Mochilão América do Sul – Dia 6 – Downhill Estrada da Morte – Bolívia

Era 05:30 hs quando acordei. Tinha dormido bem, só acordei uma vez de madrugada quando as suíças chegaram bêbadas as 02:00 hs. Como elas deixavam tudo jogado pelo quarto, tropeçaram em tudo. Conversavam em voz alta nem dando bola para mim e mais dois que estávamos dormindo. Acordei e vi elas só de calcinha e soutien. Como a grande maioria das européias, nem se importaram.
Eu tinha que estar pronto as 06:00 hs, pois a van da agência Madness Adventures viria me buscar. Comi qualquer coisa, coloquei as últimas coisas na mochila e desci. Pontualmente as 06:00 hs a van encostou.
Na van já tinha uns brasileiros, um pessoal de Minas. Fomos até a agência, onde recebemos e testamos os capacetes, roupa e o par de luvas. O downhill na Estrada da Morte (Camino de la Muerte) inicia a 4700 m de altitude e termina a 1200 m. Essa é considerada a estrada mais perigosa do mundo!
As bikes eram quase todas iguais, exceto do casal de alemães, que optaram pelas bicicletas de suspensão dianteira e traseira.
Seguimos então até o local de início do downhill. Foi uma viagem de aproximadamente uma hora. Fazia bastante frio a 4700 m de altitude, na beirada da rua tinha neve. O tempo fechado denunciava que em breve viria chuva. Antes de cada um pegar a sua bike, deram instruções de como não morrer no passeio. Não, brincadeira, não chega a esse ponto. Explicam o que podemos e o que não devemos fazer enquanto estamos descendo. O guia explicava tudo em inglês, mas eu compreendia o que ele estava explicando. Ao menos tinha noção.
A descida começa na parte asfaltada. Resolvi ser o primeiro do grupo a descer atrás do guia. No asfalto é tranqüilo, eu estava utilizando outra luva por baixo da luva de proteção. Ainda assim sentia frio nos dedos. O pessoal que não levou uma luva para colocar por baixo sofreu bastante. Teve uma garota que o tempo todo tinha que parar e ficar massageando os dedos porque ela não os sentia mais.
Após um tempo descendo no asfalto, alguém me ultrapassou. Nesse momento já estava chovendo. Quando a chuva diminuiu um pouco, resolvi tirar a mão do freio e ultrapassar o cara de novo, voltando a ficar atrás do guia. Em determinado ponto paramos para voltar para a van. Seguiríamos um trecho na van e então voltaríamos para as bikes, para começar o trecho de estrada de chão. Quando paramos, percebi que água da calça escorria para dentro da bota. Isso porque a calça subia com o vento. Minha bota já estava ficando encharcada. Detalhe, não tinha levado outro calçado para o mochilão.
Antes de subir nas bikes, recebemos mais instruções de pilotagem. Na estrada de terra era muito mais perigoso, e não tem guardrail. O guia falou a quantidade de clientes que já caíram e morreram fazendo esse downhill, 28 pessoas. Falou também a quantidade de pessoas que morriam trafegando na estrada da morte, 200 pessoas/ano. Bom, esse índice só me fez pensar em uma coisa: “Vai ser irado!”. O pessoal acho que viu que eu gostava de ir rápido, então deixaram que eu seguisse atrás do guia. Num primeiro momento achei que me daria mal. A trepidação dificulta muito a pilotagem. Eu nem olhava para o cânion ao meu lado, somente pensava, cair de 10 ou 1000m o resultado é igual. 
Descemos uns 10 minutos e o guia parou. Então ele disse outra dica: não segurar forte no guidom nas retas, somente ao entrar nas curvas. Voltamos a descer. Ganhei confiança ao perceber que a dica que o guia deu era realmente eficaz. Segui descendo rápido atrás do guia, fazendo a mesma “linha” que ele. Não tinha medo de modo algum. Sentia um prazer em notar a bike ganhando velocidade e eu conseguindo fazer as curvas cada vez mais com facilidade. Aos poucos comecei a saltar umas pedras maiores que tinha na estrada, muita adrenalina. A cada 20 minutos mais ou menos o guia e eu parávamos para esperar o restante do pessoal. Chegávamos a esperar 3 minutos até todos chegarem. Exceto uma menina que tinha medo e ficou para trás o percurso todo, sendo acompanhada por um guia.
