Mochilão Monte Roraima – Tepequém – Dias 1 e 2 – Brasil

Acordei as 06:00 hrs. Abri o site para comprar a passagem de ônibus para Curitiba, só restavam 5 vagas. Sem perder tempo fui à rodoviária e comprei a passagem para as 08:30 hrs. Voltei para casa e comecei a arrumar o mochilão para duas semanas de viagem.
Meu pai me levou até a rodoviária. Pela primeira vez eu não tinha nenhum “friozinho na barriga” e absolutamente nada pesquisado para essa viagem.
Esse primeiro ônibus estragou. A melhor maneira de começar uma viagem de mochila é tendo mais sorte que eu. O primeiro ônibus que peguei quebrou!  hehe.
Próximo ao aeroporto de Ctba, pedi para o motorista parar na BR, que de lá eu seguiria caminhando ao aeroporto. Mais um problema. O adesivo com o número da bagagem não coincidia com ao bilhete de embarque. O motorista fazendo sua parte não queria liberar a mochila. Ficamos uns minutos discutindo no acostamento da rodovia até que consegui convencê-lo que era minha.
Segui caminhando até o aeroporto num calor de 50°C. Como cheguei uma hora mais tarde que o previsto, só deu tempo de colocar a capa na mochila, organizar a mochila de ataque e comer um pão de batata de almoço.
No check-in da Gol não encontravam meu nome, sobrenome e o código de reserva dizia ser inexistente. Eu já acostumado com meu azar e meu tom irônico, soltei: “Preparados pra caramba para a Copa hein?!” A mulher enraivecida me mandou direto para o balcão despachar as mochilas. Peso da mochila: 10,5 kg a cargueira e a de ataque 1,7 kg.
O avião saiu sem atraso e eu esmagado na maldita poltrona dos aviões dessa companhia. Começava a saga para chegar a Boa Vista – Roraima.
De Curitiba fui para São Paulo. Em São Paulo embarquei para Brasília. Em Brasília já cheguei atrasado e o portão de embarque já estava fechado. Mas como o avião ainda estava parado, me liberaram para entrar. Cheguei a Manaus todo dolorido e puto da cara por não ganhar nem água nesses voos. Gostei da visão nortuna aéria de Manaus!
Meu último voo era Manaus – Boa vista. Já era madrugada, eu estava cansado e morrendo de frio! Mania de colocarem a temperatura do ar condicionado abaixo do agradável! Eu não entendo isso.
Cheguei a Boa Vista a 01:30 hr da madruga (local), e as 03:30 hrs no horário aqui do Sul. Com fome, aproveitei para comer uma pizza dura e tomar um Guaraná Baré.
Meu voo foi o último a chegar no aeroporto naquela madrugada. Portanto logo o aeroporto ficou vazio. Não faria sentido eu pegar um táxi para um hotel, resolvi dormir sentado.
As 05:30 hrs apareceu um casal de mochileiros. Eram europeus, não entendi de qual país. Dividi com eles o táxi até a rodoviária.
Na rodoviária procurei passagem para a Vila Tepequém. Soube que só tinha as 14:oo hrs. Eu não queria passar o dia em Boa Vista! Pedi dicas de como poderia chegar lá, sem ser com esse ônibus. Aconselharam-me  a ir até um local de onde eu poderia pegar van.
Caminhei por uns 3 km. A cidade me lembrava o Paraguai, sujeira nas ruas, poucas pessoas, uns carros batidos e estragados em terrenos sem cercado. Eu ainda estava me adaptando e tentando entender a cidade. Nada de indústria, poucos ônibus de transporte coletivo. O transporte público é basicamente com vans e táxis.
Comprei uma água no ponto das vans e peguei uma van que me levaria até um trevo. De lá o motorista informou que eu deveria pegar outra van ou carona para Tepequém. Paguei R$ 12,00. Eu era o primeiro a entrar na van, fomos até a casa do prefeito de Pacaraima, pegamos mais dois caras e seguimos viagem. No caminho pegamos mais gente.
Nesses 100 km de viagem, entre Boa Vista e o trevo km-100, nada de indústria, pecuária ou agricultura. As terras são planas com capim baixo, fiquei indignado! E a 10km do centro da cidade já é savana, não há nada além de coqueiros e buritis.
No km-100 o motorista me deixou. Já fazia calor. Tentei pegar outras vans para Tepequém. Nenhuma iria pra lá! Depois de 30 min consegui uma van toda destruído na qual tinham me informado que iria para Tepequém. Falei com o motora e ele aceitou me levar, mesmo ela estando superlotada.
Saímos da BR que eu estava e entramos em outra rodovia. Já no início passamos por várias casas indígenas, feitas de adobe. Eu estava com medo de tirar a câmera e acabei não fotografando. Segui viagem dormindo.
De repente a van para, e vejo o motora saindo e colocando minha mochila no acostamento do asfalto. Alguns índios que viajavam comigo desceram da van. Pedi ao motorista se era ali que eu iria ficar. Ele confirmou. Fiquei nervoso, ele disse que me levaria para Tepequém e estava me deixando num cruzamento na rodovia, onde não tinha nada!
Ele disse que eu ficava ali e que ele seguiria para a vila ou cidade Trairão. Traíra foi ele! Cobrou ainda R$ 18,00 por uma hora de viagem.
Vila Tepequém

