Mochilão América do Sul – Dia 26 – Hiking à San Isidro – Argentina

Go hiking!
As 07:00 hs me encontrei com Martín e Carla para iniciarmos o hiking. Ao sairmos do hostel, Martín me lembrou que era aniversário de Carla. Eu quase morri de vergonha! Tenho o péssimo hábito de esquecer dos aniversários! Todo sem jeito desejei a ela um feliz aniversário, pedindo desculpas pelo esquecimento.
Como estávamos sem mapa, caminhamos até onde vinha o rio de dentro de um cânion, 3 km. Ali encontramos a trilha e seguimos margeando o rio. Para atravessar, tirávamos os calçados confortáveis e colocávamos outro para pisar na água e atravessar o rio. A água batia até o joelho, muito fria, pois era água de desgelo. Um cachorro acompanhava-nos.
Como conheço rio pelo fato de praticar caiaque extremo, ajudava Martín, Carla e o cachorro a atravessarem o rio, e eu sempre era o primeiro a atravessar. Esse cânion em que estávamos é de terra muito vermelha. Muito seco. Seguíamos caminhando sobre as pedras e atravesando o rio por diversas vezes! Eu estava super aclimatado com a altitude, já Carla sofria um pouco. Paramos para um lanche e enquanto comía-mos, vimos uma trilha secundária que aparentemente seguia também rumo a San Isidro. Passou um morador local e pedimos se realmente era possível chegar a San Isidro por ela. O carregador confirmou.
Enquanto saíamos da trilha principal, que segue margeando o rio, vimos um grupo de caminhantes vindo com um guia. Me senti aliviado por não estar sendo guiado, e sim guiando. A trilha que pegamos seguia pelas paredes do cânion, um caminho bonito, passando por bosques, pequenos riachos, casas de moradores locais, plantações de subsistência e até pontes improvisadas. Carla estava bastante cansada, paramos algumas vezes para ela descansar. Essa caminhada de Iruya à San Isidro é de 8 km. Parece pouco, mas considerando que tem que atravessar várias vezes o rio, caminhar em piso completamente irregular, tudo isso estando a 3 mil metros de altitude, não é fácil!
As 10:00 hs chegamos à San Isidro. Antes de qualquer coisa procuramos um local para Martín e Carla se hospedarem. Eles iriam passar a noite em San Isidro e eu voltaria a Iruya.. Encontramos uma pousada no alto da montanha, um bom lugar. Depois disso fomos almoçar. Em uma casa muito simples, comemos empanadas frita na hora. Eu não tinha muito tempo para passar com eles. As 11:00 hs me despedí dos dois. É um pouco difícil se despedir de amigos que fazemos durante as viagens. Eu já estava com a companhia de Martín e Carla há 6 dias e estava habituado ter eles por perto. Já fazíamos brincadeiras e provocações de velhos amigos. Eu estava no fim de minha viagem, portanto, a saudade de casa já estava batendo. Depois de me despedir dos dois, chamei o cachorro para retornar comigo até Iruya, mas ele não quis. Desci até o rio, atravessei a ponte, e na curva de onde era possível ver pela última vez San Isidro, parei e olhei para trás,  estava Martín acenando. Levantei os braços me despedindo.
 Segui caminhando calado, pensativo. Caminhava rápido, queria estar logo na estrada de novo, vendo as paisagens passar da janela do ônibus. Coração estava apertado, estava sozinho no meio do nada mais uma vez.
Tirei algumas fotos na volta, seguindo por um caminho ainda mais alto e ao lado de um desfiladeiro. Encontrei pessoas seguindo a San Isidro, mulas, carregadores. Eu era o único a estar caminhando sozinho por lá. Em um local encontrei vários estudantes parados na beira do rio analisando por onde atravessar, estavam com medo. Tirei minhas botas, calcei meu all-star made in Bolivia e atrvessei sem nem parar para olhar. A galera ficou boque-aberta. Dei apenas um “Hola, buena caminata!” e segui meu rumo.
Debaixo de um sol extremamente forte, cheguei a Iruya, duas horas e 10 minutos após deixar San Isidro.
Fui até o hostel, arrumei minha mochila, deixei um bilhete na mochila de Martín e Carla (sempre faço isso quando deixo pessoas que vou sentir saudades) e segui para a praça.
Sentado em frente a igreja, escrevendo em meu diário, fiquei observando as pessoas dançarem e cantarem. Jovens estudantes argentinos, lindas argentinas de cabelos com dread, , pulseiras e brincos artesanais. Tocavam instrumentos incomuns, uma energia fantástica!
Embarquei no ônibus deixando já com saudades, Iruya para trás.
Cheguei no fim da tarde em Humauaca, por 15 minutos eu perdi o ônibus que foi para Salta. Comprei passagem para  próximo ônibus. Porém, iria sair somente as 10:40 hs! Para passar  tempo, comprei lanches para a viagem e jantei na padaria em frente ao hostel que tinha me hospedado dias atrás. Fui a praça e encontrei um artista de rua, apresentando arte circense. Foi uma hora e meia de um ótimo espetáculo. Dei muitas gargalhadas. Dei dois dólares para o artista. Como eu era o único estrangeiro na arquibancada, quando ele recebeu os dólares agitou tanto que fiquei envergonhado.
Após o espetáculo, fiquei caminhando pela cidade. Até mesmo deitado na grama eu esperei o tempo passar.
Embarquei as 22:40 hs em ponto. A partir de Humauaca, eu seguiria direto para o Brasil, sem parar para dormir em albergues. Mais de 2000 km de rodovias eu ainda teria pela frente!
Antes de dormir, tive um pouco de dor de cabeça.
Gastos do dia:
Passagem Iruya – Humauaca: AR$: 28,00 pesos (empresa Iruya Transportes)
Passagem Humauaca – Salta: AR$: 93,00 pesos (empresa Balut)
Comida: mais ou menos AR$: 25,00 (bolachas, lanches, café e suco)

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Glauco
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