Mochilão América do Sul – Dia 5 – Conhecendo Tiwanaku – Bolívia

Acordei e a primeira coisa foi ver como estava meu rosto. E para minha decepção, estava mais vermelho. Não tive outra escolha, fui obrigado a colocar a mesma touca e os óculos do dia anterior, porque estava marcado de branco meu rosto no local onde não queimou. Desci para saber onde é o desayuno e acabei encontrando uma brasileira. Ela não estava falando em espanhol com o táxi, fui ajudá-la. Não lembro o nome dela, mas me disse que iria para Tiwanaku. Disse, ta afim de dividir o táxi? Ela aceitou.
Fomos até o cemitério na parte mais alta de La Paz. Pagamos 15 Bs cada um. Lá ela foi negociar uma van para ir até Tiwanaku. Falando só em português e ainda usando um monte de gírias paulistas, óbvio que os bolivianos atolaram a faca. Pediram 400 Bs para levar nós dois até Tiwanaku. Peguei minha tabela de preço e vi que estava completamente errado. Disse a ela que deixasse eu negociar a próxima van. Resolvi andar uma quadra e pouco à direita do cemitério. Então encontrei mais algumas vans paradas. Pedi em espanhol para o senhor que estava no volante quanto custaria levar duas pessoas até próximo de Tiwanaku. Ele disse: 10 Bs por persona.
Fechou! Falei pra garota.
Antes de a van partir, ainda fui a uma farmácia e comprei uma pomada para passar no rosto, e aliviar a sensação de calor. Paguei algo como 30 Bs pela pomada. Na van que fomos, éramos só nós dois de turista, todos os outros eram bolivianos. Tinha umas cholas daquelas bem típicas mesmo. Ao contrário de que escutei falar, estas não fediam. Até Tiwanaku seria duas horas de van. Como não tinha comido nada ainda, resolvi comprar pão que umas cholas vendiam na beira da estrada. Comprei 4 pães por 2 Bs. Eu não tinha nada para passar no pão, porém fui comendo aos poucos do mesmo jeito. Eram pães que ainda não conhecia, tinha um sabor levemente adocicado.
A van parou no acostamento da carretera, e nos deixou em frente a um monumento. Uma placa indicava para deveria seguir rumo a Tiwanaku. Caminhamos uns 10 min por uma estrada de asfalto, passando ao lado de casas de adobe. Chegamos a um portal onde dizia Tiwanaku. Tiramos algumas fotos cada um e então chegou um casal. Eram bem vestidos e viajavam de carro. Convidaram-nos para seguir com eles até Tiwanaku, claro que não negamos a carona. Os dois eram advogados e moravam em Santa Cruz de la Sierra, estavam viajando a passeio. Foi a única vez que andei num carro boliviano novo e sem estar danificado.
Fomos com o casal até o museu. Na entrada do museu comprei monólitos e miniatura. São pequenas estátuas réplicas das que são encontradas em Tiwanaku. Paguei a entrada no museu, 80 Bs (sem desconto para estudante) e ainda eu e a paulista dividimos o valor do guia. O guia custou 40 Bs cada para um. O casal boliviano continuou com a gente na visitação do museu. Enquanto explicava detalhadamente nosso guia, chegou uma francesa e pediu se podia escutar as explicações do guia colaborando também no pagamento, claro que aceitamos.
O museu tem muitas peças de cerâmica. É possível perceber a evolução dos povos Tiwanacotas através do melhoramento no acabamento e inclusão de detalhes nas cerâmicas que faziam. O que mais me chamou a atenção foi o manuseio com os metais. Elementos de metais fundidos muito rudimentares, ainda que uma geometria não perfeita, imagino eu a dificuldade para fazer um utensílio daqueles, numa época tão remota. Os tiwanacotas foram um dos povos mais antigos do mundo (1580 a.C.). Mais antigo que os gregos, que Buda, que Astecas e Mayas.