Claro que não desci o tempo todo sem ter medo, tive uns momentos de susto. Um deles foi quando após uma parada de descanso, retomei a descida sem me concentrar na estrada. Em um momento de descuido entrei rápido demais e quase não consegui fazer a curva. Existe uma faixa de capim estreita entre a estrada de o precipício, a largura dessa faixa de capim é de 30 cm. Então, como quase não consegui fazer a curva, acabei passando nesse capim, e por muita sorte consegui retornar a linha de descida sem cair nem na estrada, nem lá embaixo! haha
Outro susto foi quando descíamos bem rápido. Nesse momento tinha mais 3 do grupo descendo atrás de mim, bem próximos. Chegamos então em uma curva fechada, e para o lado de fora da curva tinha um amontoado de pedras (maiores de 20 cm) de um desmoronamento. Eu vinha muito rápido e não consegui fazer a curva pela linha que o guia fez. Acabei saindo da estrada e fui contra aquelas pedras. Por sorte a bike trepidou pra caramba, deu uns estalos mas, não cai. Porém o cara que vinha trás de mim fez a mesma linha que eu, e foi para o chão! Quando escutei o barulho olhei para trás, e vi ele caindo e outro atropelando ele e caindo também. Freei a bike e vi mais um indo para cima dos dois, mas conseguiu desviar.
Por sorte ninguém se machucou. E pensar que toda essa cagada foi causada por mim, que fiz a curva errada! haha
Ainda teve um momento onde passamos de bike por baixo de uma cachoeira pequena, e depois posamos para uma foto, na beirada do precipício, animal!
Finalizamos a descida passando dentro de um córrego, onde minha bota se afogou de vez.
Fazia calor, estávamos já no início da floresta amazônica. A região é bem úmida. Foi interessante ver como a paisagem muda conforme descemos. No início era somente rocha e neve. Aos poucos começou a aparecer um pouco de vegetação. Essa vegetação foi aumentando de tamanho conforme descíamos, e no final do downhill estávamos cercados de grandes árvores.
Almoçamos em um hotel, comida boa!
Voltamos a La Paz pela estrada nova, e não pela Estrada da Morte. Achei que seria tranqüilo voltar ela rodovia nova, me enganei. Como era asfaltada, o motorista ia rápido, fazia curvas na contramão, ultrapassava em curvas e ainda disse: – Los brasileños deberian aprender a conducir en Bolivia!
Essa rodovia nova que fizeram passa ao lado de grandes montanhas, a paisagem é bonita. Interessante como a temperatura vai diminuindo rápido conforme vamos subindo.
Chegamos em La Paz era 19:00 hs. Já estava quase escurecendo. Deixei minhas coisas na agência e saí pelas ruas a pé atrás de um par de tênis para comprar. Encontrei um modelo semelhante aos all star por $70 Bs. Foi os mais baratos que encontrei. Voltei para a agência, peguei minhas coisas, a camisa e o CD com as fotos do passeio e segui até o hostel.
Depois de um bom banho arrumei minhas coisas e fui para o bar do hostel beber.
O bar tava lotado de brasileiros, conheci uma galera que tinha vindo em 13 pessoas! Também estavam as mineiras lindas que tinha conhecido na noite passada. Bebi uma botella de Cordillera e uma botella de Paceña.
Fui para o quarto já era passado da meia noite.

Gastos do dia:
Cervejas no bar do hostel: $15,00 Bs a Cordillera e $12,00 Bs a Paceña
Têsnis: $70,00 Bs
Downhill: $400,00 Bs
Diária hostel: $55,00 Bs

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Glauco
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2 Comments

  1. Maneca Reply

    Cara, isso que é aventura! Tô acompanhando sem perder um capitulo dessa historia que marca sua vida e vai deixar seguidores por todo lado.
    Muito bom, Parabéns pela coragem! Manoel.

  2. Glauco Reply

    Dale Maneca! Obrigado por comentar aqui!
    Você iria pirar com a Estrada da Morte! Se eu que nunca mais pedalei pra valer curtia pegar velocidade e se arriscar, que tem experiência como você iria fazer milagre! Vale a pena conhecer a região, e te digo, é ridículo de barato! Recomendo demais.
    Não estou conseguindo postar com a freqüência que queria, mas na medida do possível estarei atualizando. Abraços

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