Floripa – Trekking pelas praias mais desertas e no inverno!

Assim estava Floripa quando eu cheguei!

Estava mais que na hora de eu conhecer Florianópolis como mochileiro. Já tinha estado por lá algumas vezes, mas nunca nos lugares que eu realmente queria conhecer. Desde minha primeira viagem de mochilão, em que fiquei com amigos na Guarda do Embaú, lembro-me da vontade que tive de conhecer a praia de Naufragados, a praia mais ao sul de Floripa. Na ocasião, avistávamos ela da trilha entre a Pinheira ea Guarda do Embaú.

Programei-me para fazer nas férias de inverno essa pequena viagem, contei com a ajuda de uma mochileira que encontrei no mochileiros.com, a Manu, manézinha da ilha. Ela me deu todas as dicas necessárias e mais algumas! Simplesmente eu sabia exatamente como deveria me locomover, quais ônibus pegar e até onde acampar! Manu, muito obrigado! Ajudou demais!
A data que eu tinha disponível caiu justamente na semana mais fria dos últimos trinta anos aqui em Santa Catarina! Mas, isso foi só um tempero a mais!
Dia 1 – De Jaraguá do Sul para Floripa (Lagoinha de Leste)
Enquanto eu esperava na rodoviária aqui de Jaraguá do Sul, na televisão o jornalista informava: Florianópolis 2ºC e Jaraguá do Sul 1ºC. Eram seis horas da manhã, e eu me perguntei, porque não posso ser uma pessoa mais convencional? Foi difícil eu imaginar estar acampando dentro de poucas horas numa praia deserta com uma friaca dessas!
Lagoinha de Leste vista do costão norte

Cheguei em Floripa por volta das 10:00 hs. As montanhas da Serra do Tabuleiro estavam cobertas de neve, uma imagem fantástica! Fui até o Mercado Público comer um pastel, comprar água e um isqueiro. Em seguida fui ao terminal urbano do centro (TICEN) pegar o ônibus para o terminal TIRIO. Foram só 15 minutinhos dentro do ônibus, que por sorte tinha muitos lugares vagos e não tive problemas com meu grande e pesado mochilão, que na data estava com 15 kg.

Chegando ao terminal TIRIO tive que esperar mais ou menos 20 minutos até chegar o último busão, o que me levaria até o início da trilha. Já no terminal eu observei um casal que aparentava serem gringos.
Usavam camisas The North Face e calças de trekking. Eles entraram no mesmo busão que eu e não sentaram muito longe. Pedi para o motorista me informar quando eu deveria descer, a Manu me disse que seria em frente a uma igreja, na praia Armação. Esse permanência nesse ônibus demorou um pouco mais, acho que meia hora. No local correto o cobrador me avisou e eu desembarquei. Sem dificuldades encontrei a rua que dá acesso ao pontilhão e iniciei a trilha, meu destino? Lagoinha de Leste!
Uma praia isolada, de mar aberto, protegida por uma vegetação densa e com dois imponentes costões. Como o nome diz, há uma lagoa, de água dourada, salobra. Quando a maré enche às vezes alcança essa lagoa. Essa praia fica num parque de preservação municipal.
Iniciei a caminhada por um caminho cimentado, esse caminho dá cesso a praia do Matadero, que por sinal é linda! Vi pouquíssimas pessoas. Cruzei a praia caminhando pela areia tão ansioso em começar de fato a trilha que acabei nem fotografando essa praia! No final da faixa de areia, então finalmente peguei a trilha que dá acesso a Lagoinha de Leste. Eu estava só e também não vi sinal de que alguém tinha passado por ali naquele dia. Não havia marcas de calçados na trilha. Estava abafado, já era de tarde, e numa parada para guardar o casaco, um casal me alcançou. Eram uruguaios de meia idade. Vivam há cinco anos em Floripa, tinham perdido tudo numa enchente no Uruguai, e com pouco mais de mil reais chegaram a Floripa e lá estão até hoje. Ele trabalha informalmente de pedreiro e ela de doméstica.
Contam que levam uma vida simples que amam, prova disso que estavam numa quarta feira pedalando o dia todo e passeando por curtas trilhas que ainda não conheciam na ilha.
A Lagoinha propriamente dita
vista das áreas de camping selvagem

