Mochilão América do Sul – Dia 23 – Expedição 4×4 Gêisers e Laguna Esmeralda – Bolívia

Gêiser del Sol

Com o frio intenso do deserto, levantamos as 04:30. No banheiro, que era unisex, estava a brasileira vomitando, ainda muito mal. Comi uma barra de cereal e fui para o jipe, que já estava com o motor e o ar quente ligado. As 05:00 hs iniciamos o terceiro e último dia de expedição de 4×4 pelos desertos no sul da Bolívia. A primeira parada foi nos famosos gêisers do sol, localizados próximo da divisa do Deserto de Salvador Dali com o Deserto do Atacama. Uma das regiões mais áridas do planeta.

Chegamos a esses surreais “suspiros do planeta” quando o sol estava nascendo. Foi simplesmente fantástico. O frio era terrível, mas a vontade de chegar perto dos buracos que exalavam com pressão gases que chegavam a chiar, era muito grande. O cheiro de enxofre era predominante. Embora nos foi recomendado não chegar tão próximo das crateras, eu não resisti. Nesses momentos únicos em nossa vida temos que aproveitar. Até onde meus olhos enxergavam, via a terra borbulhando e cuspindo suspiros de gases a alta temperatura e pressão. Fui um dos mebros de expedição que ficou desde que chegamos a té a hora de partir fora do jipe. A maioria só bateu umas fotos e voltou para o ar quente do carro. Realmente estava muito frio, e quem não estava com roupa de montanha não conseguia suportar.
Seguimos então para o local do café da manhã. Em frente a área onde nos foi servido um farto desayuno, estava uma piscina de águas termais. Comi muito, tomando uns 3 copos de iogurte, um copo de achocolatado e três enormes bolinhos de bolera. O pessoal resolveu se banhar nas águas quentes da piscina. Eu não estava com disposição para tirar a roupa a 5ºC e entrar na piscina a 40ºC. Já tinha feito isso no Peru e desde lá fiquei meio doente.
Uma garota de nosso jipe resolveu ficar na piscina enquanto nós seguimos para visitar a Laguna Esmeralda com pano de fundo o Vulcão Lincancabur. 
Nosso 4×4 Land Cruiser

Sem dúvida, a paisagem desse lugar foi uma das mais belas que já vi na vida. A laguna é muito bonita, e o vulcão, com somente seu cume coberto por neve tornam a paisagem surreal. Me senti anestesiado enquanto admirava a beleza ao meu redor do deserto. O vulcão Lincancabur é a divisa entre a Argentina, Chile e Bolívia. Estávamos a apenas 40 km de San Pedro de Atacama. Lembrando que o Deserto de Siloli faz parte do Deserto do Atacama. Enfim, fui dominado por uma vontade de um dia voltar para aquele lugar e escalar o Lincancabur. Infelizmente estávamos em uma zona de conflito militar, em que o Chile e a Bolívia estão travando uma disputa por território. Infelizmente o Chile já tomou a parte norte do Atacama da Bolívia, e agora tenta também conquistar o sul. Nosso guia nos informou que é perigoso e proibido se deslocar pelos desertos daquela região à noite.

Por La Carreteeera!
Voltamos para as águas termais, pegamos a garota tínhamos deixado lá e iniciamos o retorno para Uyuni. A paisagem foi em toda sua extensão bonita. Nosso guia estava com um pouco de pressa, e por três vezes quase perdeu o controle do carro enquanto estávamos em alta velocidade. Em uma das vezes saltamos com o nosso 4×4. E as garotas que estavam sentadas na terceira fila de assentos bateram a cabeça no teto. Pedimos para o guia ter mais cuidado.
Víamos muitas cruzes de pessoas que perderam a vida fazendo essa expedição. Em um local vimos 5 cruzes de israelenses que perderam a vida num acidente de um 4×4 como o nosso. Antes de viajar, li um relato de brasileiros que estavam em um jipe que capotou nessa fazendo essa travessia de desertos.
Laguna Esmeralda e Vulcão Lincancabur

Paramos para almoçar pouco antes de começarmos a passar por pequenos vilarejos. Almoçamos atum com arroz e legumes. Logo adiante, um pneu do nosso jipe, que era “careca”, furou. O motorista colocou o estepe, que era ainda mais careca e estava um pouco murcho. Fizemos esse último trecho em velocidade menor, para nossa segurança.

As 16:00 hs chegamos novamente a Uyuni. Eu já tinha comprado a passagem para Villazón, cidade no extremo sul da Bolívia, divisa com La Quiaca, Argentina. Deixamos os três argentinos no hotel deles. Eu, Carla e Martín pegamos a mochila deles na agência em que compramos o passeio. Aproveitei para escrever na parede da agência, num mural, as minhas impressões em relação ao passeio. A dona da agência ficou super agradecida, fiz questão de escrever em português e desenhar logo abaixo a bandeira do Brasil, como uma recomendação para os brazucas que ali passarem.. Posteriormente fomos para o centro. Comemos um lanche e visitamos o mercado público, para comprar Quinoa. Comprei meio quilo de Quinoa, grão tipicamente andino, muito saboroso e nutritivo.
A galera no Deserto de Dali
Mais tarde, as 18:00, me despedi dos meus amigos argentinos e embarquei em um ônibus outdoor, que tinha o assoalho a 1 m do chão. Isso para você imaginar como é a carretera que liga Uyuni a Villazón! Combinei de me encontrar com Martín e Carla em Villazón, para juntos entrarmos na Argentina.
Meu assento era na segunda fileira. Eu estava muito cansado, pois acordara as 04:30 da manhã e passara o dia inteiro viajando. Mas, não podia eu imaginar a noite difícil que teria pela frente.

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