Mochilão América do Sul – Dia 24 – De Uyuni à Humauaca – Argentina

A charmosa Humauaca
Eu já sabia que essa viagem para Villazón seria difícil. Só por ver a altura do ônibus em relação ao solo já imaginei as condições da estrada. Durante a noite tentei encontrar uma posição melhor para dormir, o acento muito macio me causava dores. Há cânions de grande profundidade logo ao lado da rodovia,  ônibus seguia lento e cachoalhando muito. Saber que o motorista seguia sozinho na cabine me causava certa angústia.
Era 04:30 da manhã quando cheguei a rodoviária de Villazón. Martín e Carla já haviam chegado, embora o ônibus deles tenha partido uma hora depois que o meu! Sempre sou aquele que está do lado do azar! haha
Em um grupo de 20 mochileiros, seguimos caminhando pela perigosa e feia Villazón em direção à fronteira com a Argentina. O motivo pelo qual seguimos juntos era o perigo de ser assaltado. Esperamos a fronteira abrir, passando muito frio. Villazón fica a 3500m de altitude, então você pode imaginar como faz frio durante a madrugada. Esperamos até as 06:30 hs para então a fronteira abrir e podermos declarar a saída da Bolívia. Eu estava doente, todos os sintomas de sinusite. Desde o dia que fui ao médico no Peru, não consegui me recuperar direito. Ao formar uma fila para declaramos a saída, levei uma bronca desnecessária de um guarda do exército por estar uns 30 cm deslocado da fila, sério, foi só esse “tantinho” mesmo. Acabei retrucando dizendo “- O país é bagunçado por inteiro e na saída querem impor ordem.” – por sorte resmunguei em português e só meus amigos argentinos entenderam o sentido da frase. O guarda permaneceu me intimidando e só me senti a salvo quando carimbaram meus documentos de saída do país!
Para declarar a entrada na Argentina houve um pouco de tumulto, mas deu tudo certo. Seguimos alguns metros do posto militar e deixei minhas coisas com o Martín. Eu e Carla voltamos à Bolívia para fazer compras. Comprei um casaco de lhama, chaveiros e alguns pacotes de folha de coca, embora seja proibida na Argentina e no Brasil, eu queria levar. Acompanhei Carla nas compras que ela queria fazer e então troquei alguns dólares por pesos argentinos.
Voltamos ao encontro de Martín e fomos à rodoviária. Pegamos um ônibus para Humauaca, cidade no norte da Argentina. Para a continuidade de meu azar, eu não tinha poltrona,- embora tivesse a passagem –  causei ainda uma discussão com o cobrador que queria que eu pagasse uma passagem inteira. Eu paguei, mas estraguei o dia dele logo as 08:00 da manhã, dizendo umas poucas e boas. E os argentinos me apoiaram, amo argentinos!
Seguimos viagem e eu fui dormindo sentado no corredor, nariz congestionado, vários dias sem banho (acho que 3) e dor de cabeça. Chegamos à Humauaca e custamos a encontrar um hostel com vagas. À duas quadras da praça principal ficamos em um hostel por AR$40,00 pesos. Saímos para almoçar e logo depois retornamos ao hostel. Martín e Carla ficaram em um quarto de casal e eu no comunitário. A primeira coisa que fiz foi tomar um banho! Levei um susto ao tirar minhas botas. Acho que meus pés estavam entrando em decomposição. Depois de mais de quase 48 horas com botas, apareceram umas partes de pele quase morta. Nojento! Descobri também que se há algo que te faz tornar-se outra pessoa é um bom banho quente! Me senti novo!
Vida de mochileiro não é fácil!
Arrumei minha mochila, separando as roupas sujas das limpas e da quantidade enorme de folders desnecessários. Martín e Carla resolveram dormir um pouco e eu resolvi caminhar pela cidade. A praça de Humauaca é pequena e muito movimentada, muitos estudantes de Buenos Aires vem viajar de mochila para o norte argentino, por ser mais barato. Eu nunca vi tantas argentinas lindas como lá. Eram todas bronzeadas do sol, por esta ser uma região desértica o sol é forte. Os cabelos repicados e com enfeites cuidadosamente colocados. Roupas diferentes, sorrisos sinceros e mate na mão. Outros detalhes observados não convém postar aqui.
Caminhei bastante e não encontrei lugar para fazer câmbio, eu tinha me esquecido que na Argentina você não troca moeda em qualquer esquina como na Bolívia. E em Humauaca só faz câmbio o banco! Como era domingo, tive que convencer dona de uma farmácia a fazer câmbio pra mim, e ainda assim perdi muito dinheiro. Voltando ao hostel, conheci um carpinteiro, da Inglaterra. Estava morando na Argentina há alguns meses. Ele era vegetariano e um sujeito bastante estranho. Conversávamos uma mistura de espanhol e inglês. Na área comum do hostel ainda, juntou-se a nós o proprietário do hostel. Um Sr. buena onda que não se intimidou em dizer que ganhava muito dinheiro com o hostel.
Saí mais uma vez, nessa para comprar comida. Me absteci com 5 pães, duas latas de sardinha e uma garrafa de um suco concentrado de frutas cítricas. Martín e Carla acordaram só no final da tarde e saíram para comprar suas passagens para Iruya, eu já havia comprado a minha durante o dia. Estava descansando no quarto quando apareceram duas argentinas lindíssimas! Como toda argentina, elas falavam alto e me acordaram. Quando viram que acordei, elas pediram desculpas. Claro que não me senti incomodado por ter sido acordado por duas deusas.
Elas arrumavam sua mochila porque na manhã seguinte também iriam embora de Humauaca. Arrumavam suas mochilas sem curvar as pernas, e usando calça leg.!Pensei comigo: “- Elas não sabem a maldade que estão fazendo!”. Minha nossa, todos sabem que Bolívia e Peru nããão é reduto de mulheres bonitas. E eu já não via nada parecido há algum tempo. Numa conversa descontraída, elas me falaram que eram bailarinas e estudantes de BsAs. Então entendi como conseguiam arrumar a mochila sem curvar as pernas, e percebi que talvez não tenha sido para impressionar. Dormi como uma pedra!
Gastos do dia:
Casaco de lã de lhama: AR$ 50,00 pesos
Folhas de coca: BOL$ 10,00 bolivianos
Passagem La Quiaca – Humauaca: AR$32,00 pesos
Passagem Humauaca – Iruya: AR$ 28,00 pesos

Diária do hostel: AR$40,00 pesos
Almoço: AR$20,00 pesos mais ou menos
Pães, sardinhas e suco: AR$15,00 pesos

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Glauco
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