A trilha é fácil, não tem como se perder, e estava bem aberta. Mesmo carregando um mochilão, não há problema de se enroscar. Essa trilha segue pelo costão, de onde temos uma visão bonita de formações rochosas de da costa leste da ilha. Vacilei em ter levado pouca água e acabei ficando com sede na trilha. O tempo mudou e começou a ventar bastante. Chegando na parte final da trilha, num morrinho de onde se tem visão da praia Lagoinha de Leste, o casal resolveu retornar, não teriam tempo suficiente em chegar até a praia, caminhar e retornar antes de escurecer. Despedi-me deles e comecei a descer o morrinho até a praia. Nesse trecho conheci outro casal, de Santos. A garota estuda psicologia em Floripa, e o rapaz veio de Santos revê-la. Eles piraram quando eu disse que passaria pelo menos duas noites acampado na praia. Eles tinham uma barraca no carro e cogitaram acampar comigo ali. Mas não tinham equipamentos suficientes, e sabendo que faria muito frio à noite resolveram que acampariam ali em outra oportunidade.

Cheguei até a praia e logo avistei um pequeno riacho, enchi meus reservatórios e água e fui montar acampamento. Seguindo mais um conselho da Manu, acampei debaixo de algumas árvores atrás da faixa de areia, na beira da lagoinha. Quem está na praia não consegue enxergar, fica escondido e protegido dos ventos. O tempo estava instável e aparentava chover em breve. Mal deu tempo de eu montar a barraca e jogar as tralhas dentro que desabou uma chuva torrencial. Um adendo: Juro que se eu montar minha barraca no nordeste, jamais sofrerão de seca por lá!
Estava cansado pra caramba, acho que por ter acordado cedo, e também pela mochila estar pesada. Eu estava com comida para 5 dias, isso pesa um absurdo!
Preparei um rango, tomei um cappuccino (tudo no avanço da barraca) e quando a chuva parou dei uma voltinha até a praia. Não havia absolutamente ninguém, apenas eu numa paz absurda, e o mar, numa revolta de dar medo brigando com o vento também feroz. Voltei à barraca e esperei o sono chegar. Eu não sabia que horas eram, e porque deveria saber?
Dia 2 – Lagoinha de Leste
Dispensa comentários, não?

Depois de uma noite extremamente fria, acordei e percebi que comi metade de uma barra de chocolate durante a noite. Tenho essa mania em acampamentos muito frios. Uma chuva leve me deu bom dia ainda antes de eu levantar. Torci para que logo parasse, porque minha barraca é tão pequena que não é possível eu ficar sentado dentro dela!

Os bons ventos me ouviram e levaram para longe a chuva. Tomei um delicioso café da manhã, com pão bisnaguinha e geleia, e dois copinhos de achocolatado bem quente. Resolvi sair para lavar louça e pegar água. Encontrei então um cara andando meio sem destino entre a lagoinha e a praia. Ele vestia roupas desgastadas, meio grandes para o tamanho dele. Ao cumprimentá-lo, logo percebi o sotaque, era um chileno! Não prolonguei a conversa, a final, quem vai para uma praia isolada no ápice do inverno, não vai em busca de pessoas ou diálogos. Segui até o pequeno riacho, peguei uns 3 litros de água, lavei minha louça e voltei para a barraca. Eu tinha que organizá-la.
Com o tempo um pouco mais agradável e sem vento, sai caminhando pela borda de lagoinha. Há muitos espaços para acampamentos selvagens nessa parte, grandes áreas planas e abrigadas pela vegetação assim como o local onde eu havia montado minha barraca. Fiz muitas fotografias, volta e meia parando para curtir o local. Só havia o som da natureza, só a havia natureza e eu. A água transparente do lago me convidava para um mergulho, pena que fazia uns 10ºC. Andei por toda a borda da lagoinha e quando a fome bateu, resolvi voltar caminhando pela praia. Havia dois pinguins mortos. O mar estava menos agitado que no dia anterior.
Em meu acampamento fiz almoço, macarrão e muito queijo ralado. Depois de saciada a fome, resolvi tirar um cochilo. Escutei um barulho de folhas tipo ao caminhar de uma pessoa. Quando fui olhar pela porta da barraca, passou um cara na minha frente dizendo boa tarde. Caralho! Levei um susto enorme e quase desmontei a barraca toda! Sem contar que dei um berro meio zuado haha! Quando voltei a olhar pra ver se o cara estava se rachando de rir, não vi mais ninguém. Fiquei rindo feito um retardado, sozinho de novo.
Entardecer na Lagoinha de Leste

