Livro: O Homem Sem Grana – Mark Boyle

Não é um livro de viagens, escalada ou navegação, como costumo ler. Mas me chamou a atenção por fugir da nossa realidade econômica, e principalmente, por também provar que nossa felicidade não é somente ter dinheiro – pelo menos a minha não. Acho que todo mochileiro sente aquela vontade de dar a volta ao mundo. Seria perfeito se pudéssemos fazer isso sem dinheiro, não acham? Acho isso ainda impossível, mas deixar de usar dinheiro em muitas situações no nosso dia a dia pode ser interessante. E nem precisamos chegar ao extremo como ele chegou, para percebemos isso.

Neste livro, Boyle fala do período de um ano que passou sem usar dinheiro. Num primeiro momento, parece que isso é quase impossível, mas ele prova que não. Diferente do que eu esperava, não é uma espécie de diário desse período, é muito mais amplo, aborda muitos aspectos indiretamente relacionados.
Ele relata como foi todo o planejamento e regras que criou para si mesmo, para assim alcançar seu objetivo com sucesso. Detalha a maneira que encontrou para ter alimentos, a escassa convivência com alguns poucos amigos pelo fato de não usar mais dinheiro (ir a bar com amigos e não beber nada é foda), inclusive o fim do namoro. Comenta o uso de energia solar para manter um mínimo de comunicação com o mundo através internet, a dificuldade em ter que produzir tudo o que vai consumir. Enfim, é um livro cheio de informações, e para nós, da geração internet, há uma grande quantidade de links que valem a pena serem acessados. Claro que há muitas vantagens por ele ter realizado essa façanha na Inglaterra, principalmente pelos ingleses estarem mais habituados na região que ele vive, a usar sites de doações de produtos e serviços. O que evitou alguns gastos na preparação para essa “aventura”.
Boyle não tenta lhe convencer a viver sem dinheiro, mas sim a mudar alguns hábitos que estão ao nosso alcance. Todos sabem que algumas pequenas mudanças geram grande resultados se praticados por muitas pessoas. Usar sites sem fins lucrativos do gênero: troca de livros, doações de objetos e serviços, hospedagem gratuita, carona e muitos outros, podem facilitar nossa vida e evitar que se produza mais produtos, gaste mais energia, degrade mais o meio ambiente. Tomando alguns cuidados podemos evitar muito desperdício!
Algumas das experiências dele, durante o ano que passou foram realmente extremas, como por exemplo, sair na floresta catando frutos silvestres, pegar comida nas lixeiras de supermercados ou até mesmo consumir muitos alimentos industrializados com prazo de validade vencido, inclusive cerveja.
Porém, ele comenta que passou a fazer muitas coisas que antes não tinha o hábito, e isso lhe trouxe benefícios. Passou a pedalar muito, caminhar mais, a curtir os sons da natureza quando tinha tempo para descansar nos bosques. Percebeu a mudança dia a dia das estações do ano, claro, também sofreu com elas. Concordo profundamente com ele em um aspecto, fortalece muitos os laços entre as pessoas o ato de não estar mais usando dinheiro. O não uso do dinheiro nos força a resgatar a confiança e união entre as pessoas. Porque hoje, nossa segurança é ter dinheiro no banco, já não somos mais unidos e perdemos esse espírito de crescimento comunitário e de mútua ajuda.
Vão me perguntar: – Mas porque ele quer viver sem dinheiro mas, cobra pelo livro?
Bem, ele destinou todo o lucro para a criação da Comunidade Freeconomy.
Se um dia eu for para a Inglaterra, quero conhecer essa comunidade!
Obs.: Achei o título muito ruim!
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Glauco
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