Trekking Pico Araçatuba

 

O ano de 2020 era para ser repleto de trekking e novas montanhas. Estava preparado psicologicamente e em termos de equipamentos também. Acontece que planos são só planos, e foram todos para o brejo com o desenrolar da pandemia.

Com a liberação de algumas poucas montanhas para visitação e um número ainda menor em que fosse permitido acampar, decidi que nesse feriado de setembro eu iria para o Pico Araçatuba.

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Plano inclinado em direção aos campos de altitude

A escolha da montanha foi até fácil. As montanhas do Ibitiraquire, ainda estavam liberadas apenas para visitação, sendo proibido o pernoite. O Monte Crista é uma montanha que já fui muitas vezes, estava sem vontade de voltar lá. Outras montanhas de Joinville estavam proibidas em decorrência dos incêndios que tiveram. Já as montanhas daqui de Jaraguá, não são dignas de acampar. Poderia também ter optado pelo Cambirela, porém presumi que haveria trânsito intenso sentido Floripa. A escolha então foi pela montanha que eu ainda não conhecia, que sabia que tinha um visual bonito e amplo espaço para camping, o Pico Araçatuba!

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Caminhando pelos campos rumo ao cume

Convidei dois amigos para esse trekking. Caso eles não pudessem, eu iria da mesma forma, eu precisava acampar em montanha de qualquer maneira! Combinamos de sair de Jaraguá do Sul as 07hs da manhã, mas atrasei meia hora. Chegamos na fazenda onde inicia a trilha era 09:30hs. Pagamos a taxa de R$ 20,00 para deixar o carro no estacionamento, e iniciamos a trilha 09:45hs.

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Cume do Pico Araçatuba

Não tem como errar o caminho para o cume, segue a trilha principal, bem desgastada. A trilha inicia em um bosque e logo começa a ganhar altitude. Árvores de até 8 metros logo vão diminuindo o porte e se tornando arbustos retorcidos. Água próxima da trilha é só nesse primeiro trecho. A trilha é uma subida constante, não há muitos degraus, é um plano inclinado. Sol já estava forte, fazia em torno de 20 ºC, conforme previsto nos modelos matemáticos que consultei no dia anterior.

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Montanhistas no platô do cume

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Caminhando pelos campos antes do entardecer

Depois da primeira pegada, que é um morrinho atrás da fazenda, começa um longo plano inclinado até chegar na base da etapa mais cansativa. A trilha é praticamente uma grande reta até atingir os campos de altitude. Assim que alcançamos os campos, fomos até umas pedras, proeminentes, descansar e se hidratar. Ali é um bom lugar para acampar, ainda que uns 200 m do cume. Seguimos então para o cume da montanha. Havia poucas pessoas por lá. A visão é realmente bonita, avistei algumas montanhas que conhecia, de longe a Serra do Ibitiraquire, conseguindo identificar o Pico Paraná, mais próximo Morro dos Perdidos, logo mais embaixo, o Morro da Baleia e distante e com sua base encoberta, o Pico Pedra Branca de Araraquara, imponente e com uma linda silhueta!

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Barracas da esquerda para direita: Aztec Nepal, Aztec Minipack e Naturehike Cirrus 2

Fizemos o almoço, montamos as barracas sob a ventania e ficamos admirando o pôr do sol em seguida. Antes de jantar, logo após o sol se pôr, voltamos para o cume. Foi lindo ver as nuvens formando um tapete a uma altitude pouco inferior a 800 m. Haviam barracas no platô do cume, bastante curvadas com a força do vento. Eram jovens montanhistas sem experiência. Inclusive ajudei eles a fixarem melhor as barracas, porque não sabiam utilizar a cinta de fixação no speck da Azteq Nepal. Voltamos para nosso acampamento e fizemos a janta. Assim como no almoço, fizemos espaguete com cogumelos shitake na manteiga, acompanhado de um cappucino.

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Acampamento e o pôr do sol

Meus amigos foram dormir e eu continuei exposto ao vento e ao friozinho que fazia naquele momento. O motivo? Fiquei tentando fotografar as estrelas! Há muito tempo eu não usava minha câmera, já havia perdido a habilidade. Mas rendeu algumas fotos legais, ainda que o vento fazia a câmera vibrar mesmo em cima da pedra.

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Pôr do sol visto de dentro da barraca

Nosso acampamento, mesmo que abrigado dos ventos mais fortes, ainda assim pegava vento. A noite não foi fria dentro da barraca, mas as rajadas e o ruído do vento incomodaram bastante!

