Hiking Monte Olimpo – Conjunto Marumbi – Paraná

Eu já tinha ouvido falar muito sobre o Conjunto Marumbi. Conquistado em 1879, por dois trabalhadores da ferrovia em Morretes. Considerado uma das trilhas mais difíceis do estado do Paraná. A convite do Gustavo, decidimos subir sábado dia 05/10. Na sexta feira quando voltei da faculdade, comecei a arrumar as coisas e acabei me atrasando e só fui dormir meia noite. As 03:00 hs acordei, muito, muito trêmulo. Cansaço acumulado, horas de sono negativas. As 03:30 hs eu e o Marcelo fomos para Guaramirim nos encontrar com o pessoal.

As 04:00 hs deixamos Guaramirim rumo à Morretes – PR.
Fomos em seis pessoas, Jan e Beatriz, Gustavo, Denilson, Marcelo e eu. O clima não era favorável, no site do INPE constava probabilidade de 80% de chuva. No Clima Tempo, tempo nublado de manhã e chuva à tarde. Após três horas e pouco chegamos à base do Parque Estadual do Marumbi. Havia muita nebulosidade e não nos permitiram fazer qualquer trilha, somente a do Abrolhos. Éramos os primeiros a entrar no parque nesse sábado. Iniciamos a caminhada as 08:00 hs, chegamos à segunda guarita do parque e registramos mais uma vez nossos dados. Este segundo guarda reafirmou que não poderíamos fazer nenhum outro cume além do Abrolhos. Concordamos com o guarda e iniciamos a trilha. Após deixar para trás a guarita paramos e entramos num consenso. Fomos proibidos de fazer a trilha do Monte Olimpo porque estava muito molhada. Mas, pedra molhada há um dia ou há dois dias, é molhada igual! Todos concordamos em fazer a trilha proibida, a do Monte Olimpo, e se ficasse perigoso, iríamos retornar. 
A trilha do Monte Olimpo, é a de faixa branca. Ou seja, é fácil se localizar pelo parque e seguir a trilha. Basta ter atenção e sempre ficar esperto se continua aparecendo as fitinhas brancas amarradas nas árvores. Denilson seguiu na frente, em seguida o Gustavo e então eu. Atrás de mim a Beatriz, Jan e Marcelo. Como eu não estava na frente, nem me preocupei em localizar as fitas brancas – grande erro! – começaram a aparecer faixas laranja. Estranhamos, mas continuamos seguindo ainda por uns 15 minutos. Chegamos a uma enorme pedra e ali não havia mais faixas sinalizando a trilha. Decidi voltar com o Marcelo até reencontrarmos as faixas brancas. Foi um descuido nosso, eu reencontrei a trilha na segunda travessia do rio. Nesse momento a Beatriz e o Jan queriam desistir, já tínhamos caminhado pouco mais de 40 minutos. Beatriz falou que estava cansada e queria voltar. Convencemos eles a ir mais dez minutos ainda, mas desistiram e resolveram voltar. Como eles foram em um carro, e todos nós em outro, não teriam problemas em voltar para Guaramirim.
Seguimos a trilha branca então: eu, Denilson, Gustavo e Marcelo.  Estava garoando, e a mata muito úmida abafava ainda mais. Nessa parte a caminhade já fica mais puxada, porque começam as escalaminhadas. Mantivemos um bom ritmo.
 Realmente estava muito molhado, pedras escorregadias. Porém nesse trajeto ainda era dentro da mata, portanto havia sempre, pedras, barro, árvores e raízes em que pudéssemos nos segurar. Já tínhamos certeza que se chegássemos ao cume, não teríamos visão alguma. Mas se estávamos ali, não poderíamos voltar por um motivo como um cume sem sol.
Percebi que o pessoal tinha uma caminhada mais ligeira que a minha, resolvi ficar por último na fila. Aos poucos foram se distanciando e falei, que na próxima parada eu precisava comer chocolate. Acho que meia hora depois nós paramos. Havia nuvens um pouco mais claras sobre nós. Tivemos a primeira impressão que talvez pudéssemos ter sol no alto da montanha. Reparti a barra de chocolate com todos e me hidratei. Eu estava sentindo um pouco a coxa. Voltamos a escalaminhar, e não demorou muito para atingirmos a altitude superior as nuvens. Havia um céu azul, e um tapete estático de nuvens! Que felicidade! A partir dali o solo era quase seco, e as pedras, secas! Ou seja, agora tínhamos certeza que não correríamos mais o risco de ter que voltar pelo fato da rota estar perigosa! Seguimos caminhando nesse trecho que é ainda mais íngreme.
