Mochilão Monte Roraima – Dia 6, 7 e 8 – Boa Vista – Brasil

Logo no início da manhã, saí para procurar uma lan house. Encontrei uma próxima a rodoviária. Chequei meu e-mail e vi que já poderia fazer  check-in no início da tarde no Aipana Plaza Hotel. Como teria o dia livre, resolvi gastar duas horas na lan house, dar informações para a família e tomar notícias dos últimos acontecimentos. No google maps localizei o hotel, e decorei o caminho que deveria seguir. Eu não estava disposto a gastar mais com táxi.
Deixei a lan house e voltei para o hotel que eu estava hospedado. Arrumei a mochila e fiz o check-out. Voltei para avenida em frente à rodoviária para almoçar, dali eu seguiria para o Hotel Aipana, caminhando.
Comi um saboroso PF, que junto com a Coca-Cola me custou R$ 15,00. Um bom prato.
Quando estava acabando de almoçar, vi um mochileiro vindo. Até então eu era o único provavelmente o único mochileiro Boa Vista! Ele veio para o restaurante em que eu estava. Cumprimentamo-nos.
Ele pediu de onde eu era e para onde estava indo. Falei que era de Santa Catarina e que estava em Roraima porque faria o trekking ao Mote Roraima. Disse também que já tinha estado uns dias em Tepequém.
Ele então falou espantado: – Então era você que esteve em Tepequém e foi para a Serra sozinho?
Eu mais espantado ainda: – Como sabe?
Então ele contou que mora em Tepequém, justamente seguindo a trilha que eu vi perto da cachoeira da Barata. Ouviu comentários que tinham dois mochileiros acampados próximos ao mercado do Chico Dólar.
Fiquei surpreso por encontrar alguém em Boa Vista, a 200 km de Tepequém, e que soubesse de minhas andanças por lá.
O mochileiro se chama Norton Luís de Oliveira, carioca. Um cara gente finíssima, ermitão, e que é apaixonado por esportes radicais. Já foi guia de rafting, instrutor de rapel e agora se dedica a uma vida mais “natural”. Conversamos um bom tempo sobre as possibilidades de explorar melhor turisticamente a Vila Tepequém. Norton contou as dificuldades que encontra por conta da falta de incentivo da prefeitura e pela localização do estado. Comparado a outros estados, o turismo estruturado está muito, muito longe de se tornar realidade. Tepequém, talvez daqui 20 anos – ele me disse. E eu concordo com ele!
Me despedi do Norton, deixando meu contato.
A caminhada para o Hotel Aipana foi super quente! O sol estava de rachar. Seguindo pelo canteiro central da avenida, eu era alvo de olhares curiosos. Definitivamente não há mochileiros em Boa Vista, algo super raro em capitais brasileiras!
Quando cheguei à grande praça central de B.V. vi o Aipana Plaza Hotel. Super chique! Localizado em frete a praça central. Ao redor da praça, há diversos orgãos públicos como tribunal e também o Palácio do Governo! Ou seja, eu tava hospedado de graça* em um hotel chique, no coração da cidade, e chegara empoeirado e suado, com bota e mochila nas costas!
Entrei meio sem jeito no hotel. As pessoas ficaram olhando meio desconfiadas.
Deram-me a chave do quarto. Para minha surpresa, era uma suíte para duas pessoas de frente para a piscina. Imediatamente tomei um banho e saí para conhecer o centro. Andei bastante por toda a redondeza da praça, conheci um comércio popular chamado Caxambú (?) e depois voltei para o hotel para escrever no diário.
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As duas da madrugada chegou o Ralf. Um  alemão na qual eu já estava informado que deveria chegar de madrugada. Ele falava pouco português, nos apresentamos e sem cerimônia voltei a dormir. Acordamos as 7:00 hs. As 08:30 – se não me engano – tínhamos o briefing da expedição. O café da manhã foi farto, uma mesa com uma variedade enorme de frutas, queijos, pães, sucos e iogurtes nos esperava. Eu há tempo não me alimentava tão bem. Realmente pensei nos dias difíceis que teria no trekking e não tive vergonha de encher o prato várias vezes.
Na área de espera do hotel fiquei esperando dar a hora do briefing. Conheci alguns trekkers nesse tempo. Na hora de começar o briefing fui informado que meu grupo de trekking era o do dia seguinte, e que meu briefing também ocorreria no dia seguinte. O Ralf teria nesse dia o briefing.
Passei o dia caminhando pela cidade, fui até um píer sob o rio, fiz compras de artesanatos no centro de artesanatos de B.V. fui ao mercado comprar janta e de noite retornei para o hotel.
 Lá pelas 20:00 hs o Ralf chegou. Numa mistura de inglês e português conversamos sem grandes dificuldades. Ele me disse que estaria no meu grupo de trekking. Reclamou que no grupo do dia tinha muitos ingleses e ele queria um grupo com mais brasileiros.
Fomos dormir por volta das 23:00 hs. Detalhe, ele pediu para eu não ligar o ar condicionado, porque lhe fazia mal. Fazia 38ºC naquela noite.
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Acordamos as 07:00hs. Fomos tomar o café da manhã, que como no dia anterior estava ótimo! Então fomos para área de espera conhecer o pessoal do trekking antes do briefing. Foi fácil reconhecer quem iria fazer o trekking. As roupas denunciavam.
Conheci ali uma galera do estado de São Paulo, o Antonio e a Elaine, a Valéria (que tinha vindo sozinha), a Má e a Jandira do litoral de SP, a Mayara que também tinha vindo sozinha, porém de Brasília e ainda o Daniel, Andréa e a Fabiana. Que estavam fazendo a essa trip a trabalho (repórter, fotógrafos e redatores) para a revista RED Report, da TAM!
O briefing foi descontraído. Vimos um vídeo do Monte Roraima, que deixou todo mundo arrepiado. E acertamos os detalhes em relação à logística. Eu era o mais novo do grupo, e o único que faria todo trekking levando o equipamento completo na mochila, sem uso de carregadores e montadores de barraca.

Após o briefing, saímos para dar uma volta na cidade. Fomos até o píer sob o rio e depois almoçar. Durante a tarde ficamos na piscina relaxando e conversando sobre as expectativas para o trekking.

No final da tarde, fizemos um passeio de barco no rio. Aonde vimos um lindo pôr do sol – com uma ponte atrapalhando a paisagem – que valeu a pena.

Fomos dormir cedo, pois teríamos que acordar de madrugada no dia seguinte para seguir rumo à Venezuela. Demorei a pegar no sono, estava ansioso pelo início do trekking e feliz por estar me livrando da monotonia insalubre de Boa Vista.
*ganhei essa viagem da Revista Go Outside e da agência Pisa Trekking
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Glauco
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