Trekking Pico Paraná 2018

Voltar pela quarta vez para uma montanha pode parecer para muitos algo sem graça, porém garanto que se tratando do Pico Paraná, isso é diferente. Como meu amigo Diogo ainda não havia tido oportunidade de pegar tempo bom nas idas anteriores à essa montanha, decidimos voltar lá, para que pudesse ver o quão lindo é o nascer do sol viso do cume.

Saí do trabalho na quinta feira (6 setembro) de Jaraguá do Sul direto para Joinville, onde me encontrei com o Jonas e o Diogo. Comemos uma pizza, conferimos as mochilas e partimos rumo à Fazenda Pico Paraná. A viagem foi tranquila, chegamos na fazenda por volta das 23 hs. Fazia frio, algo como 5°C. Diogo decidiu que iria dormir no carro, enquanto eu e Jonas montamos as barracas. Antes de dormir, decidimos a hora que iríamos despertar, as 03:00 hs, para poder chegar cedo ao acampamento A2.

Eu dormi razoavelmente bem por algum tempo, quando então comecei a sentir frio. Olhei para o relógio e infelizmente era hora de levantar. Foi extremamente difícil sair da barraca, fazia um frio terrível. Comecei a desmontá-la ainda molhada do sereno, meus dedos enrijeceram, doíam muito! Tomei um café da manhã reforçado. Sonho recheado de doce de leite, dois pães de queijo, chocolate, carboidrato em gel e gatorade. Então iniciamos o trekking às 4 hs em ponto.

Nenhuma novidade até o Morro do Getúlio, o Diogo estava passando mal, como sempre, com falta de ar e ânsia de vômito. Fazia bastante frio ainda, céu estava limpo, com estrelas brilhando. No Morro Getúlio fiz as primeiras fotos do trekking. No horizonte, sentido São Paulo, brilhava a lua, realçando a silhueta das montanhas. Fiz rapidamente algumas fotos, não muitas, estava desconfortável com o frio. Nessa parada nos hidratarmos, comemos barras de cereal e seguimos em direção ao Caratuva, o trecho que considero o mais desgastante da trilha.

Noite na trilha do Pico Paraná

Chegamos na bica que fica logo no começo da trilha entorno do Caratuva, aparentava ter mais água que em 2017. O que nos deixou esperançosos, porque seria ótimo ter água ao longo da trilha. Porém nos córregos que encontramos durante a trilha, observamos que estavam com pouco fluxo, então não tivemos outra alternativa, se não encher os reservatórios no último córrego antes do acampamento A1, que fica uma hora e meia antes do A2. Iniciamos a descida do colo do Caratuva com o PP. Em uma das paradas para fotografar montanhistas fazendo a ascensão na parede do PP, percebi minha mochila molhada. Incrédulo fui abrindo a mochila, tirando tudo de dentro. Estava molhado a parka, roupas, saco de dormir… uma tragédia! O hidrobag se abriu e molhou a mochila de cima até embaixo. Isso nunca havia ocorrido comigo! Continuamos a caminhada, já sabendo que teríamos de economizar ainda mais água no acampamento, caso contrário ficaríamos sem, durante o retorno.

Pico Paraná visto do Caratuva

O trecho de escalaminhada na encosta do PP estava bem seco, fomos subindo sem perder tempo. Pela primeira vez não tive câimbras nesse trajeto até o acampamento A2. Assim que chegamos no acampamento, fomos escolher o melhor lugar para montar as três barracas. Havia só uma pessoa acampada no A2. Montei minha barraca ao lado da barraca dessa pessoa, bem no bosque que tem no acampamento. Terreno plano e abrigado do vento. Simplesmente o melhor lugar para acampar ali! Aproveitei o sol forte que fazia, e estendi por cima do arbustos tudo que estava molhado em minha mochila, torcendo para que secasse até a noite. Diogo e Jonas acamparam bem próximo.

Montanhistas no Pico Paraná

Durante a tarde foram chegando mais e mais pessoas. Por fim, não havia mais espaço algum para acampar e pessoas não paravam de chegar. Nunca vi o Pico Paraná tão cheio, foi assustador. Galera foi montando barraca em lugares muito inclinado e devastando a vegetação local.

Pico Paraná e Caratuva

Passamos a tarde batendo papo, conversando com o montanhista que estava ali acampado conosco, fizemos fotos e comemos bastante. No final da tarde tivemos um belíssimo pôr do sol, seguido de um céu repleto de estrelas, na qual vimos a via láctea!

Acordamos às 05hs da manhã sob um frio penetrante. Muitas pessoas já estavam acordadas no acampamento, algumas por terem acampado em lugar muito desconfortável, outras porque estavam chegando na montanha naquele momento, após fazer o trekking a noite.

Fizemos um café com vários doces e arrumamos as coisas para o ataque ao cume. Foi complicado desta vez ir para o cume. Havia congestionamento na trilha e ficamos diversas vezes parados, esperando o pessoal passar pelas correntes e escadas. Eu já estava cogitando a possibilidade de não chegarmos ao topo a tempo de ver o nascer do sol, seria trágico!

Felizmente conseguimos cortar caminho em alguns pontos e chegamos ao cume ainda antes do sol despontar no horizonte. Foi muito bom estar de novo naquele cume, na mesma formação que fui pela primeira vez pra lá. Eu, Diogo e Jonas já passamos por vários momentos nessa montanha. Já pegamos muita chuva, vento, frio e até já ocorreu um óbito enquanto estávamos nesse trekking. Porém dessa vez estava tudo dando muito certo e quando o sol nasceu, foi fascinante!

Nascer do sol no Pico Paraná

Tive um turbilhão de sentimentos. Nesse momento senti alegria, paz, arrepio de olhar ao redor e ver um mar de nuvens, senti a vontade de nunca esquecer daquele maravilhoso momento. A vida toda faz sentido quando os primeiros raios de sol, tocam e aquecem nossas pálpebras. A vida muda de cor, o coração desacelera e equaliza com a respiração. Um novo dia que nasce. Uma nova oportunidade de recomeçar.

Glauco no Pico Paraná

Dessa vez eu fiz muitos vídeos e fotos no cume do PP. Ao começar a descer a montanha continuei filmando até chegar no acampamento. Fizemos um rango digno de almoço, para encarar a longa descida. Desmontamos as barracas e iniciamos o retorno. Durante a descida da montanha não houve contratempos, embora chegamos cansados, estávamos bem.

Estar no Pico Paraná é um momento singular, proporciona experiências distintas das que vivi em outras montanhas da América do Sul. Voltarei sempre para essa montanha, porém o objetivo e a busca são sempre diferentes.

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