A van foi embora e eu fiquei ali com os índios. A placa informava que Tepequém ficava a 5 km. Porém eu estava na parte baixa, e teria subir toda a serra andando! Não tinha alternativa.

Segui caminhando serra acima, já disposto a pedir carona para qualquer coisa que viesse.  Após alguns minutos passei por uma residência muito simples onde um senhor de pele clara me chamou. Ele se apresentou como João, mas logo percebi o sotaque. Era um argentino, de 63 anos. Eu disse que já conhecia alguns lugares de seu país, e quando citei a Patagônia os olhos dele brilharam. Ele disse que era de El Bolsón, cidadezinha próxima a San Carlos de Bariloche. Sem dar tempo de continuar a conversa, escutei vindo um carro e corri para a rodovia. Acenei pedindo carona e o carro parou. Um S-10 cabine dupla. Falaram para eu subir na carroceria. Estava lotaaada de coisas, e ainda tinha dois garotos em cima das coisas. Subi na carroceria, dividindo espaço com os moleques e acenei para o João, que na verdade é Juan.
Ufa! Nem acreditava que tinha conseguido carona! Os garotos tiravam fotos e faziam perguntas pra mim, um forasteiro incomum por aquelas bandas. Não acreditavam que eu vinha sozinho do sul para o norte, conhecer Tepequém. Só faltaram pedir autógrafo.
Em Tepequém fui até um mercadinho, o Mercado Chico Dólar. Estava comprando latas de sardinhas, bolachas e água quando chegou um casal. Uma linda mulata com um francês. Por eu estar de mochila, convidaram a ir com eles fazer rapel em uma das cachoeiras da região. Como eu tinha acabado de chegar, falei que iria no dia seguinte para aquelas bandas. Falaram que me esperariam.
Chegou então o Sr. Juan, acompanhado do Sr. Cobrão, dono da casa onde Juan tinha se hospedado.
Conversa vai e conversa vem, eu e Juan decidimos acampar no gramado da associação de Moradores de Tepequém. Como lá não tem polícia, bombeiro ou prefeito, achamos que não teria problema.
Alguns moradores vieram até nos receber. Surpresos com mochileiros de tão longe,  ofereceram a nós cerveja e carne assada. Pena que extrapolaram na bebedeira…

Final da tarde dei uma volta pela estradinha principal do vilarejo, que só tem 200 habitantes.

Contratei um condutor local, o Denilson, para no dia seguinte fazer uma caminhada pela serra. Todos desaconselharam ir sozinho por ter onças, muitas cobras e ser fácil de se perder. Combinei pagar R$ 80,00.
Juan e eu comemos pão com patê de jantar. O pão eu tive que encomendar na casa da dona Nádia, porque não há pão para vender em Tepequém. Fomos dormir cedo. No dia seguinte eu teria de estar acordado as 06:00 hrs para fazer a caminhada pela serra.
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Glauco
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