Hiking Estação Ecológica do Bracinho – Santa Catarina



Através de um amigo, o Cabelo, fiquei sabendo da caminhada na Estação Ecológica do Bracinho.
Esse lugar, é uma região não aberta ao público, por se tratar de uma área privada. Existem duas represas no local. Que geram energia suficiente para abastecer uma pequena cidade do interior.
A princípio, não achei muito interessante. Sabia que não teria muita coisa bonita para ver, e também por ser uma caminhada em grupo. Qualquer um que tenha visitado o este blog, já deve ter percebido o quanto eu gosto de caminhar sozinho ou com um ou outro amigo.
Porém, não quero ficar muito tempo longe das trilhas, e a última tinha sido o Monte Crista.
Meu objetivo é estar preparado fisicamente para o Mochilão Bolívia/Peru no final do ano. E para encarar o trilha Salkantay (5 dias), preciso estar em forma, e principalmente, sem a artrite que arrebenta com meu quadril e joelhos.

Dessa forma, aceitei encarar a caminhada.


As 07:30 hrs, eu e meu pai já estávamos na pracinha em frente a minúscula prefeitura de Schroeder. Dei meu nome na lista de presença e ganhei um colete de identificação, e umas barras de cereais com achocolatado.
O achocolatado coloquei no meu squeeze, porque na hidrobag eu estava levando 1,5 L de água de côco (primeira vez que levo para a trilha).
No local tinha de conhecido o Cabelo e uma garota da facul,  Bárbara. Embarcamos no ônibus e seguimos até a base da hidrelétrica. Lá fizemos um alongamento e iniciamos a trilha. Essa primeira parte eu sabia que seria mais íngrime, e confesso que achei que o pessoal tinha um preparo físico melhor. A cada 10 min tinha que parar e esperar o grupo. Eu estava bem de boa.
Esse trecho subia o desnível da hidrelétrica, algo como 130 metros. A trilha era bem aberta, e seguia em zigue-zague.
Chegamos na parte alta da usina em torno de 50 minutos. Então tiramos algumas fotos e comemos umas barrinhas de cereais. Nesse local é possível ver a cidade de Schroeder, parte de Jaraguá do Sul e Corupá. Uma coisa que achei interessante, era os morros ao redor, todos com desbarrancamentos.
Ainda esperando o restante do pessoal chegar, ficamos sabendo que teve gente que passou mal e teve de retornar. Porra! Se não consegue caminhar 50 minutos, pra que se inscrever numa caminhada de 25 km como essa?!
Enfim, seguimos a caminhada passando pela borda da represa menor. Já assoreada, e com pouca água. Um charme no local é uma casinha no meio do pasto na borda da represa. Nessa casa fica o operário que comanda o fluxo de água para as turbinas da usina.
Aos poucos, finalmente, o pessoal foi se dispersando e cada um seguindo no seu ritmo. Meu pai e eu seguimos caminhando junto com o Cabelo e o amigo dele, o Marciel. O cabelo e o Marciel são também adeptos de caminhadas mais outdoor. E assim como eu, fizeram a travessia de São Bento do Sul – Corupá via trilhos de trem.
Depois da represa, a caminhada seguiu toda em uma estradinha rural, quase um caminho de roça. Bastante pedras soltas incomodavam um pouco. O clima, nesse dia em especial, estava perfeito. Um friozinho agradável nos acompanhou por todo dia, e o sol fraco aquecia um pouco.
Essa estrada tinha cerca de 11,5 km, que ia beirando o rio Bracinho e algumas montanhas. A mata, muito densa, é muito rica. Diversas vezes via pegadas de javalis, e sentia cheiro de gambá. Uma semana antes dessa caminhada, estive na base da represa participando de uma prova de canoagem em corredeiras, e vi um veado atravessando o rio. Mostrando assim, o quanto ainda está preservado o local.

Um detalhe que acho importante destacar, a represa foi inaugurada em 1947, e essa estrada em que caminhávamos existe desde essa época. Porém com as chuvas dos últimos anos, está fazendo com que tenha muitos desmoronamentos. Diversas vezes e estrada estava parcialmente interrompida. Em alguns pontos, praticamente não tem mais estrada.
Perto do almoço, chegamos na última represa, e a maior. Um lugar bonito de clima muito agradável. Subi até a parte mais alta de um pasto, para tirar umas fotos. De lá via diversas montanhas maiores no horizonte, sentido Joinville.
A represa, feita de pedras encaixadas a mão, foi inaugurada em 1947. O local, de difícil acesso, me faz pensar na dificuldade dos homens que trabalhavam ali, para construir uma respresa de pedra daquele porte.
O nosso almoço, foi no jardim de uma casa abandonada, numa penísula da represa. Equanto comia meus sanduíches, avistava do outro lado da represa duas garotas estavam passando mal, sendo atendidas pelos bombeiros aspirantes que fizeram a caminhada conosco.


Uma hora depois, iniciamos o retorno. Junto com mais dois caras. Um deles, era gaúcho e estava trabalhando em Jaraguá do Sul como estagiário, para validar o curso técnico que fez em Santa Maria – RS. Ele também é estudante de engenharia mecânica. O outro, um jaraguaense que trabalha com movimentações na bolsa de valores.
Esse foi uma detalhe legal dessa caminhada, proporcionou conhecer pessoas novas, que moram na mesma região que eu e que também curtem trekking/hiking.

Outro caminhante que conheci, e que não lembro o nome, era um altão de uns 2 m, que estava levando uma mochila cargueira. Curioso como sou, pedi se ele estava se preparando para uma caminhada maior. Ele disse que sim, e que a caminhada que almejada, era de 400 km. Uma tal de Caminho do Fé, entre São Paulo e Minas Gerais. Detalhe, ele já fez o Caminho de Santiago de Compostela, 800 km, na Espanha.


No retorno, senti um pouco de dor no quadril, e na sola dos pés. Meu pai teve calos. Mas ocorreu tudo bem. Achei que foi uma boa caminhada, e que estou com um bom preparo físico. O melhor mesmo dessa caminhada, foi a descoberta de algo melhor que gatorade na hidro, a água de côco. Hidrata muito bem, e não é ruim mesmo estando quente. Fica a dica 😉

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Glauco
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3 Comments

  1. Marli Funke Reply

    olá Glauco… achei seu blog quando procurava foto de Bracinho… eu nasci ali, numa casa ao lado da usina que ha alguns anos foi demolida e agora o local é reserva ecologica. Passei toda a infancia andando por ali, meu pai era chefe da usina, subi muito esse morro (mas de vagonete), minhas lembranças preferidas sao os passeios de canoa nessas represas. É muito bacana que outras pessoas como voces tb possam usufruir desse lugar. Tenham sempre otimos passeios!!

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