De uma forma bem sucinta, eles foram a civilização que deu origem aos Incas. São chamados de povo pré-incaicos. Tiwanaku foi o primeiro estado da América. Possui 100 mil habitantes. No centro da cidade imperial havia uma pirâmide de três patamares, totalmente destruída pelos espanhóis para construção de igrejas. Em Tiwanaku foi encontrada muitas múmias, sepultadas dentro de vasos ou na terra, em posição fetal, acreditando que nasceram dessa forma e assim renasceriam em outro mundo. Os tiwanacotas dominavam uma grande parte do altiplano. Foram encontrados inclusive restos de animais marinhos do pacífico, sinal que eles também curtiam mochilar. A civilização se acabou por falta de comida, por volta de 1200 d.C.
Dividiram-se em vários grupos e se espalharam pela América. Depois de conhecer a parte de artesanatos e utensílios dos tiwanacotas, visitamos a sala onde esta o maior monólito já encontrado. Ele mede 8 metros de altura. É o monólito que eu tanto procurava, quero tatuá-lo na minha perna. Monolito Bennett.
Um dos momentos mais emocionantes da visita a primeira cidade plana do América, foi quando o guia colocou o celular atrás de um furo de uma pedra. O som foi multiplicado muitas vezes. Como era música típica, ficou uma sensação incrível. Veja no vídeo.
Nos despedimos do casal boliviano, que me entregou um cartão pedindo que se precisasse de qualquer coisa se eu estivesse em Sta Cruz, deveria procurá-los. Casal buena onda.
Junto com a paulista e a Elise (francesa) e uns amigos dela que conhecemos, fomos para a praça do povoado para almoçar. Almoçamos no restaurante do hostel onde eles estavam hospedados. Paguei 12 Bs por um almoço que veio entrada, prato principal e sobremesa. Uma bagatela!
Comprei ainda uma água de 1,5 L. Curioso foi ver a francesa tentando comer gelatina. Não existe gelatina na França, e ela fazia um esforço imenso para tentar engolir, até que desistiu!
Pegamos duas vans para voltar para La Paz, uma custou 7,00 Bs, até El Alto, e outra por 2,00 Bs de El Alto até La Paz. A Francesa e os dois amigos delas desceram da van antes que nós, peguei o e-mail dela antes de me despedi. Logo depois eu a paulista desembarcamos. Estávamos bem no centro de La Paz, e pedindo informação encontrei a rua do hostel em que eu estava hospedado. Na agência ao lado do hostel, comprei o passeio de Down Hill no Camino de La Muerte. Foi por pouco que não perdi o horário. Paguei 400 Bs. A paulista comprou passagem para Copacabana. Fomos para o hostel e encontramos  duas brasileiras. Combinamos de nos encontrar para jantar. O nome dessas duas brasileiras é Natália e Paula. Elas queriam saber como é subir o Chacaltaya, então queriam que eu contasse.
Fui para o quarto, tomei um banho, derrepente aparece um dos mineiros que subiram comigo o Chacaltaya, tava tão queimado quanto eu. Contou-me que um deles queimou os olhos, e ficou cego a noite. Tiveram que levar ele para o hospital. Tenso. Desci para ver como estavam, hahah só pra rir, eu e eles estáva-mos parecendo da mesma espécie. Todos queimados com marca de touca e óculos! Me chamaram para beber algo mais tarde no bar do hostel, mas disse que iria jantar com as minas. Na recepção do hostel as garotas decidiram que iriam é beber mesmo. E fomos todos para o bar. Lembro de ter tomado uma garrafa de Cordillera e uma de Paceña. Conheci 6 lindas brasileiras, que estavam isoladas num canto. Fiquei um bom tempo conversando com elas. Primeiro mochilão delas, estavam cheia de dúvidas. E por estarem em seis, já estavam tendo conflitos haha. Fui dormi meio louco.

Gastos do dia:
Taxi: $15,00 Bs
Van para Tiwanaku: $10,00 Bs
Pomada para a pele: $30,00 Bs
Pães: $2,00 Bs
Monolitos (souvenir): $10,00
Ticket Museu: $80,00 Bs
Guia do Museu: $30,00
Almoço: $12,00 Bs
Van para La Paz: $9,00 Bs
Cerveja Paceña: $12,00 Bs
Diária do hostel: $55,00 Bs

blogger_blog:
www.mochilandosemfronteiras.com
blogger_author:
Glauco
blogger_permalink:
/2011/12/dia-5-la-paz-tiwanaku.html
blogger_internal:
/feeds/3390010519359174826/posts/default/4166014673371846250
geo_latitude:
-16.551991
geo_longitude:
-68.678818
geo_public:
1
geo_address:
Tiwanaku, Bolivia
custom_total_hits:
000000139

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *