Mochilão Patagônia- 4º Dia – Ushuaia – Parque Nacional Tierra del Fuego – Argentina


Não acordei tão cedo, sabia que as vans que iriam para o Parque Nacional saiam mais ou menos lá pelas 10:00 hrs. Então depois do café da manhã, saimos eu, o Sergio, Guilherme e os dois brazucas pra comprar calça impermeável e passagem para Punta Arenas – Chile. Caminhamos bastante pesquisando os preços das calças impermeáveis. Só estava encontrando coisa de alto nível, para escaladores profissionais. Não encontrava calça por menos de ARG 450,00. No fim acabei encontrando uma mais barata, por ARG 107,00, meio vagabunda, é verdade, mas o suficiente para o que eu iria enfrentar.
Guilherme e eu compramos as passagens de ônibus pro dia seguinte com destino à Punta Arenas, pagamos ARG 150,00. Fomos os últimos à comprar as passagens naquele dia, tivemos sorte. Os brazucas acabaram desistindo de ir pro parque nacional e sumiram. Eu, o Guilherme e o Sergio fomos pegar a van que nos levaria para o parque. Na van, foram três espanholas com agente. Como elas estava com pouco tempo naquele dia não puderam fazer as mesmas trilhas que nós. 
A entrada do parque custou ARG 60,00 pra nós brasileiros e ARG 8,00 para o Sergio, que era argentino. Achei justo. Iniciamos a caminhada no parque fazendo a famosa “Senda Costera”. 
A trilha é linda! Vai passando pelos bosques, de vez em quando passa por uma prainha de águas transparentes na Bahia Ensenada, vimos alguns bichos como os patos selvagens, em alguns pontos se vê também montanhas com o cume branco de neve. Essa trilha tem 8 km. Em uma das prainhas, fiquei encantado com a transparência da água e a cor das pedras. Tinha uns mariscos grandes e não resisti. Resolvi comer cru mesmo. Estava bom. O Sergio também quis experimentar. Ainda pedi pra ele se ele não tinha alergia a frutos do mar. Falou que não sabia porque nunca tinha comido. Acabou comendo.
Esse foi um detalhe da viagem muito interessante. Eu nem tinha lembrado quando comi, que no dia anterior o Pablo comentou sobre a “Marea Roja”, ou seja, maré vermelha. São algas que se proliferam com o aquecimento da água, e contaminam os frutos do mar. Só pode comer os frutos do mar que passaram por análises laboratoriais. Os efeitos do fruto contaminado com a maré vermelha são praticamente instantâneos. 
A pessoa morre em questão de minutos por choque anafilático. Não tem nenhum tratamento ou antídoto.  E detalhe, toda costa de Ushuaia estava contaminada com a tal alga. 
Tive muita, muita sorte em não ter pego um marisco contaminado! Eu estava longe da cidade, iria morrer sem dúvida alguma. E detalhe, só fui lembrar da tal maré quando vi um banner na fronteira com o Chile no dia seguinte.

No final dessa trilha, chegamos num restaurante ao lado do Lago Roca. No restaurante comemos empadas.
Depois do almoço continuamos caminhando na margem do Lago Roca. Que é lindo. Foi o único lugar em Ushuaia que vi peixes. Conhecemos uma russa muito engraçado, que estava viajando com seu amigo americano. Os dois moram em Seattle – EUA. Também conhecemos uma belga, que é professora. Essa belga era bem fora, tinha um estilo meio machão. Estava acampada no parque sozinha.
Terminamos a caminhada na Bahia Lapataia. Exatamente onde termina a Ruta 3. Caminhamos um total de 12 km naquele dia
A Ruta 3 é a lendária rodovia que liga a cidade mais ao sul do planeta [Ushuaia] com o Alaska! Há uma placa dando informações de distâncias e descrevendo que ali termina a Ruta 3. Nesse lugar a belga tirou as botas dos pés, deitou-se no chão, encostando os pés na placa, e pediu pra mim tirar fotos. Pedi porque ela estava fazendo aquilo, ela disse que um amigo dela iria fazer um calendário anual. E em cada dia do ano, teria foto de pés em algum lugar diferente do mundo. 
Bem, tirei a foto dos pés cheios de calos encostados na placa. Enquanto tirava fotos da placa, apareceu o Felipe (o brazuca que estava no mesmo quarto que eu em Buenos Aires) e a Anna Paula, outra brasileira cujo tinha feito contato através do site mochileiros.com. Na verdade foi ela quem me reconheceu.
Ali, no final da Ruta 3, ficamos esperando nossa van.
Quando voltamos para Ushuaia, assim que desembarquei da van fui fazer compras de souvenirs e mais algumas tranqueiras. Primeiro fui comprar dois mosquetões na loja DTT pro meu primo, que havia feito essa encomenda comigo antes de viajar. Depois comprei um adaptador para poder recarregar a câmera. Por último, comprei uns cartões postais e chaveiro. Voltei para o hostel já era tarde. Algo como 22:00 hrs. Tinha sol ainda.
No hostel encontrei o Guilherme, e ele disse que o Sergio estava no quarto passando mal. Na hora, já me liguei que ele deveria ter alergia à frutos do mar. Falamos com ele, mas ele insistiu que era das empadas. Combinamos que iríamos tomar banho e lá pelas 23:00 hrs iríamos chamá-lo para sair pra jantar e ir no Dublin. Um pub famoso no fim do mundo. 
Acontece que deu 23:00 hrs, o despertador do Sergio despertava e nada dele acordar. Ficamos no hostel conversando com quatro brazucas de Niterói. Os caras eram muito gente fina! Papo vai, e papo vem, decidimos ligar para uma pizzaria e mandar trazer pizza. Não lembro  qual sabor da pizza pedimos, só sei que a garota que entregou falou que metade dos ingredientes não tinha na pizzaria, e ela substituiu por outras coisas. Comi a pizza e até achei ela boa. Detalhe que o tempêro era forte pra caralho. Acabei indo dormir as 02:00 hrs! E meu ônibus partia as 08:00 hrs do mesmo dia.


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Glauco
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