Mais tarde, sentado na praia observei as nuvens e percebi que estava abrindo uma janela de céu aberto. Eu queria subir a encosta sul da praia para fazer fotografias e ver a praia de outros ângulos. Então rapidamente voltei à barraca, peguei minha câmera, tripé, mochila e água e parti rumo a encosta. É uma subida íngreme de 15 ou 20 minutos. Há bastantes pedras soltas. Ainda ventava um pouco, mas não chegava a incomodar. Lá de cima eu tinha um visual incrível da praia, além de um afloramento rochoso legal. Fiz bastantes fotografias. Foi uma sorte inacreditável essa de o tempo melhorar no finalzinho do dia.

Quando o sol estava começando a se pôr, resolvi voltar ao meu acampamento. Eu tinha ganhado meu dia, lindas fotos, nada de chuva após eu sair da barraca pela manhã e uma noite menos fria me esperava.
Dormi logo após deitar.
Dia 3 – Lagoinha de Leste / Pântano do Sul / Naufragados
Deixando a Lagoinha de Leste,
que foi “só minha” por três dias.

Levantei as 07:00 hs, preparei meu chocolate quente, comi pão com doce e comecei a chata tarefa de desmontar o acampamento. Se tem um tipo de acampamento que odeio, é o sob areia. Por mais que você cuida, acaba que tudo ainda fica sujo de areia. A noite havia chovido um pouco, então a barraca ficou linda com areia grudada em tudo. Mas eu não podia esperar o sol, e desfiz o acampamento com ela molhada mesmo. Esse dia estava quente, e logo percebi que iria faltar espaço para meus casacos na mochila.

Com tudo guardado, peguei a mochila e segui para a praia. Nesse momento, o sol já estava forte, mas mais forte ainda estavam as ondas. Juro que se eu estivesse com minha prancha, teria montado acampamento de novo para curtir um dia de surf! Havia muitos tubos e ondas quebrando pesadas com 1,5 a 2 m na série.
Caminhando sentido ao sul da praia, encontrei um pinguim. Estava fraco. Mesmo assustado comigo, abria o bico para me amedrontar mas, mal podia se mexer. Logo ao lado, urubus esperavam impacientes pela sua morte. Não interferi em nada. Que vida siga da forma que tem que ser.
Tubos quebrando solitários e eu não levei a prancha!!

No finalzinho da praia, encontrei a entrada da trilha que me levaria para a praia Pântano do Sul. Comecei a subir essa trilha e 2 minutos depois parei para tirar o casaco que vestia. Problema sério, no início dessa pequena trip saí de casa quando quase fazia temperaturas negativas. E no momento que a temperatura aumento não havia espaço em minha mochila. Tive que fazer uma gambiarra e amarrar os casacos todos para o lado de fora da mochila.

No meio da mata fechada estava muito abafado. Parei em um córrego para reabastecer o hidro-bag e descansar. Não havia pegadas na trilha, não havia vozes, nenhum sinal de pessoas por perto. Encontrei uma ou duas bifurcações. Acho que na intuição eu fiz as duas vezes a escolha certa da trilha para seguir. No ponto mais alto da trilha, que na verdade é um “passo” naquele morro, há um mirante de madeira. Ali podemos observar a Lagoinha de Leste ao norte e a praia Pântano do Sul, ao sul.
Fiz uma paradinha para descansar, me hidratar e fazer fotografias.
O pinguim antes de virar banquete de urubus

A decida na trilha é um pouco erodida, acredito que no verão deve passar muita gente ali. Porém é uma trilha fácil e aberta. Não sei exatamente quanto tempo levei, mas foi bem rápido para eu chegar até as casas no final da trilha. Foi engraçado a expressão de espanto do cara ao ver eu saindo da trilha com o mochilão enorme. Ele ficou observando as tags de bandeira, acho que pensou que eu era gringo.