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Foto de longa exposição do céu no Pico Araçatuba

Acordamos 05:45 hs para o ataque ao cume. Nos vestimos com corta vento, e saímos para ver lá de cima o nascer do sol, previsto para 06:23 hs. Como o inverno está acabando, nem estava muito escuro. Ficamos sentados no cume observando o sol nascer por trás das nuvens, à sudeste do Pedra Branca. Como sempre, um momento muito mágico! Fizemos fotos, vídeo, apreciamos o entorno, assinei o livro de cume e descemos até nosso acampamento.

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Nascer do sol

Antes de desmontar as barracas, fizemos um café da manhã. Eu comi pão bisnaguinha com manteiga, aquecido na frigideira e recheado com fatias de calabresa. Água era tão pouca que na verdade nem fizemos café mesmo.

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Caminhando pelos campos na trilha alternativa

Desmontamos as barracas sob um vento bem forte. Minha barraca não tem linhas paralelas, então é bem difícil dobrar ela para guardar. Foi uma luta entre eu, o vento e a barraca! Logo após as mochilas estarem prontas, decidimos se voltaríamos pela trilha que viemos no dia anterior, ou se arriscaríamos seguir pela trilha que não é tão comum e 2 km mais longa. Optamos pela mais longa! Começamos a descer a montanha pelos campo, sem seguir trilha, até alcançá-la uns 500 metros depois do nosso acampamento. Foi meio que um “perrenguinho” caminhar no capim algo e terreno desnivelado.

Assim que alcançamos a trilha principal foi bem tranquilo, e logo perdemos altitude e nos distanciamos do Araçatuba. A trilha segue por um plano inclinado suave, cruza um córrego, inicia o contorno de outros morros e chega numa gruta, onde é possível fazer bivak. É um trecho muito bonito, um jardim de pedras para todos os lados.

A partir dessa gruta o terreno fica bem íngreme e a trilha começa a ter degraus. Desce bastante e passa por mais dois córregos, o segundo com água muito saborosa, provavelmente, ambos potável. Dali até a fazenda foi um calorão desgraçado e os joelhos querendo arrego!

Chegamos na fazenda mais que satisfeitos com o trekking! Clima estava perfeito, o pôr do sol e o nascer foram lindos, a trilha estava muito limpa, tudo ocorreu como previsto. Concluímos um circuito “O” que inicia e termina na fazenda. Com essa, o ano de 2020 não passou em branco no montanhismo.

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4 Comments

  1. Filipe Reply

    Cara eu tinha lido alguns relatos desse blog há uns 3 meses atrás e hoje voltei para ler alguma coisa aleatória porque havia gostado.
    Fiquei surpreso que tinha uma historia nova, agora de Setembro!
    Só to comentando pra incentivar porque o estilo de narrativa das trilhas é muito bom!

    Ah, e fiquei curioso: do cume da pra ver aquele céu estrelado como está ali? 😮

    Abraços!

    1. Glauco Rhuan Manske Reply

      Poxa, muito obrigado pelo comentário!
      Em tempos onde somente vídeo e podcast ganham seguidores, é muito bom ler comentário como o seu!
      Eu tenho muitas coisas para contar aqui, estava mesmo faltando inspiração.
      Com relação ao céu estrelado, sim e não! Essa fotografia fiz com exposição de 30s, para captar mais luz das estrelas. Isso significa que a olho nu, dava sim para ver todas essas estrelas e o cinturão da via láctea! Porém com uma intensidade de brilho menor.
      Grande abraço!

  2. Pedro Reply

    Primeiramente, parabéns pelo relato dessa bonita jornada ao cume do Pico Araçatuba! Foi muito bem escrito e prazeroso de ler.

    Gostaria de fazer algumas perguntas:

    Uma vez lá, qual o local que aconselha montar o acampamento?

    Qual o dia da semana que escolheu para o trekking? É um lugar muito frequentado por montanhistas?

    Abs

    1. Glauco Rhuan Manske Reply

      Obrigado pelo comentário! É sempre legal receber feedback dos leitores!
      Eu aconselho dois lugares. Um deles é descendo o cume à esquerda, em seguida subir até atrás de pedras grandes. Ali é abrigado do vento.
      Outro lugar (que é onde acampei), é 150m abaixo do cume, ao lado da trilha. Plano, seco e protegido do vento por pedras, quando venta de leste.
      Eu fui em pleno feriadão, estava bem tranquilo. A maioria das pessoas fazem bate e volta. Suba mais cedo, para pegar menos sol e encontrar esses bons locais de camping.
      Abraço!

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