Mochilão América do Sul – Dia 8 – De Isla del Sol à Puno

Acordei com o som da chuva, fazia frio. Levantei, me olhei no espelho e levei um baita susto. Eu estava horrível! A queimadura na cara dava vergonha. Anotei no diário o seguinte registro: “Queimado pra caramba! Espero que não tenha perrengue pior que este no restante da viagem”.

Estava com dúvida no dia anterior se ficaria mais um dia na ilha ou se partiria. Como estava chovendo decidi ir embora mesmo. Minha preocupação estava em minha bota, que estava molhada desde o downhill em La Paz. Seu eu molhasse a falsificação de all star que tinha comprado estaria frito. Mesmo sabendo que iria pegar chuva até o píer, arrumei minhas tralhas, me despedi dos argentinos e fui debaixo de chuva até o píer. Entrei no barco e só tinham uns poucos malucos esperando para partir. A hora de saída se não me engano era as 08:00 hs. Mas o cara resolveu sair somente quando lotou. O frio estava de matar. A volta custou mais caro, o boliviano cobrou $25,00 Bs! Lembrando que a ida tinha custado $15,00 Bs! Esse é sempre um problema de ir para ilhas, as coisas são mais caras e tem sempre surpresas na volta.

Voltamos literalmente espremidos, tinha uns mochileiros bem roots junto, fediam demais. Pareciam estar viajando há muito tempo. Estavam bem maltrapilhos e com a roupa encharcada. Levamos mais 3 hrs até Copacabana. Assim que cheguei comprei passagem para Puno (Peru), pela companhia tour Peru. A passagem custou $30,00 Bs, ônibus excelente.

Como o ônibus só partiria as 13:30 hs, fiquei caminhando pela cidade. Na praça havia muitas tendas de artesanatos locais, comprei dois porta moedas de couro trabalhado. Um custou $8,00Bs e o outro $5,00Bs.
Uma bagatela pela qualidade do artesanato.
Nessa mesma praça tinha muitos carros cobertos por pétalas de flores. Não sei se era alguma festa religiosa ou comemoração de casamento.
Caminhei muitos pelos becos da cidade. Vi comércio de rua bem típico, as cholas vendiam de tudo. Em um balcão de uma venda, tinha cabeça de porco para vender. Estava ali, ao ar livre, sem refrigeração alguma. Em uma calçada tinha um monte de restos de ovelha, cabeça, patas e lã. 
Comprei mais uma touca de lã, folha de coca e uma Inka Kola. Em seguida resolvi me sentar em cadeiras de descanso bebendo a deliciosa Inka Kola (que é boa fria ou quente), mascando folha de coca, de frente para o Lago Titicaca escrevendo em meu diário.

Eu tava em paz comigo mesmo! Se não bastasse toda essa harmonia, ainda começou a tocar Bob Marley – Rendemption song. Ao meu lado um mochileiro também escrevia em seu diário, assoviava suave no ritmo da música. Aos poucos a galera que estava em outras cadeiras próximas, também começou a cantar. Foi um momento bem marcante, uma sensação que sinto saudade.

Quando deu a hora de seguir para o ônibus, encontrei os mineiros do dia anterior, iam no mesmo ônibus que eu, de novo. Eles ficaram ainda mais espantados com meu rosto. Eu só tinha vontade de me esconder por baixo dos óculos e da touca! haha
A viagem até Puno passa por algumas paisagens bonitas. A estrada segue sempre próximo ao lago.
Na fronteira tivemos que esperar uma longa fila. Tive problemas com a imigração. Eu estava de cabelo curto, usando óculos, touca e vermelho igual a um tomate. Na foto da carteira identidade estou de cabelo extremamente comprido, e com cara de 18 anos. O guarda ficou embaçando. Tirei a touca, os óculos, e ele ainda com dúvidas se liberava. Pediu para onde eu seguiria. Disse pra ele cada cidade que iria conhecer. Então me liberou.
Ali mesmo na aduana boliviana fiz câmbio de $30,00 dólares. Foi extremante desfavorável, me arrependi mais tarde. A cotação foi 1 dólar = 2,55 soles.