Segui em direção à praia. Os pescadores estavam trazendo os barcos para a areia, cheios de peixes.
Era mais ou menos 11:00 hs da manhã. Em frente a um restaurante, na beira da praia havia mesinhas de plástico dessas de cerveja. Não havia ninguém e lá sentei. Enquanto observava os pescadores, bebia uma Coca-Cola e via também as fotos na câmera.
A vida simples dos pescadores encanta. Chega uma canoa cheia de peixes, do nada aparece umas 15 pessoas, e todos puxam o barco até a areia. Às vezes sem nem se cumprimentar, cada um que ajudou a puxar a canoa pega um peixinho, sem nem pedir e vai embora. Parece que já há um acordo, faz parte da rotina. Um desses que chegaram, veio de bicicleta, com uma folha de jornal no bagageiro. Depois de ter puxado o barco, enrolou o peixe no jornal, colocou no bagageiro da bike novamente e foi embora. Eu ri sozinho.
Pântano do Sul vista do mirante na trilha sul
de acesso a Lagoinha de Leste

Enquanto esperava meu almoço chegar, veio uma van de agência de viagens, com uns 8 turistas. Saíram da van disparando a máquina fotográfica para todos os lados. Compulsivos por imagens e registros superficiais. Até me deu raiva. Então eu virei parte da atração turística. Ao verem um mochileiro descabelado, numa mesinha na beira da praia com um mochilão enorme do lado, fotografaram de todos os ângulos. Antes mesmo de puxarem um papo com algum pescador, antes mesmo de ficarem 10 minutos absorvendo a rotina monótona e natural dessa vila, embarcaram na van e foram embora.

Após almoçar, olhei para o costão sul, e vi o quão longo ele era até chegar à praia de Naufragados. Sim, meus planos era chegar a Naufragados por esse costão. Uma preguiça me dominou e me permiti desistir desse roteiro. Resolvi que chegaria à Naufragados pela trilha clássica. Fui então ao mercadinho lá perto e fiz compras. Pouca coisa, sucos, pães, chocolate e balas. No mercadinho mesmo, perguntei como fazer para pegar ônibus para chegar à Naufragados.
Tranquilidade de Pântano do Sul

Esperei pelo ônibus na companhia de um senhor, que me disse até onde eu deveria seguir no ônibus, e onde deveria descer. Embarcamos juntos e na hora de descer ele me avisou. Desembarquei do ônibus coletivo, atravessei a rua e em menos de 5 minutos depois apareceu o outro ônibus que eu deveria pegar.

Embarquei e sentei ao lado do cobrador. O cobrador me informou que dali até o final da linha Caieira (essa linha de ônibus vai até o final da Caieira) levaria algum tempo. Pela janela fui observando as casinhas, o mar de dentro e a criação de ostras.
No final da linha do ônibus, que termina no final da rua, desembarquei e procurei observar onde iniciava a trilha. Segui uma servidão, mas pessoas que estavam nela que não era naquele sentido. Voltei, e então vi um estacionamento de carros. Uma pequena porteira e uma trilha. Pensei: “Deve ser por ali!” e segui!
A trilha inicia já com uma subida. Acho que nada muito acentuado, mas eu estava morto e pra mim foi bem difícil. O sol também estava escaldante e eu suava como nunca antes. Encontrei um casal vindo no sentido contrário, de roupas leves, sem mochila. Cumprimentaram e avisaram que faltava bastante ainda.
Forte visto do mirante do farol

Acabou a subida e comecei a descer, então encontrei uma família, eram todos obesos e me alertaram: “Você vai ver, falta muito, acho que não vai aguentar, é muito difícil!” Eu só sorri e continuei.