Ao chegar à primeira parede de pedra com escada para subir, senti câimbra nas duas pernas. Cada vez que eu flexionava o joelho, as pernas travavam e eu sentia uma dor absurda para esticá-la de novo. O pessoal começou a se distanciar. Falei para seguirem no ritmo deles, porque eu teria que diminuir o meu. Eles seguiam caminhando e paravam uns minutos para me esperar. Por mais de 30 minutos segui caminhando com câimbras, a dor era terrível e achei que pudesse acabar ficando realmente com as pernas travadas. Acho que é nesses momentos que a experiências em outras montanhas faz a diferença. Tomei a decisão de que se eu não melhorasse ainda na subida, na hora de descer teria problemas. Eu sei muito bem que é um grande erro gastar toda a energia na subida. Felizmente, a tática que usei de diminuir um pouco o ritmo funcionou e as câimbras passaram. Após uma grande parede que subimos com o auxílio dos degraus de barra de ferro, chegamos a um corredor sem proteção de elementos fixo para nos segurarmos. 
O Marcelo que tem medo de altitude sentou-se e ali ficou estático, pálido. Disse que estava tremendo e estava com medo. Estava querendo parar de subir. Gustavo, Denilson e eu não temos medo de altura e passamos desse corredor sem problemas. Do outro lado, incentivamos o Marcelo a continuar, sem olhar para baixo. Falamos que dali em diante a trilha retornaria à mata fechada. Mesmo com muito medo ele conseguiu atravessar. Após essa parte, passamos ainda por vários trechos com paredes bem empinadas e com elementos fixos presos. Expostos ao sol, nas paredes do Monte Olimpo, suávamos muito, e a água foi diminuindo rapidamante da bolsa de hidratação. Conseguimos restabeler um ritmo e progredimos bem. Felizmente, chegamos ao cume juntos, foi uma grande festa! Éramos os únicos a estar no Olimpo e em todo Conjunto Marumbi nesse dia, contrariando a ordem do guarda parque, conseguimos atingir o cume sem passar em momento algum por perigo. Fizemos vídeos, assinamos o livro de cume (segundo livro de cume que assino este ano) e tiramos diversas fotos. O sol estava forte e ficamos como lagartos sobre as pedras. Comi meus lanches, tomei meus “Toddynhos” e descansamos.
Eu realmente me vi cansado, sem dúvida meu condicionamento físico não estava apropriado. Gustavo e Denilson pedalam, já o Marcelo corre de vez em quando e às vezes pedala. Mas já acostumei com meu sedentarismo nesses intervalos entre uma trilha e outra. A questão é que não desisto, mesmo com muita dor e/ou cansaço. Descansamos até 12:45 hrs. Então arrumamos as coisas e começamos a descer. Optamos por fazer a mesma trilha em que subimos. Sem dúvida a descida é sempre menos cansativa, mas o esforço das pernas é enorme. Como tenho artrite nos joelhos, cuidava o máximo que podia para evitar impactos. Usei muito os braços para me segurar nas cordas, árvores e pedras. Não que eu corresse o risco de não agüentar de dor na descida, mas porque no final de semana seguinte eu iria para o Pico Paraná. Portanto, todo cuidado era necessário para eu não me machucar.
O Marcelo parece que teve menos medo para descer as paredes do que para subir. Mantendo o mesmo ritmo descemos sem parar. Levei apenas um susto quando vi o Gustavo pisando ao lado de uma cobra e ela se enrolando para dar o bote! Ela iria ar o bote no próximo que passasse ali, ou seja, eu. Descemos toda a montanha sem pegar chuva, embora o clima na guarita estivesse fechado e úmido igual quando chegamos de manhã. Conversei com o guarda-parque que todos tinham voltado e que não houve ninguém machucado. Omiti o faro de que não fizemos a trilha que ele mandou. Acredito que ele sabia que não tínhamos feito a trilha do Abrolhos. Sei que não fizemos o correto em não seguir a ordem do guarda-parque. Mas penso que a sugestão que ele dá é para pessoas que não tem muito contato e experiência com trilhas.
O Gustavo já tinha estado três vezes no Pico Marumbi, eu já fiz vários trekkings sozinho, inclusive em regiões de clima muito severo como na Patagônia. Óbvio que se ficasse perigoso voltaríamos sem hesitar. A viagem de volta me pareceu muito mais longa que a ida. E para piorar a situação, havia um acidente na serra de Curitiba. Sempre há acidentes ali! Ficamos uma hora trancados no congestionamento. Chegamos por volta das 20:00 hs, cansados e com fome. Porém realizados! Tenho que agradecer ao Gustavo pelo convite! Realmente o Pico Marumbi era grande objetivo que eu tinha para este ano. Agradecer também a companhia do Marcelo e Denilson, espero que façamos mais trilhas como ess! Como diz um amigo meu “Valeu demais galera!” 

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Glauco
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