Mochilão Monte Roraima – Dia 5 – Tepequém à Boa Vista – Brasil

Acordei muito cedo, acho que era 04:30 hs. Com muito sono e preguiça, tirei tudo de dentro da barraca e comecei a desmontá-la. Ainda estava escuro, por isso usava head lamp para facilitar. Depois da barraca estar guardada, era hora de organizar tudo na mochila, ainda no escuro. É um serviço chato que qualquer mochileiro odeia fazer, sobretudo no escuro!
Procure em um mapa onde fica esse lugar.
Você vai se assustar!
Conferi se não havia esquecido nada no gramado e fiquei esperando o “Pezão” vir de moto me buscar. Quando ele chegou, com sua XLR 125cc, só dei um berro me despedindo do Juan. – Tchau Juan! Que tengas una buena viaje, nos vemos en la Patagónia!
Ele respondeu feliz: – Hasta luego amigo! Que desfrute del Roraima!
Subi na moto do Pezão e seguimos rumo à serra.
Avisei ele para ir devagar, pois não tenho o hábito de andar de moto, muito menos com uma mochila de 15 kg nas costas!
Antes mesmo de chegar à serra, já percebi que a corrente estava muito solta e que as pastilhas chiavam mais que leitão antes de ser abatido. Eu estava com medo!
Mas ocorreu tudo bem, próximo das seis da manhã chegamos na bifurcação Tepequém/Trairão. O Pezão me disse que logo o ônibus deveria estar chegando. Paguei os R$ 10,00 a ele, agradeci por ter me trazido e disse que o recomendaria aqui no blog.
Pezão seguiu de volta à Tepequém, e eu fiquei ali esperando o ônibus. Quando deu 06:30 hs, me lembrei que era natal! Imediatamente pensei: F#d%#! Lembrei-me dessa mesma situação um ano antes, em Assunção – Paraguai. Não havia ônibus e eu tinha que ir para o aeroporto. Naquela ocasião, consegui carona e não perdi o voo.
O problema, que diferente do Paraguai, aqui não era uma avenida movimentada, e sim uma estradinha de interior que não passava nem um carro!
Deu 07:00 hs, o sol já tinha nascido, o calor já estava incomodando e nem um carro tinha passado! Esse é um momento agoniante. Eu não tinha sombra por perto, portanto tinha que me esconder na sombra da placa de trânsito, para me proteger do sol. Vi então o Sr. Cobrão, aquele que eu tinha conhecido no dia em que cheguei à Tepequém. Falei com ele se não viria ônibus. Ele disse que deveria passar. Mas de qualquer forma, se visse algum carro, falaria para me darem carona. Cobrão estava indo para uma fazenda e como todos conhecem ele, fiquei com esperança dele arranjar uma carona pra mim.
Aos poucos começaram a vir carros, todos em direção a Tepequém. Nenhum no sentido que eu queria ir. Às vezes vinham motos sentido Brasília (município perto dali), mas sempre em duas pessoas. Então veio uma L200 branca, acenei pedindo carona e pararam. O carro estava lotado, mas na caçamba, em cima de todas as bagagens, o motorista disse que eu poderia seguir. Agradeci e subi na picape.
Foram cerca de 50 km, alguns buracos e muito sol. Eu tinha que me segurar para não voar da picape quando o motorista desviava dos buracos. Também tinha que desviar do vômito do garoto que jorrava pela janela. O coitado passava mal com as curvas e eu com a possibilidade de levar um daqueles jatos. Que aventura!
Chegamos à Brasília, era o destino final da família, mas não o meu. No posto de combustível, pedi se tinha algum transporte para Boa Vista. Me falaram que tinha táxi. Velho, táxi?! Como eu pagaria 150 km de viagem num táxi?
Não é fácil pegar carona em uma rodovia como essa!
Comprei dois picolés, porque o calor estava um absurdo, e segui caminhando pelo vilarejo. Eu realmente era um ET ali. Parei num mercadinho para comprar bolachas e um suco natural de caixinha. Contei meu problema para a dona do mercado. Ela disse que a filha estaria indo para B.V. e se sobrasse espaço me daria carona. Como eu tinha que esperar, comprei um caderno e uma caneta e comecei a escrever o diário dessa viagem.
Sentado naquelas cadeiras com mesas de cerveja, escrevendo meu diário, começou a aparecer curiosos. Bêbados, religiosos, crianças indígenas. Todos querendo também contar uma viagem que fez, um lugar que esteve, ou algum mito local. Para duas lindas indiazinhas de uns 7 anos, estiquei o braço oferecendo Halls. Elas vieram e pegaram a embalagem inteira hahaha. Eu ri de mim mesmo.
Quando deu 12:30 hrs, a dona do mercado disse que a filha dela estava partindo e que tinha uma vaga no carro. Falou que a filha cobraria R$ 20,00. Ou seja, nada mais justo. Entrei no Pálio, estávamos em 5 pessoas.
A viagem até Boa Vista foi tranquila, exceto pelo som auto tocando algum ritmo do tipo axé.
Chegamos a B.V. próximo das duas da tarde. Me deixaram na rodoviária e partiram. Eu segui pelas ruas próximas procurando algum hotel barato, e encontrei por R$ 40,00. Tomei banho, lavei a roupa e fui procurar alguma lan house. Eu precisava saber direito quando começava meu pacote de viagem ao Roraima. E essas informações estavam em meu e-mail. Não encontrei lan house nem restaurantes abertos. Peguei um táxi para a o shopping, mas estava fechado, foram R$ 30,00 jogados fora. Comecei a ficar irritado. Uma cidade de 270 mil habitantes e eu não encontrava nem lan house, nem um restaurante aberto. Não teve jeito, tive de jantar na conveniência do posto de combustível. Fui dormir decidido que no dia seguinte teria de abrir meu e-mail em algum lugar.
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Glauco
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