Cheguei na praia de Naufragados no final da tarde. Não havia turistas. Conversei com os moradores reunidos numa varanda e pedi onde poderia acampar. Eles sem nem pensar ou me avaliar, responderam que poderia acampar em qualquer lugar. Então aproveitei o gramado para armar a barraca. Em seguida preparei meu jantar e fui dar uma volta na praia.
As ondas estavam com tamanho médio, meio metro. Havia uma foca morta na praia, já em avançado estado de decomposição. Havia também pinguins mortos. Em todas as praias encontrei pinguins mortos, fiquei na dúvida se era por causa da época ou se há alguma contaminação no local.

Tratei de me informar sobre a travessia para o continente. Desde o início da elaboração do roteiro, decidi que faria essa travessia pela lendária praia de Naufragados. Um local de mar revolto e de grandes naufrágios, inclusive o mais antigo naufrágio registrado no Brasil. Conversei com um pescador e ele falou que na manhã seguinte partiria comigo até a praia da Pinheira, ou ponta do Papagaio.

Já estava escurecendo, e fiquei numa varanda de frente para o mar vendo no horizonte distante, as luzes do continente. Na praia, nas casas, estava tudo escuro.
De repente veio um velhinho, me cumprimentou e sentou-se no outro lado da mesinha que tinha na varanda. Com a voz muito fraca, falava baixo. Esse senhor começou a contar histórias ou estórias. Disse que foi o primeiro morador local fora os antigos índios que um dia habitaram a praia. Muitos contos por mais de uma hora. Um momento raro que vivenciei.
Voltei para a barraca e fiquei pensando o quão mágico tinha sido esse dia.

Dia 4 – De Naufragados para Guarda do Embaú
Acordei bem cedo, por volta das 06:15 hs. Passei frio essa noite porque o vento do mar soprava constante em minha barraca. Tomei dois chocolates quentes e comi o último tablete de doce de passar no pão. Em seguida guardei tudo na mochila. Dessa vez guardei a barraca encharcada na mochila, por conta do sereno.
Fui até a casa do pescador, ele me atendeu, olhou o mar, e disse: – Esquece! Só de meio dia! A maré tá muito rasa e não vai ter como chegar com a embarcação.
Vista da ponta leste da Praia Naufragados
Sendo assim, eu tinha muito tempo para fazer nada! Fui mais uma vez até o forte no alto do morro. Tenho que ser sincero e criticar Florianópolis nesse aspecto! O forte e os canhões estão em condições ridículas. Está tudo depredado e pichado. As trincheiras estão com tanto mato que nem há como entrar. Local está completamente abandonado! Dica, se querem ver um forte em perfeitas condições e com museu anexo, vá no forte de São Francisco do Sul, cidade 200 km ao norte de Floripa!
Depois dessa visita ao forte, fiquei escrevendo no diário e observando as ondas.
Por volta das 11:00 hs vi o pescador na areia do lado oposto da praia gesticulando. Estava na hora da navegação!
Fui até na casa dele, tirei minhas botas, pegamos uma canoa bem pequena, para duas pessoas e iniciamos a remada contra as ondas. Pratico canoagem desde criança, medo eu não tenho, mas não queria me molhar. Fui bem animado enfrentar ondas numa canoa a remo em pleno inverno! A canoa maior e motorizada estava mesmo parando atrás da arrebentação. Encostamos a canoa menor ao lado da maior e pulei de para a canoa maior. Nos filmes isso parece bem mais fácil! Sério!
Praia Naufragados pela manhã

Então, o pescador que me trouxe voltou com o piloto do barco até a praia, deixou o pescador lá e voltou para me levar até o continente. Nesse tempo de translado eu fiquei sozinho na canoa maior. Mano! A parada chacoalhava pra caramba! E eu nem colete tinha!

