabos cobram boleto para ver um cânion que você pode ver da estrada? Nem há controle! Uma farsa! Como muitas outras coisas no Peru. Se eu soubesse disso antes, tinha economizado os malditos $70,00 soles. Afinal, nem mesmo placa dizendo que deveria pagar para pisar no mirante.
Chegou um grupo de motociclistas, com suas Big Trail BWM GS de 1200 cc. Eram uns dez caras. Escoltados por uma Toyota Hilux adesivada, mostrando mapas e dando a idéia de “aventureiros ao extremo”. Aventureiros estes que tem que seguir a vontade da maioria. Que não esperam a neblina sumir antes de voltar à moto, que são antipáticos e bosais por estarem viajando com um equipamento de mais de 120 mil reais. Aventureiros que acham que é preciso somar quilômetros e não experiências e conhecimento de culturas.
Enfim, a neblina sumiu. E a visão que tive me impressionou.
Eu estava cara a cara com um cânion de 3400m de profundidade! Duas vezes mais profundo que o Grand Canyon nos EUA. Ele é semidesértico, com grande variação de cores.  Um rio serpentava as paredes do cânion lá em baixo, mesmo tão distante era perceptível que se tratava de um rio caudaloso. Começou a aglomerar turistas, desses que falam auto, esbarram em você para tirar foto. Que tiram qualquer foto de qualquer coisa a qualquer momento. Comecei a ficar agoniado ali no meio e resolvi sair caminhando pela borda do cânion. Segui sozinho. Turistas não querem se cansar para ter uma visão privilegiada. Eu decidi caminhar até não ouvir mais a papagaiada. Estava sozinho na borda. Aproveitei para tirar foto da paisagem de minha também. No modo auto-disparo, deixei a câmera apontada para o precipício e corri para uma pose em cima de uma pedra. Tropecei e quase cai no infinito. Um susto enorme!
Mas que depois se tornou uma gargalhada. Afinal, cair 3400 m não iria nem doer! Então enxerguei do outro lado do cânion um Condor (maior ave de rapina, e uma das maiores do mundo). Esse é um dos grandes momentos desse passeio. Imagine, ver uma ave de 3,5 m de envergadura plainando de um lado para o outro a mais de 4500 m é fantástico. Câmera na mão esperando um momento de aproximação da ave. Por sorte, adivinha aonde ele veio manobrar e exibir suas acrobacias? Exato, bem em cima de mim. Fiquei abismado com o tamanho. Tirei várias fotos até conseguir uma que salvasse o dia. Azar dos turistas que viram tudo de longe. Cheguei a conclusão que Condor sabe quem merece assistir de camarote. Fiquei deitado sobre uma pedra observando os rasantes, enquanto comia uns pequenos pedaços de bolo que tinha comprado por $5,00 soles durante a manhã. Chegou então um argentino. Com uns trinta e poucos anos. Era biólogo e estava equipado com uma baita câmera. Conversei um pouco com ele, enquanto ele tirava várias fotos. Ele conhecia o Brasil melhor que eu. Viaja freqüentemente ao Brasil para conhecer a flora e a fauna. Um cara gente fina, que eu deveria ter pegado o contato. Ele foi embora e eu fiquei ali cochilando. As 11:30 hs retornei ao mirante principal onde ficam os turistas e as enfeitadíssimas falsas cholas vendedoras de souvenires.

Fiquei sentado próximo a um hippie. Que viajava mendigando. Não dei nenhuma moeda a ele, pelo fato dele não fazer artesanato par vender. Sempre ajudo hippies, mas os que trabalham. Era meio dia quando chegou o ônibus. Somente eu e o hippie embarcamos. Fazendo as contas eu vi que chegaria a Chiway (3650m) tarde demais. E que pegaria o ônibus somente à noite para ir a Puno. Na volta fui observando as paisagens. Plantações, casa de sapé, telhados enferrujados. Em um pueblo, paramos em um ponto de ônibus. Tirei uma foto escondida de uma chola carregando muita carga. Tenho vergonha de tirar fotografia do sofrimento das pessoas, me sinto mal.

Ao meu lado sentou-se uma criança de uns 13 anos. As mãos eram calejadas do trabalho nas plantações. Sua bochecha era muito vermelha e rachada. Imaginei e dificuldade desse povo para viver numa região como essa. Senti pena do garoto. Cheguei a Chiway de baixo de chuva. Para piorar, eu não encontrava mais o hostel onde eu tinha me hospedado. As ruas e as casas eram todas iguais. Pedindo informação acabei encontrando.

Gastos do dia:

Desayuno: $5,00 soles
Ônibus para o cânion: 2 x $3,50 soles
Boleto turístico: $70,00 soles
Almoço: uns $10,00 soles
Ônibus par Arequipa: $13,00 soles

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Glauco
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2 Comments

  1. André Marion Reply

    Rapaz, nesse post você se revoltou hein…rsrsrs

    Olha só, o lance do boleto para o Canion se você não for pra sangalle nem precisa…Por isso que você gastou dinheiro à toa.

    Em Sangalle você não entraria sem ele nem a pau…

    To lendo seus posts e curti pacaraio! show de bola!

    1. Glauco Reply

      Me revoltei cara!
      Na real que foi a soma de acontecimentos que me fizeram desacreditar de qualquer peruano. Fiquei com uma péssima impressão deles.
      Mas reconheço que voltarei ao Peru para tentar mudar essa imagem que ficou registrada.

      Grande Abraço!

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