Assim que cheguei a Puno, me despedi dos camaradas mineiros e fui atrás de agência para o passeio em Uros, as ilhas flutuantes. Consegui o passeio por $10,00 dólares se não me engano.

Na van que peguei para ir até o píer, tinha várias argentinas. Todas de calça lag! Minha nossa! Acho que desde o Paraguai eu não via garotas tão lindas. No barco conversei com elas, eram de Jujuy.
A caminho da ilha as nuvens negras denunciavam chuva em breve. Ao chegarmos à ilha, fomos recepcionados por várias cholas que já nos esperavam. Já não gostei disso. Então falaram como funcionam as ilhas, o modo de vida e a forma de manter a ilha flutuando. Nessa hora começou a chover granizo.

As pedras de granizo eram enormes, do tamanho de bolas de tênis. Ficamos todos abrigados em um das cabanas de palha. Porém a chuva demorou a passar, e quando acabou não tivemos mais tempo para ficar na ilha. Na verdade eu nem gostei do que vi. Me pareceu tudo extremamente armado, um teatro. As pessoas não estavam executando atividades diárias. Pareciam todos posicionados em seus devidos lugares para receber turistas. De qualquer forma a construção das casas e dos barcos é bem feita.
Assim que acabou a chuva tiramos algumas fotos e voltamos para o barco.
Ao chegar no píer, ainda chovia bastante. Coloquei meus óculos no bolso e saí correndo para a van que nos esperava. Chegando na rodoviária, percebi que estava sem meus óculos. Comecei a pedir para o pessoal da van se tinham visto. Então uma das argentinas disse que um gringo tinha encontrado. O grupo veio em duas vans, eu tinha vindo na primeira. Perguntei a todos mas, ninguém sabia onde estava o tal gringo. Quando chegou a segunda van sai perguntando a todos se tinham achado um óculos. E por sorte, encontrei o cara! Isso já fazia uns 30 minutos que eu tinha chego à rodoviária. Foi muita sorte encontrar os óculos de novo. E detalhe, eu já tinha perdido esse óculos na Patagônia, e vi um gringo usando ele no final de um trekking e pedi se ele tinha encontrado, e o gringo me devolveu. Ou seja, acho que não terei uma terceira chance!
Após o susto, fui atrás de passagem para Cusco. Infelizmente só encontrei passagem de ônibus convencional. Paguei $40,00 soles pela passagem. Minha preocupação continuava sendo minhas botas, que ainda estavam molhadas, então comprei jornais e coloquei dentro para puxar a umidade. Já não aguentava mais andar de tênis falsificado. Meus pés estavam cheios de bolhas.
Enquanto esperava o ônibus, encontrei os três dos mineiros que fizeram o downhill comigo em La paz. Também seguiam para Cusco. Eles pediram se eu tinha reserva de hostel em Cusco. Disse que não. Eles falaram que não havia mais vagas por lá. Eu já tinha ouvido alguma coisa assim antes, mas não dei bola, achei que teria sorte.
Me despedi deles e comprei uns bagulhos para comer. Coisa barata, de $2,00 soles. Eram uns sanduíches com queijo que ficavam em prateleiras sem refrigeração.
Peguei ônibus as 22:00 hs.


Gastos do dia:
Barco de Isla del Sol > Copacabana: $25,00 Bs
Passagem Copa > Puno: $30,00 Bs.
Sanduíche de queijo em Copa: $5,00 Bs
Souvenirs: $13,00 Bs
Folhas de Coca: $5,00
Inka Kola: $5,00
Passeio Uros (ilhas flutuantes): $10,00 USD
Ônibus de Puno para Cusco: $40,00 Soles
Sanduíche de queijo em Puno: $2,00 Soles

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Glauco
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