Então o pescador voltou remando a canoinha, a amarrou ela atrás da canoa grande e deu partida no motor.
A embarcação dava altas pancadas na água, as ondas estavam grandes. Ele falou que seria foda chegarmos à Pinheira com o mar daquele jeito. Pedi então que me deixasse no final da Praia do Sonho, do ladinho da Ponta do Papagaio.
Felizmente a travessia deu certo! Paguei os R$ 40,00 para o pescador e segui rumo ao sul da Praia da Pinheira, para isso peguei um ônibus. Na Pinheira parei para almoçar. Comi um baita X-Salada sem hambúrguer e tomei uma Coca. Aproveitei e comprei três reais em bala Sete Belo! haha
O sol estava bem forte, devia ser quase duas horas da tarde. Iniciei então a trilha pelo costão. Houve um equívoco nesse momento, percebi que estava numa trilha errada, descobri que há um segundo costão. Então contornei esse primeiro costão, cheguei a outra praia, que chamam de Praia de Cima. Lá segui até o final da praia e entrei na trilha. Fazia cinco anos que eu havia feito essa trilha, porém no sentido contrário. Acabei me perdendo!
Quando percebi eu estava num pasto fugindo dos bois! Fiquei indignado! Fiz um monte de trilhas nos dias anteriores sem dar merda, e nessa que eu já havia feito uma vez marquei bobeira! Tive que voltar até o início da trilha e procurar um caminho diferente. Até que encontrei a trilha certa!
Levei uns 10 minutos e então cheguei no Vale da Utopia. Um lindo vale com uma prainha minúscula. Não há casa, não há nada. O nome dessa prainha é Praia do Maço.
Minutos antes de começar a travessia
Floripa – Continente via praia de Naufragados

Continuei a trilha sentido sul, e cheguei à Praia da Gaúcha Pelada (poderia ter sido eu quem deu esse nome, você vai entender!). Uma outra praia isolada. Já estava cansado, e diminui meu ritmo. Caminhar com o mochilão pela areia também é mais cansativo. Fui então pensado nessa curta e louca trip sozinho. Um roteiro pouco explorado e extremamente lindo!

Quando estava quase chegando no final da praia, próximo a grandes pedras vi duas garotas fazendo topless! No momento que eu vi elas, elas me viram, deram um berro e se enrolaram na toalha! Elas também caíram na gargalhada. Ah se eu não estivesse fedendo de dias de trekking hahaha!
No final da praia, ao invés de seguir pelo costão da Guarda da Embaú, peguei uma trilha que desconhecia e acabei saindo bem próximo ao centrinho da Guarda!
Fiquei muito feliz em chegar à Guarda, foi ali que me tornei mochileiro, e estava com saudades dessa clima hippie que só a Guarda tem! Infelizmente algumas coisas mudaram nesses últimos cinco anos. Agora há uma placa informando que o rio da Madre está impróprio para banho, fiquei triste por isso.
Segui então para o Camping Beira Rio. Não havia nenhum turista por lá! Somente a senhora que mantém o camping. Ela ficou impressionada com o quanto eu havia caminhado nesses últimos dias. Queria que eu ficasse num dos chalés, pelo preço do camping. Eu sou teimoso demais, e decidi que terminaria essa trip da forma como comecei, acampando!
Antes de anoitecer, fui ao mercado e comprei coisinhas para comer no café da manhã e no almoço do dia seguinte. Antes de voltar para o camping e dormir, tomei uma cerveja na beira da praia até o sol se pôr, mágico! O banho quente nesse dia foi revigorante!
Dia 5 – Guarda do Embaú / Home!

Rio da Madre – Guarda do Embaú

Eu não sabia que hora o ônibus passava no centrinho. Então acordei cedo e parti para o centrinho da Guarda. O resultado foi que eu me ferrei! O ônibus passou só as 10:00hs! Era um pinga-pinga e levei uma hora e meia para chegar em Floripa. Assim que cheguei à Floripa comprei passagem para Jaraguá. Cheguei em casa louco pela minha cama. Ao entrar no facebook, havia várias mensagens de amigos dizendo que eu era louco em ter ido para Floripa acampar tantos dias numa semana de friaca como aquela. Eu gostos desses de programas de índio! Fazer o quê!

____
Nota: Demorei para fazer o relato dessa curta trip, porque tive uma enorme decepção ao descarregar as imagens. Deu bug no cartão de memória e perdi tudo. Usando programas para tentar reaver a imagens, consegui recuperar somente as imagens que eu havia deletado na câmera, durante a trip. Enfim, isso me deixou puto e só agora consegui ter vontade de escrever. Deu muito trabalho fotografar tudo o que fotografei, foi foda perder.

Valor total dessa viagem? R$ 200,00!!!

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